"Se gritar pega ladrão..."

Escrito por Mhario Lincoln. em: 26/04/2015 | Atualizado em: 26/04/2015

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Por José de Oliveira Ramos
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 Nota do Editor: Desde meus parcos tempos de jornalismo, em meador de 1971, quando iniciei ao lado de Eloi Cutrim, como repórter fotográfico, cobrindo polícia para o bravo Jornal Pequeno, aprendi com o mestres do jornalismo que nunca se deve impor a pauta. O que se pode fazer é sugerir o caminho dos fatos. A sensibilidade para descobrir qual assunto é realmente relevante, isso fica por conta do talento e do feeling do jornalista. Por isso é que hoje poucos são os jornalistas. E dentre esses, considero altamente relevante o feeling de José de Oliveira Ramos, a quem, por quase insistência ou pedido acirrado, aceitou ser esse destaque que é entre um dos jornalistas mais comentados da história do Portal Mhario Lincoln do Brasil, hoje, resumidamente (por enquanto) nestas simples páginas de internet. Obrigado.

Mas, eis a matéria de ZéOliveira, hoje. Seja bem-vindo.

 

"Roubar, é falta de caráter, de inteligência ou as duas coisas juntas?"


Ninguém me pediu para escrever sobre o assunto seguinte. Um dos motivos que nos fez aceitar o convite do Editor para colaborar com o portal, é a total liberdade de escolher o tema, sem esquecer a responsabilidade, a ética, a honestidade e, acima de todos esses itens, o bom jornalismo. E, mesmo sem jamais ter conversado algo sobre essas particularidades, no dia em que o Editor sugerir – ainda que de longe pareça também imposição – pegamos nosso boné e vamos cantar noutra freguesia.

Assim, para tentar escrever alguma coisa que possa fazer sentido, resolvemos ligar a máquina que conduz ao Túnel do Tempo, começando por folhear algumas anotações ainda vivas (e úteis, embora envelhecidas e amarelecidas pelo óbvio) no caderno Avante, e recorrendo a autores da História do Brasil nos séculos passados e escritas como matéria escolar par as gerações subsequentes.

Irmãos Metralha – ícones e ídolos dos ladrões


Autores como R. Hadock Lôbo, Alcindo Muniz de Souza, Haroldo de Azevedo e tantos outros, escreveram em síntese que, “não tivessem os exploradores roubado tanto ouro, diamante, pedras preciosas e Pau Brasil, este Brasil continental seria uma grande e rica Nação.”
Algo que se assemelhe aos dias atuais ou uma “continuidade” da História do Brasil? Será que um dia alguém terá coragem suficiente para transformar isso em matéria escolar?
Quem estudou, em vez de ficar consumindo Nescau e mingau de leite Ninho, já leu em algum lugar algumas narrativas sobre o “Santo do Pau Ôco”, uma das muitas formas utilizadas para a saída do ouro, diamantes e pedras preciosas do Brasil para a Europa.
Medidas profiláticas e ações saneadoras da época, garantem, acabaram com o desvario. Eram, asseguram, muitos estrangeiros roubando o que o Brasil tinha de precioso.
Acabou isso?
Os “estrangeiros” continuam roubando o Brasil?
Atenção! Paremos! Desliguemos a “Máquina do Túnel do Tempo” e liguemos por óbvio e necessário, a “máquina da realidade e atual”.
O que é que alguns entendem como “roubar”?
Roubar seria “algo bom”? Algo edificante?
E quem “rouba” para ser rico e usufruir indignamente do produto do roubo, quando “bate as botas”, leva algo no caixão?
Alguém terá orgulho de edificar sua família a partir de riqueza construída com roubo?
Enfim, roubar, é falta de caráter, de inteligência ou as duas coisas juntas?

No Brasil, com o apoio formal de algumas leis, parece que roubar é algo bom, edificante – porque os praticantes dirão sempre que todos roubam.


OBSERVAÇÃO – Há poucos dias atrás, o hoje investigado Vaccari foi “convocado” para prestar depoimento numa CPI sobre provável envolvimento com roubo e corrupção que estão produzindo esse lamaçal do pau ôco e, dizem, teria recebido “autorização” para atender à convocação, sem a restrita obrigação de falar a verdade. Alguém definiu isso como um salvo-conduto para mentir. Há quem afirme, ainda, que a “autorização” teria partido de um Ministro do Supremo Tribunal Federal, a maior corte judicante do País.

