Pode se viver sem trigo? Trigo vicia?

Escrito por Mhario Lincoln. em: 13/02/2014 | Atualizado em: 13/02/2014

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Livro propõe a retirada total do trigo da dieta.
Autor considera o cereal um vilão que promove a barriga, além de picos exagerados de açúcar no sangue.

 

Obs do editor O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. : Neste texto primoroso de O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.  - (Estado de Minas), uma avaliação real do livro "Barriga de Trigo", um best-seller mundial assinado pelo médico cardiologista Willian Davis. Para uns, radical, para outros (como eu que sigo essa dieta), algo de significativa importância para minha saúde.

Já estou com sessenta anos e por isso, devo começar a me preocupar com atividades e alimentação saudáveis. Em 1996/97 tive uma experiência parecida quando iniciei trabalho de reeducação alimentar. Minha base, na época, foi um livro escrito pelo médico Efraín Melara, "A Medicina do Terceiro Milênio". De caráter extremamente radical, Melara ensinava métodos nada modernos. Mas em poucos meses (sem seguir a radicalidade sugerida), alcancei índices corpóreos interessantes. 

De 110 quilos acabei, ao final de um longo período, descendo a 70 quilos. "Satisfeito" com os resultados relaxei, voltando a incorporar dieta do dia a dia. Reengordei tudo novamente. Mas, somente em 2011, após complicações de quem abusa da sorte na comida, reencontrei um caminho saudável de vida. Já estou há quase 3 anos no meu peso ideal (80 quilos), isto é, 30 quilos a menos do que em 1994. Na época algumas revistas e jornais divulgaram essa proeza, como mostra foto ao lado.

Tive que ser radical em algumas coisas. Primeiro relembrar o que minha mãe sempre me dizia: "Comer pra viver, não viver pra comer". Depois regrar uma dieta à base de muitos legumes, arroz e feijão integrais e - coincidentemente ao livro - nada que contivesse trigo. (Nem mesmo os integrais (pão, bolachas, macarrão, pastéis, bolos, etc) cujos percentuais de glúten têm baixa diferença dos não integrais). Com um detalhe: Não sou celíaco (alergia ao glúten). Mas hoje me sinto muito bem.

Um detalhe que li no livro "Barriga de Trigo", depois. Sofri a síndrome de abstinência (como um viciado em drogas) quando abandonei o pãozinho francês nos deliciosos cafés da manhã ou nos lanchinhos da tarde. No terceiro dia tive uma crise de nervosismo e vontade imensa de correr na padaria mais próxima e comer tantos pães quanto desse. Abandonei o café por 2 semanas até a vontade passar. 

Willian Davis fala isso no livro, inclusive que trata a abstinência do trigo com as mesmas drogas que trata viciados em cocaína e heroína. Às pgs. 61 escreve ele:

"De sintomas da síndrome de abstinência a alucinações psicológicas, o trigo participa de alguns fenômenos neurológicos peculiares. (...). A administração da Naloxona impede a ligação das exorfinas do trigo ao receptor de morfina das células cerebrais. (...) Exatamente a mesma droga -Naloxona- que anula o efeito da heroína num dependente de drogas violento(...)".

Mas, vamos ao texto sobre o livro "Barriga de Trigo".

 

 

Entre os cereais mais consumidos do mundo – somente este ano serão 700 milhões de toneladas –, o trigo está presente em praticamente tudo. Desde massas, pães, biscoitos e bolos até farinhas, cereais matinais, cerveja e doces. Eliminá-lo da dieta parece impossível ou um feito restrito aos celíacos – pessoas intolerantes ao glúten, um dos componentes do cereal integral – que não têm outra opção.

O cardiologista William Davis sabia do grande desafio que tinha pela frente ao escrever o best seller norte-americano 'Barriga de trigo', que acaba de chegar ao Brasil. Nele, o autor propõe uma vida completamente livre do cereal integral, alimento ao qual atribui não apenas a formação dos indesejados pneuzinhos na região abdominal, mas também o estímulo a uma série de outras doenças, entre elas as cardíacas, diabetes, artrite, alguns tipos de urticárias e até câncer. Sem contar os efeitos na pele, como a acne.

Boa parte dos malefícios causados pelo trigo tem como origem as alterações genéticas pelas quais o cereal passou nos últimos 50 anos. O autor explica que para aumentar a produtividade e a resistência da planta à seca e às pragas, a ciência tratou de realizar uma série de cruzamentos e modificações genéticas nas linhagens. O que pouco se questionou foram os efeitos dessas novas propriedades sobre a saúde humana.

Entre eles, William Davis cita os picos exagerados de açúcar no sangue, que acionam ciclos de saciedade alternados com um aumento do apetite, uma das principais justificativas para a formação da típica barriga que dá nome à obra. Segundo William, a elevação do nível de glicose repetidas vezes ao longo de períodos constantes culmina com a deposição de gordura principalmente no abdômen. Nos homens, o efeito se estende para as mamas, que ficam maiores à medida que mais estrogênio é produzido pelo tecido adiposo. Para se ter uma ideia, o autor garante que o consumo de duas fatias de pão integral aumenta mais a taxa de glicose no sangue do que duas colheres de sopa de açúcar branco.

