VC está com problemas com a Unimed? Então leia isto!

Escrito por Mhario Lincoln. em: 06/02/2014 | Atualizado em: 06/02/2014

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A cirgurgia mais complicada da Unimed

Com 19 milhões de beneficiados, maior operadora de planos de saúde do País tenta tornar sua administração mais enxuta - e racional


Texto original Márcio JULIBONI


O médico nefrologista Eudes Aquino nunca comandou uma cirurgia. Nas muitas vezes em que esteve em um centro cirúrgico, limitou-se a tarefas de assistência, como suturar os cortes. Mesmo assim, o mestre e doutor em clínica médica pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto está à frente de uma operação delicada. Como presidente da Unimed Brasil, ele pretende tornar mais racional a maior operadora de planos de saúde do País, com mais de 19 milhões de beneficiários.

O motivo é bem simples: a Unimed não é uma empresa de saúde convencional, com uma diretoria centralizada e uma estrutura linear de comando. Sob a marca, reúnem-se 360 cooperativas com autonomia praticamente total. Na base, 110.000 médicos cooperados elegem os presidentes de cada unidade. E o porte de cada unidade varia desde uma cooperativa que atua em uma única cidade, até aquelas que representam estados inteiros. Além disso, todas as decisões estratégicas são votadas pelos cooperados, num sistema de representação em cascata. Os votos dos médicos de cada cooperativa orientam o voto do presidente daquela cooperativa. Esse representante, por sua vez, apresenta esse voto na assembleia de sua região. A decisão da região é contada junto com a de outras regiões, até chegar a uma decisão estadual. E assim até o plano nacional.




Eudes Aquino, da Unimed Brasil: decisões votadas por cooperados, e reforma depende de muita conversa

Essa cacofonia de estratégias e ordens coloca a Unimed em uma situação esquizofrênica. Uma olhada atenta na avaliação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) sobre a qualidade de atendimento dos planos de saúde é um bom exemplo. A marca aparece tanto no ranking das melhores operadoras, quanto na das piores. No grupo de operadoras com mais de 100 mil beneficiados, sete das dez melhores são cooperativas da Unimed. Na outra ponta, das dez piores operadoras, quatro também usam a mesma marca.



Uma coisa só

O problema, claro, é que para os clientes, a marca Unimed é única. Os beneficiados esperam o mesmo padrão de atendimento em todo o País. Uma cooperativa que apresenta problemas arranha a imagem do grupo inteiro. E não faltam dores-de-cabeça.



Em setembro do ano passado, por exemplo, a ANS interveio na Unimed Paulistana, devido a “anormalidades administrativas”, um eufemismo para a má gestão da unidade. Em casos extremos, a agência permite que os clientes migrem para outras operadoras, conservando as mesmas características de seu plano de saúde. É o que ocorreu com a Unimed São Luís, também sob intervenção da ANS, que autorizou os clientes a mudarem para as operadoras rivais.

 

 

 



Toda vez que uma cooperativa enfrenta problemas, a marca sofre. “As pessoas não diferenciam as cooperativas”, diz Aquino. Segundo ele, por causa da autonomia de cada cooperativa, há muito pouco espaço para a Unimed Brasil intervir em alguma, em caso de crise. O que a representação nacional faz é oferecer consultoria em gestão e, em certos momentos, recursos financeiros.

Para Aquino, a receita é tornar a administração menor e mais racional. Na prática, isso significa dividir as cooperativas em dois grupos. As menores se tornariam prestadoras de serviços de saúde, e seu foco seria apenas oferecer atendimento de qualidade. As maiores continuariam como operadoras. Sua responsabilidade seria administrar as prestadoras, vender planos de saúde e coordenar a rede.

A primeira vantagem, segundo o médico, é reduzir a burocracia. Hoje, cada cooperativa mantém diretoria e gestão próprias, qualquer que seja o seu tamanho. Com a nova estrutura, aquelas que se tornarem prestadoras de serviço poderão dispensar boa parte do pessoal administrativo e de informática, entre outros. Essas tarefas ficarão a cargo da operadora a que estiver vinculada. “Não tem sentido manter 360 contadores, 360 departamentos de informática, 360 tudo”, diz Aquino. Com uma administração mais magra, a ideia é que sobre mais dinheiro para as prestadoras de serviço investir em atendimento, equipamentos e pessoal.



A pioneira

O melhor exemplo, segundo ele, é a Unimed Ceará. Há alguns anos, a Unimed Ceará era uma rede de 10 cooperativas, cada uma tocando sua vida. Destas, sete tinham menos de 7 mil clientes. A reestruturação terminou com as sete cooperativas menores transformadas em prestadoras de serviços, e três cooperativas coordenando tudo, como operadoras. No topo, a Unimed Ceará supervisiona.

A guinada pode ser medida em números. Em 2008, a Unimed cearense apresentou um prejuízo de R$ 85 milhões, além de dever R$ 4,5 milhões. No ano passado, obteve um lucro de R$ 7 milhões. Na base desses resultados, está o enxugamento dos custos. Antes da mudança, cada cooperativa gastava, em média, 20% de seu faturamento com tarefas administrativas. Depois, as sete que se tornaram prestadoras de serviços baixaram os custos para 6% da receita - a taxa que elas repassam mensalmente à operadora a que estão ligadas, para que ela assuma a burocracia.

Aquino, da Unimed Brasil, não tem números precisos de quanto a reestruturação pode gerar em economia para a rede, mas pouco mais da metade das cooperativas têm até 20.000 clientes – e seriam as candidatas naturais a se tornarem prestadoras de serviço.



Cortando calorias

Um sinal de que uma gestão mais centralizada pode trazer benefícios foi a economia gerada pela Unimed Brasil com a compra de insumos médicos no ano passado, como órteses, próteses e outros materiais. Ao concentrar as negociações com os 19 fornecedores que atendem todas as cooperativas, a representante nacional ganhou poder de barganha, por negociar volumes maiores, além de eliminar disparidades de preços que chegavam a mais de 100%. A economia gerada foi de quase R$ 33 milhões.

Os números, porém, parecem não bastar para que todos os cooperados apóiem a mudança. “A parte mais difícil foi convencer os dirigentes das cooperativas de que era melhor mudar”, afirma o médico Darival Bringel de Olinda, presidente da Unimed Ceará, que comandou a reestruturação no estado. “Eles temiam perder espaço e poder”.

Esta é a mesma dificuldade enfrentada por Aquino, no plano nacional. A cirurgia mais difícil de sua vida não depende de bisturis, gazes e antibióticos. Seu único instrumento para operar a Unimed Brasil é a diplomacia. “Não posso, nem quero, impor nada”, diz Aquino, que torce para que os cooperados se convençam de que a lipoaspiração do grupo vai, no fim das contas, deixar todos mais atraentes para os beneficiários.

 

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