Darfur e Miami (J.O.Ramos)

Escrito por Mhario Lincoln. em: 08/03/2015 | Atualizado em: 09/03/2015

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Exclusivo

 

Por José de Oliveira Ramos
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Criança de Darfur – não muito diferente das crianças de alguns lugares brasileiros

 


Segundo estatísticas oficiais, o Brasil que vive e goza de “democracia” conquistada a partir dos movimentos sociais que levaram milhares de pessoas à Avenida Presidente Vargas, que superlotaram tudo a partir da Central do Brasil – mas há quem afirme que Dilma Roussef é uma “guerreira” porque “lutou” nos porões da ditadura – numa manifestação jamais vista, se mata mais gente que qualquer guerra civil em qualquer país.
Esses números – oficiais, repita-se por necessário! – informam também, que, no Brasil se mata mais e por motivos fúteis ou por conta do tráfico de drogas, que em Darfur, no Sudão.


Isso, aos sensíveis e alinhados numa linha de verdade e alheios ao puxa-saquismo, é preocupante. É muito preocupante. Preocupa muito, às famílias. Sim, às famílias. Famílias pobres, explique-se! Pois as famílias ricas (e aqui pouco importa a forma do enriquecimento) estão mudando para Miami.
É, em pleno regime democrático, a prática do que se escutou muito nos anos de chumbo: “Brasil – ame-o ou deixe-o”!
Segundo fontes, as famílias brasileiras ricas – independentemente de como “amealharam” a riqueza – descobriram que, pelo menos enquanto o país empobrece a cada mensalão (ops!) ou a cada lavada a jato (ops!) o melhor mesmo é aplicar o que ganharam num outro país.
Isso é algo para refletir. Antes, os pais em melhores condições financeiras enviavam os filhos para melhores escolas no exterior. Nos dias atuais, as famílias estão indo juntas. Inteiras. Levando até empregadas domésticas.
E, ainda que sem ir para Miami, saímos ao campo da pesquisa e podemos encontrar que há muito tempo muitas pessoas se preocupam com a guerra no Sudão – embora aqueles que ali comandam não deem a mínima atenção para os resultados diários dessa guerra.
Encontramos três poemas que demonstram preocupação de alguém do mundo com a preocupação do que estão dizimando pessoas gerações e mais gerações em Darfur. Vejam:


Darfur – Sudão
(Rogério Martins Simões)

Era uma noite, tão noite,
Nem uma só luz existia,
As velas, acesas, não brilhavam.

Lá fora nem luar havia...
Metia medo!
Ninguém dizia!
Ninguém murmurava...

O silêncio era gélido!
Esperavam o dia,
E os corações sangravam...

Medrosa agonia,
Metia medo!
Ninguém diria...

 

Vieram os cavaleiros de negro...
Despedaçaram as portas!
Violaram! Mataram!
Derramaram o sangue!
Verteram-se as lágrimas!
Levaram os moços!

Incendiaram o chão!
Queimaram os corpos em pira!
Envenenaram os poços!
E partiram sedentos de ira!
Que tragédia é essa – Sudão?

Voltou o dia!
Fez-se noite!
Viram-se de novo as estrelas!
Que é do teu povo Sudão?


(Dedicado a João Paulo II)

 

II Poema

 

Por Darfur


Sei que não posso mudar o mundo
Sei que não posso mudar as leis
Sei que bem lá no fundo
Posso mudar alguma coisa!

Posso mudar a minha rua
Posso mudar o meu bairro
Posso mudar a minha escola
Posso mudar o que me está próximo

Sei que não posso mudar os políticos
Sei que não posso fundir as religiões
Sei que não posso acabar com o racismo
Sei que não posso acabar com a descriminação

Posso acabar com o meu egoísmo
Posso acabar com a minha ambição
Posso acabar com a minha indiferença
Posso acabar com a minha passividade.
Mas mesmo na minha cidade posso
fazer algo por quem sofre noutro Continente

 

III Poema

Natal no Sudão
(Jorge Humberto)


Que Natal pode haver numa criança sudanesa,
Morrendo a cada quinze segundos numa mesa
Improvisada de campanha, onde a vã verdade,
Mais não é, que um grito calado, vil insanidade.

E enquanto assim empertigando vera destreza,
O Homem mais não concede, que sua certeza,
Foge de tudo, toda e qualquer destra afinidade,
Porque se roubou, ao povo, sua nacionalidade.

Em Darfur a guerra civil não cessa nunca mais,
Mulheres e crianças degoladas e sem palavras,
Caem abatidas no campo, prenhe dos arrozais.

Tudo isto é uma mentira engenhosa pra vender
Ao desbarato, corvos lívidos, cravando garras,
Sem inquirir, porque meio mundo, está a morrer.

