E ninguém falou mais em José Serra...

Escrito por Mhario Lincoln. em: 11/02/2014 | Atualizado em: 11/02/2014

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Foto: Google

Mhario Lincoln

 

E ninguém falou mais no Serra. Mas, em novembro de ano passado José Serra (PSDB) mostrou a cara em entrevista interessante a um jornal de Santa Catarina. Foi ministrar palestra na Associação Comercial e Industrial de Florianópolis.

E como ninguém, acabou trazendo pra si muito mais holofotes políticos que, vamos dizer, empresariais.

Na ocasião, entretanto, nem mesmo confirmou se seria oficialmente o candidato ”da Oposição” a Dilma Rousseff. Porém, soltou algumas pérolas dignas de seu jeito de ser:

- Na verdade estou visitando vários estados brasileiros para construir uma proposta, um programa para ajudar meu partido e o candidato do meu partido à Presidência da República. O Brasil precisa de uma alternância de poder mais do que nunca. Mas não estou avaliando minha força política.

 

Até prova em contrário, a sigla pretende decidir quem será o candidato do PSDB à Presidência do Brasil, daqui a pouco, em março/2014. Sobre isso, disse Serra:

- Nosso partido sabe que o país está semi-paralisado na economia, com pressão inflacionária, sem raio de manobra em gasto público, com desequilíbrio externo muito forte. Uma lentidão muito grande. O Brasil está lento, mas a publicidade do PT é muito forte”.

Quanto a sua característica de não “bater no fígado, mas 'tentar' amaciar a onça”, Serra saiu-se assim, quando perguntaram sobre sua opinião pessoal pertinente ao Governo Dilma:

- Há uma incapacidade executiva de planejar. O governo federal não faz isso por maldade, mas por incompetência e falta de gestão.

Sobre o Lula ter recebido um governo “limpo” das mãos de FHC, Serra se alonga e diz: “O Lula teve a maior sorte que um presidente brasileiro já teve: a bonança externa. Os preços da agroindústria brasileira e mineração nas nuvens. O Brasil ganhou desde o começo do mandato até 2008 uns R$ 100 bilhões a mais por melhora de preços. Mas foi torrada em consumo, substituindo a produção da indústria doméstica. Sul e Sudeste foram castigados pela política de desindustrialização. O Brasil não aproveitou esses recursos para aumentar sua competitividade. O resultado é que hoje estamos endividados e o país não investiu e não cresceu. Temos pressão inflacionária, que é reprimida. O próximo presidente, não importa qual seja, vai receber no colo uma massa de problemas realmente impressionante”.

Insiste ele que foi a Santa Catarina, não fazer política, mas “reunir opiniões sobre um novo Brasil”. Tudo bem. Mas perguntado sobre reformas, ele, aí, assume sua condição de “reformador” e, se escolhido (???) pré-candidato à Presidência da República do Brasil, pelo menos tem na ponta da língua, alguns itens de seu plano de governo.

Elenca, Serra:

- Defendo uma reforma política, sim! Começaria pelas cidades com mais de 200 mil eleitores, onde há segundo turno. Defendo o voto distrital, é uma boa experiência. Vai diminuir o custo das campanhas em municípios grandes, de cinco a dez vezes. Melhor ainda, o eleitor vai saber quem é o seu representante e vai cobrar. Eu faria cláusula de barreira para partido. Para a sigla ter determinada condição, precisa ultrapassar um mínimo considerável de votos, resolve essa questão de ter 33 legendas. Mudaria os termos do horário eleitoral e deixaria só para cargos executivos, com os candidatos em frente às câmeras, sem produção. Acabaria com essa mercadoria de comércio político.

Não sei se Serra foi aplaudido ou não na palestra que ele deu, logo após essa entrevista, na Associação Comercial e Industrial de Florianópolis, mas, uma coisa ficou visível: “Eu sempre estou pronto se o partido me chamar”, disse, despedindo-se dos jornalistas que lá cobriram o evento.

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