Edson Vidigal (Especial)

Escrito por Mhario Lincoln. em: 07/02/2015 | Atualizado em: 07/02/2015

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Ou dá ou desce

Edson Vidigal

 

 

Havia na escola um crioulo compositor que só sabia fazer samba enredo sobre a história do Brasil.

Um dia o Estado Maior da escola, decidido a inovar, chamou o crioulo.

- Neste ano não vai ter mais história do Brasil, ó quêi?

O crioulo que passava metade do ano pesquisando o Brasil na memória republicana, pois a biblioteca pública estava há vinte anos como a transposição das aguas do São Francisco – em obras paradas, reagiu embasbacado:

- Então, vamos desfilar na avenida cantando o que, maioral?

- A atual conjuntura. A atual conjuntura.

Foi aí que, segundo Sérgio Porto, o crioulo endoidou de vez.

 

Ao final, a escola não ganhou nem o troféu Mais Sem Graça.

Porém, ainda hoje, mais de meio século depois, segue imortal o crioulo compositor que teve em alguns versos a parceria de Stanislaw Ponte Preta, outro grande pesquisador das arcadas, a quem devemos a indispensável coleção rival da brasiliana – Festival de Besteiras que Assola o País, conhecida como Febeapa.

O samba sobre a atual conjuntura ignora propositadamente a cronologia dos fatos juntando excentricamente momentos ainda inéditos na história como aquele em que Chica da Silva tendo outros pretendentes obrigou a Princesa Leopoldina a se casar com Tiradentes. Termina com um alegre ô, ô, ô, avisando que o trem está atrasado ou já passou.

Nestes começos de governos que mais parecem já estarem no fim, quem não percebe esta terra de amores, alcatifada de flores, onde a brisa fala amores, entre os delírios do Samba do Crioulo Doido e as fantasias do Festival de Besteiras que Assola o País? Fantasias moldadas a pirraças varonis nesta tão encantada Pátria Educadora.

Há pouco vimos como foram as eleições para as direções das casas legislativas responsáveis, em tese, pela fiscalização dos atos e das despesas dos Governos e, quando possível, pela feitura de leis quase sempre horríveis. E injustas.

Os poderes são independentes entre si, mas quem não cuidar de colocar os seus querubins nos postos de comando das mesas dos parlamentos para que, por meio deles, possam comandar por inteiro todo o poder legislativo, não se sustentará.

Como bem lembrou o Ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Roberto Barroso, o sistema eleitoral e o partidário no Brasil são indutores da criminalidade.

Por via de consequência, o Estado a cada dia mais se distancia da sociedade civil sobre a qual recai sempre a conta dos erros dos governantes e das falcatruas dos seus agentes na infiltrados pelos partidos e seus políticos nas cercanias de cada cofre público.

O Maranhão, por enquanto, se exclui dessa regra. A mesa da Assembleia só não foi eleita por unanimidade para não dar razão a Nelson Rodrigues para quem toda unanimidade é burra. Só faltaram dois votos para a burrice não se consolidar.

Mas em Brasília, e só não ver quem não quer, ficou tudo muito bem armado. Numa cumbuca, a emborcada, vai haver o assopra, enquanto houver leite e mel, sim, porque em pão e agua nem falar. Na outra cumbuca, a estratégia é ir pegando de leve sem nunca deixar escorregar.

O problema é que o Temer ao que parece não tem nada do Itamar. Nem um coringa como o Fernando Henrique, ora chanceler e dos bons, ora Ministro da Fazenda para com o Malan e sua rapaziada bancar como bancou com sucesso o Plano Real.

O trem está atrasado ou já passou? Quo vadis?

 

Edson Vidigal, Advogado, foi Presidente do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho da Justiça Federal.