Foi isso mesmo que aconteceu?
Assim, que terminologia é dada no Brasil para o “roubar”?
Brasileiro, ladrão idiota e burro, rouba até imagem de santo. Para quê e por quê roubar uma imagem?
E, essa inteligência esmerada não é algo recente. É antigo. Muito antigo. Tempos passados, no colégio, meninos roubavam dos outros, borracha, folha de caderno, lápis e roubavam da escola até apagadores e pedaços de giz.
Para que serve um pedaço de giz roubado e em casa?
E, quando chegava em casa com os bolsos cheios de pedaços de giz, o menino sequer era importunado pelos pais. Tal qual alguns pais de hoje que, em vez de aplicar corretivos, elogiam: “esse moleque é esperto”!
Pois, tenha coragem e mude esse holofote para os assuntos e momentos atuais. O caso da Petrobras é típico do Brasil, e também não é nenhuma novidade, da mesma forma que não é algo novo os responsáveis (de uma forma ou de outra) minimizarem as coisas e, por evidentes participações nos conluios, usarem meios e as benesses que o poder confere, para “abafar” casos e atitudes que, na verdade, se iniciaram numa sequência dos “santos do pau ôco”. É uma continuidade daquilo, daqueles tempos.
Alguém grite – “pega ladrão”!
Imaginemos o que seria o Brasil, hoje, se nunca tivesse existindo nenhum tipo de roubo, de corrupção, de safadeza. Se todos os esforços do homem brasileiro tivessem sido encaminhados na direção da retidão e da coisa certa.
Que teoria existe pra definir uma pessoa que, num país de miseráveis, onde existe um Salário Mínimo de pouco mais de R$700,00 – ganha R$30.000,00 por mês, correspondendo a R$1.000,00 por dia, que significam muito mais que os míseros R$700,00 que aquele mínimo oficial?
E o que dizer desse que ganhar R$30 mil por mês e, insatisfeito, ainda se dá ao despautério de roubar, de viver roubando para aumentar o que? Aumentar a idiotice?

Que sabor tem uma vida construída sobre os alicerces do roubo?
Quem constrói tudo ao lado das paredes que escondem o “diferente” patrimônio erigido graças ao roubo, terá um dia coragem de “passa-lo aos filhos” e lembrar para que eles façam uma boa administração daquilo?

Seis “milhões” roubados na Petrobras


Quem roubou muito ou pouco, paga caro por qualquer coisa e pouco lhe dá valor, é apenas porque não suou para ganhar. Só isso!
Quem cria a galinha da Terra, come com as mãos e rói os ossinhos, porque aquilo tem o sabor da labuta e da honestidade. Comer galinha da Terra de garfo e faca, segurando-os com as pontas dos dois dedinhos... não está dando bom sinal!
Não é bom falar em corda na casa onde morreu alguém enforcado.

Comentários  

0 #22 Moro em PortugalJosé de Oliveira Ram 28-04-2015 16:08
João Damasceno: obrigado pela importante participação e mais ainda pelos comentários lúcidos, humanos e esclarecedores.
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0 #21 Socoirro MilitaresJosé de Oliveira Ram 28-04-2015 14:28
Julia Abranches: amiga, permita-me a liberdade do tratamento, agradeço imensamente sua participação e, mais ainda, seu comentário educado e ao mesmo tempo indignado. Eu sou contra a militarização. Já sofri os efeitos disso na própria carne e tenho uma exata noção do que isso significa. Podemos mudar e melhorar o País sem a militarização - reconheço que, no passado, havia mais respeito (ou seria medo?) entre as pessoas. Entendo que, no dia em cada um fizer a sua parte, em que cada um for um real cidadão, em que cada um educar seus filhos em vez de declinar esse direito para o Estado, começaremos a mudar.
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0 #20 Nem todos sãoJosé de Oliveira Ram 28-04-2015 10:38
Sold. Julio: claro que nem todos são. Aqui não houve generalização. O que questiona a postagem é o fato de que, hoje, os brasileiros deram sequência às práticas iniciadas pelos europeus nos tempos do Santo do Pau Ôco. Morei anos do Rio de Janeiro e todo começo de mês subia o Morro da Rocinha para cortar o cabelo com um Barbeiro que era meu amigo e cortava meu cabelo como eu queria. Lá, sempre vi que, no morro não moram apenas marginais ou vagabundos. Assim, corroboro com você, em algumas instituições públicas existem também (a maioria, creio) pessoas de bem que não se envolvem com o roubo.
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0 #19 AntigoJosé de Oliveira Ram 27-04-2015 21:50
Carlos Mandarin: pois é amigo, convivemos com isso há muito tempo - e, pior, não conseguimos acabar com isso. Por que será? A coisa mais ridícula que vez por outra escuto, é: "todo homem tem seu preço"! Ou ainda: "em todo lugar se rouba"!
Essas frases são tipicamente brasileiras e, por isso fiz a pergunta inicial: roubar é falta de caráter, de inteligência ou as duas coisas juntas? No Brasil, filho rouba até a mãe ou o pai!
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0 #18 AgradecidoJosé de Oliveira Ram 27-04-2015 18:10
Osvaldo Rocha - Amigo, sua generosidade me impulsiona a produzir mais e tentar fazer cada vez melhor. Obrigado!
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0 #17 Moro em PortugalÀ meu mando 27-04-2015 10:40
HUMILHANTE MEU POVPO VI9VENDO ÁS CUSTAS DESSE GOVERNO INFELIZ E CORRUPTO.
VOLTAR AO BRASIL É DIFÍCIL MESMO SUBJUGADO POR PROBLEMAS econômicos AQUI NO PORTO.
AJUDEM MEU PAÍS POR FAVOR...
João Maria Damasceno
Uberaba-MG
Porto-PT
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0 #16 CONVENÇÃO INTERAMERICANA CONTRA A CORRUPÇÃOIntegre-se à defesa 27-04-2015 10:36
OS ESTADOS MEMBROS DA ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS AMERICANOS, (I)
CONVENÇÃO INTERAMERICANA CONTRA A CORRUPÇÃO