Comentários  

0 #24 Darfur SudãoRogério Simões 23-02-2017 20:03
É sempre grato para um poeta ver a sua poesia por aí e por uma causa que muitas das vezes passa despercebida. Obrigado
ROMASI
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0 #23 Meus aisJosé de Oliveira Ram 09-03-2015 22:19
Caro Firmino: que ótima a sua participação, ainda que pelas mãos da esposa, formando um dueto. Pertinentes as suas colocações, entendo-as e agradeço a generosidade do seu comentário e elogios à minha pessoa. Que Deus continue protegendo vocês dois como tem feito até hoje. Obrigado!
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0 #22 Meus aisOliveira 09-03-2015 19:28
Ilustríssimo sr. jornalista José de Oliveira Ramos,
Venho por meio desta lhe parabenizar pelo belo artigo publicado nesta honrosa página da internet, primeiro por ser o senhor adepto à modernidade das escrituras que ora ocupam todo o espaço vivo do ser humano. E isso, em sua idade, pela foto posso ver, é um premio sem precedentes, pois eu, tenho grandes dificuldades em escrever, o que faço, agora, pelas mãos encantadoras de minha esposa, cuja idade é a metade da minha: 35 anos.
Não fora ela vinda o interior onde coloquei para estudar, se formar e ter um marido que lhe custeou os estudos e o amor, não poderia eu simplesmente escrever-lhe essas mal traçadas linhas.
No entretanto devo-lhe acrescentar que os problemas brasileiros, quiçá, não estejam no mesmo tope, guardadas as proporções.
E isso me preocupa deveras.
Firmino Santos (ex-vereador).
Bacabeira-Ma
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+1 #21 Acudam antes que seja tardeJosé de Oliveira Ram 09-03-2015 13:23
Mark: obrigado pela presença. No Brasil também existem "Darfur", inclusive na região sudeste. A oficialização e o apoio para a proliferação e manutenção das cracolândias, é o que mesmo?
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+1 #20 BandidosJosé de Oliveira Ram 09-03-2015 09:34
Carlota: obrigado pelo comentário pertinente. Não vá esquecer de voltar quando desejar.
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0 #19 AcudamTraifour 2 08-03-2015 21:42
O Sudão não viu nenhum progresso em seu histórico de direitos abismal em 2014. Em vez disso, novos episódios de conflito em Darfur, Kordofan do Sul e Nilo Azul estados resultou em um grande número de mortes de civis e deslocados. As forças de segurança suprimiram repetidamente manifestantes protestavam contra as políticas do governo; e as autoridades continuaram a sufocar a sociedade civil e os meios de comunicação independentes.
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0 #18 Acudam antes que seja tardeMark Traifour 08-03-2015 21:42
Relações do Sudão com recém-independente Sudão do Sul se deteriorou no início de 2012, levando a confrontos ao longo da fronteira comum. Embora os dois governos assinaram um acordo em setembro, abrindo o caminho para a retomada da produção de petróleo, os combates entre forças do governo sudanês andrebels continua em Darfur, bem como em estados Kordofan e do Nilo Azul do Sul, onde o bombardeio indiscriminado do Sudão e obstrução da ajuda forçaram mais de 170.000 a fugir para o Sudão do Sul. Protestos liderados por estudantes em cidades universitárias intensificado em resposta às medidas de austeridade e ressentimentos políticos. Autoridades sudanesas perseguidos e detidos membros da oposição do partido, líderes da sociedade civil e jornalistas, e censurou a imprensa.
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0 #17 BandidosCarlota 08-03-2015 21:38
Só passei pra lembrar que em 2006,
Organizações não-governamentais (ONGs) acusaram o governo brasileiro (LULA) de ditar sua posição sobre direitos humanos na Organização das Nações Unidas (ONU) com base em interesses de sua política externa e não pensando nas vítimas de violações, principalmente na África. Em Darfur, por exemplo.
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+1 #16 Lula atrozJosé de Oliveira Ram 08-03-2015 16:02
É difícil, me parece, querer que Lula entenda essas coisas. Políticas externas é algo complicado e um analfa como o Lula jamais entenderá. No máximo precisaria levar a vida inteira para "aprender" com alguém que escolhesse para o Ministério da Exterior ou semelhante. Dilma não está fazendo diferente, quando se intromete na política interna e na cultura de combate ao tráfico vivenciada pela Indonésia. O fato do fuzilado ser brasileiro não dá a ela nem a ninguém o direito de protestar contra a forma de forma interno de outro país. Aqui, com política diferente para o crime do tráfico, enfrentamos o que enfrentamos - e ela não faz nada. Será que sabe?
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+1 #15 Sugestão de leituraJosé de Oliveira Ram 08-03-2015 14:55
Sabemos que a situação em Darfur e em todo o Sudão é complexa. Mesmo distante, seria bom tentarmos fazer alguma coisa em favor daquela gente. Se conhecemos os problemas da Indonésia, por que olvidarmos os de Darfur?
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