Comentários  

0 #7 TENHO QUE ENVIAR (1)Luis Claudio Lhamas 07-02-2015 11:29
Desculpa Ministro, mas tenho que enviar este texto que encontrei na internet. Ode à Democracia.
OPINIÃO Como o Brasil se tornou um lugar que concentra tanta miséria mesmo sendo tão rico em recursos naturais e tendo um povo tão talentoso. nossa miséria não é fruto do acaso foi construída passo a passo durante séculos.
Nossa miséria é o resultado direto de termos sido o país que mais escravizou seres humanos na história recente. Mais da metade da nossa população descende diretamente de escravos e tendo sua origem numa população com o pior IDH (índice de desenvolvimento humano) possível é mais que esperado que leve muito tempo para sairmos do buraco que caímos quando escolhemos o caminho de criar riquezas com base no trabalho escravo.
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0 #6 TENHO QUE ENVIAR (2)Luis Claudio Lhamas 07-02-2015 11:29
O Brasil utilizou o trabalho escravo durante 350 anos e somente durante 125 anos o trabalho livre. Em 1800 o Brasil tinha 3,6 milhões de habitantes sendo que 1,9 milhão (52%) eram escravos. Os EUA também utilizaram mão de obra escrava mas, numa proporção em relação ao total da sua população bem menor que a nossa e por isso as marcas provocadas pela escravidão lá foram bem menores que aqui.
Nossos sociólogos e historiadores sempre evitaram culpar a escravidão pelos problemas sociais do Brasil, seria como culpar as vítimas do passado pelos desgraça atual e nossa elite cultural sempre foi guiada pelo politicamente correto.
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0 #5 TENHO QUE ENVIAR (3)Luis Claudio Lhamas 07-02-2015 11:28
Vejam que é uma atitude politicamente idiota pois, é mais que evidente que a culpa recai totalmente sobre aqueles que decidiram escravizar o povo africano que foi vítima dessa política. No Brasil o número de analfabetos negros é muito maior que o de brancos e a explicação é a mais óbvia possível: o avô, o pai e a mãe são analfabetos e nunca se preocuparam com a educação dos seus descendentes. Na Europa do séc. XVI usar garfo e faca era considerado afeminado, mesmo entre a nobreza apenas as mulheres usavam, os homens comiam com as mãos. Até pouco tempo no Brasil um conceito muito semelhante era consenso nas classes inferiores em relação ao estudo. No Brasil de hoje ser inculto e falar errado (como o Lula) está na moda e dá votos. Por outro lado exibir erudição é considerado politicamente incorreto, elitista e impopular. Tais conceitos só podem prosperar numa sociedade onde a capacidade intelectual média é muito baixa e isso também faz parte da nossa herança escravagista.
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0 #4 TENHO QUE ENVIAR (4)Luis Claudio Lhamas 07-02-2015 11:27
Onde a miséria prospera há terreno fértil para a demagogia de esquerda e a maldição deixada por Kalr Marx contamina muita gente como se fosse um vírus de computador.
Basta criar frases e expressões de efeito como justiça social, exploração dos pobres, igualdade, politicamente correto que no caso brasileiro é toda e qualquer afirmação que confirme as teorias marxistas.
A Doutrinação Marxista nas Escolas é tão visível que atualmente nem os próprios professores marxistas negam. O marxismo nunca alcançou os resultados prometidos em nenhuma das muitas sociedades onde foi aplicado mas, isso não é empecilho para os marxistas brasileiros pois, para saber disso é preciso conhecer a história do séc. XX e no Brasil conhecer a história da humanidade é quase uma "vadiagem".
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0 #3 TENHO QUE ENVIAR (5)Luis Claudio Lhamas 07-02-2015 11:24
Desc ulpa aí, Ministro. Mas tenho que enviar (2)

Por que o Brasil é essa Merda?
(5)
A enorme dívida social do Brasil, que será paga por todos nós, tem evidente relação de causa e efeito com a escravidão, trata-se de uma doença que só pode ser curada com doses maciças de educação, inclusive para adultos. Naçao adianta o Desgoverno Dilma ir para a televisão mentir pois, isso não fará com que os milhões de analfabetos brasileiros tenham algum valor para o mercado de trabalho
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0 #2 Bem diferenteCarlos Gaspar 07-02-2015 11:21
Na mosca, ministro:
"O problema é que o Temer ao que parece não tem nada do Itamar. Nem um coringa como o Fernando Henrique, ora chanceler e dos bons, ora Ministro da Fazenda para com o Malan e sua rapaziada bancar como bancou com sucesso o Plano Real."
Carlos Gaspar
São Paulo-SP
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0 #1 InusitadoDr. Juliano Capanoci 07-02-2015 11:19
O Brasil vive um momento inusitado. Nós, magistrados, e homens ligados à Justiça precisamos criar coragem para enfrentar de frente tudo isso.
Espero que V. Exa continue fazendo sua parte.
Dr. Juliano Capanoci
Rio Grande-Br
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