A proposta, portanto, é radicalizar e eliminar o cereal de forma abrupta da dieta, mesmo que a dependência pareça insuperável. Apesar de concordar que o trigo foi geneticamente alterado a partir da década de 1960, a nutricionista e mestre em extensão rural Regina Oliveira garante que hoje a população não tem condições de abrir mão do trigo por completo. “O grão passou por uma mudança de estrutura. Se antes tinha menos de 3% de glúten em sua composição, agora esse percentual chega a 20%. Sem contar que muitas culturas são transgênicas, além de expostas a agrotóxicos”, explica. “Mas para tirá-lo da alimentação é preciso colocar outra coisa no lugar e trazer de volta outros alimentos que foram excluídos da alimentação, como alguns tubérculos”, acrescenta. O trabalho portanto é mais profundo e significa uma mudança cultural que pode levar anos.

Enquanto essa revolução não ocorre, o ideal é reduzir o consumo diário. “Hoje, a população brasileira come de quatro a cinco porções de trigo todos os dias. É, além de tudo, uma dieta pobre e homogeneizada. Com isso, há perdas nutricionais”, avalia. O ideal é tentar restringir o consumo do cereal a duas vezes ao dia. “Se consumido moderadamente, os danos, principalmente no que se refere à diabetes do tipo 2, não serão tão grandes”, garante.

NUNCA MAIS
“Mais esguio, mais esperto, mais ágil e mais feliz” são as promessas de William Davis para quem se propuser a dar o difícil passo rumo a uma vida sem trigo. Ciente da dificuldade que muitos vão enfrentar, o autor pontua quais são os alimentos mais indicados para preencher o amplo espaço vazio que os pães e massas vão deixar. Legumes, verduras, castanhas, sementes, carnes, ovos, abacates, azeitonas e queijos serão os principais aliados nesta mudança drástica de hábitos alimentares. O livro ainda traz algumas receitas para ajudar na diversificação do cardápio.

O que comer sem restrição, segundo William Davis
» Vegetais (exceto batata e milho)
» Castanhas e sementes cruas (amêndoas, nozes, pecãs, avelãs, castanhas-do-pará, pistaches, castanhas-de-caju, macadâmias, amendoins, sementes de girassol e de abóbora, gergelim, farinha de castanhas)
» Óleos (azeite de oliva extravirgem e óleos de abacate, nozes, coco, manteiga de cacau, linhaça, macadâmia e gergelim)
» Carnes e ovos
» Queijos
» Outros: semente de linhaça (moída), abacate, azeitonas, coco, especiarias, chocolate (não adoçado) ou cacau.

 

O OUTRO LADO

Mas existem médicas nutricionistas que não aceitam o fato de um indivíduo saudável (sem a doença celíaca - a intolerância ao glúten) se submetam a uma dieta sem comer massas, pães etc à base de trigo. Por isso, a primeira coisa que deve ser feita diante dessa indicação é procurar um especialista e fazer exames necessários.

A pesquisadora brasileira Fabíola Soares, por exemplo, ao retirar o glúten na alimentação de camundongos, ponderou que a dieta restritiva só pode ser feita sob indicação médica. Mas atenção: quem tem a doença celíaca, sim, deve passar bem longe dos alimentos com glúten.

O problema é que nem todos podem se beneficiar dessa medida, e essa decisão só pode ser tomada sob indicação médica. De acordo com estudo feita pela Mayo Clinic – instituição norte-america que é respeitada pela pesquisa e indicação em dietas restritivas, inclusive sem glúten - com a população americana, apenas 20% excluíram a substância da alimentação com orientação adequada.

A pesquisadora brasileira Fabíola Soares demonstrou – em laboratório, com camundongos – que o glúten diminui a utilização das reservas de gordura no organismo, estimula a inflamação no intestino e age de forma a diminuir a tolerância à glicose, favorecendo a hiperglicemia (glicose elevada no sangue). “Embora os resultados das pesquisas sejam promissores, por enquanto a indicação de exclusão do glúten deve ser realizada somente para pessoas com a doença celíaca. Como nutricionista e pesquisadora, defendo que qualquer recomendação deve ser pautada somente naquilo que está comprovado pela ciência”, afirma Fabíola, professora doutora da Universidade Federal da Grande Dourados (MS).

Obs do editor: Eu me submeti a todos os exames antes da reeducação alimentar. Portanto, é extremamente necessário que se realize exames completos e receba orientação médica especializada, antes de se submeter a quaisquer que sejam as dietas. Lembrando que cada caso é um caso. Cada organismo reage de forma individual a cada dieta.

 

Comentários  

+1 #1 abstinênciaAndrea medeiros 20-12-2014 14:48
São 7 dias sem o trigo. Tive uma crise emocional. Chorei muito, me sentindo angustiada. Pode ser alguma crise?
Outro fato é que aumentei a ingestão de doce e não consigi ingerir nada que tenha trigo.
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