Preâmbulo

OS ESTADOS MEMBROS DA ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS AMERICANOS,

CONVENCIDOS de que a corrupção solapa a legitimidade das instituições públicas e atenta contra a sociedade, a ordem moral e a justiça, bem como contra o desenvolvimento integral dos povos;

CONSIDERANDO que a democracia representativa, condição indispensável para a estabilidade, a paz e o desenvolvimento da região, exige, por sua própria natureza, o combate a toda forma de corrupção no exercício das funções públicas e aos atos de corrupção especificamente vinculados a seu exercício;
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0 #15 CONVENÇÃO INTERAMERICANA CONTRA A CORRUPÇÃOAssine também 27-04-2015 10:36
OS ESTADOS MEMBROS DA ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS AMERICANOS, (II)
PERSUADIDOS de que o combate à corrupção reforça as instituições democráticas e evita distorções na economia, vícios na gestão pública e deterioração da moral social;

RECONHECENDO que, muitas vezes, a corrupção é um dos instrumentos de que se serve o crime organizado para concretizar os seus fins;

CONVENCIDOS da importância de gerar entre a população dos países da região uma consciência em relação à existência e à gravidade desse problema e da necessidade de reforçar a participação da sociedade civil na prevenção e na luta contra a corrupção;

RECONHECENDO que a corrupção, em alguns casos, se reveste de transcendência internacional, o que exige por parte dos Estados uma ação coordenada para combatê-la eficazmente;
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0 #14 CONVENÇÃO INTERAMERICANA CONTRA A CORRUPÇÃOLeia isto 27-04-2015 10:35
OS ESTADOS MEMBROS DA ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS AMERICANOS, (III)
CONVENCIDOS da importância de gerar entre a população dos países da região uma consciência em relação à existência e à gravidade desse problema e da necessidade de reforçar a participação da sociedade civil na prevenção e na luta contra a corrupção;
RECONHECENDO que a corrupção, em alguns casos, se reveste de transcendência internacional, o que exige por parte dos Estados uma ação coordenada para combatê-la eficazmente;
CONVENCIDOS da necessidade de adotar o quanto antes um instrumento internacional que promova e facilite a cooperação internacional para combater a corrupção e, de modo especial, para tomar as medidas adequadas contra as pessoas que cometam atos de corrupção no exercício das funções públicas ou especificamente vinculados a esse exercício, bem como a respeito dos bens que sejam fruto desses atos;
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0 #13 CONVENÇÃO INTERAMERICANA CONTRA A CORRUPÇÃOConvenção 27-04-2015 10:33
OS ESTADOS MEMBROS DA ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS AMERICANOS, (IV)

TENDO PRESENTE que, para combater a corrupção, é responsabilidade dos Estados erradicar a impunidade e que a cooperação entre eles é necessária para que sua ação neste campo seja efetiva; e

DECIDIDOS a envidar todos os esforços para prevenir, detectar, punir e erradicar a corrupção no exercício das funções públicas e nos atos de corrupção especificamente vinculados a seu exercício,

CONVIERAM em assinar a seguinte

CONVENÇÃO INTERAMERICANA CONTRA A CORRUPÇÃO

Artigo I Definições
Íntegra em:
http://www.oas.org/juridico/portuguese/treaties/B-58.htm
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