A fotossíntese da vida

Escrito por Mhario Lincoln. em: 11/05/2015 | Atualizado em: 11/05/2015

Compartilhe

Exclusivo:

Por José de Oliveira Ramos
(O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. )

 

O nascer ou o renascer que pode ser interrompidos intempestivamente

O ontem que há pouco tempo foi hoje, será amanhã, quando o hoje terminar. Isso seria um motivo poético para o nascer, o viver e o falecer. Mas, e o que permeia entre cada uma dessas fases, não conta?
Um “canudo” de uma onda, formado no mar da Ilha de Oahu no Havaí, que os surfistas resolveram chamar de “waimea”, ou, ainda, a “pipeline” ou até mesmo a “teahupoo” encontrada na Ilha do Taiti, na Polinésia Francesa é algo passageiro que nasce, “vive” e morre, com a rapidez inexplicável e mutante das correntezas. É algo que marca a sua existência, vive sua glória e vai embora.
Mas, sejamos reais. Existem coisas não tão rápidas assim. E, por serem assim, precisam ser respeitadas como obra da Natureza. A castanheira, a sequoia ou o ipê são árvores que deveriam ser eternas. São os opostos das ondas que formam os canudos no mar. Precisam do tempo que a Natureza lhes dá para viver.
E, o que o homem, especialmente o brasileiro, tem feito para que seres vivos como as árvores e algumas espécies animais completem o seu ciclo de vida? Qual poderia ser o ciclo de vida de uma sequoia ou de uma tartaruga-gigante-de-aldabra (Geochelone gigantea) ?
No Brasil, provavelmente para agir exclusivamente de forma burocrática, governos criaram o Ministério do Meio Ambiente (que troca de nome e de objetivos, tanto quanto mulheres mudam de calcinhas) que, sem analisar acertos ou erros trocam de bifurcação de quatro em quatro anos.
Criado inicialmente com a denominação de Ministério do Desenvolvimento Urbano e do Meio Ambiente, em 15 de março de 1985, no governo de José Sarney, através do decreto nº 91.145. Anteriormente as atribuições desta pasta ficavam a cargo da Secretaria Especial de Meio Ambiente, do então denominado Ministério do Interior, criada através do decreto nº 73.030, de 30 de outubro de 1973.
Em 1990, no governo Fernando Collor de Mello, o Ministério do Meio Ambiente foi transformado em Secretaria do Meio Ambiente, diretamente vinculada à Presidência da República. Esta situação foi revertida pouco mais de dois anos depois, em 19 de novembro de 1992, no governo Itamar Franco.
Em 1993, foi transformado em Ministério do Meio Ambiente e da Amazônia Legal e, em 1995, em Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal, adotando, posteriormente, o nome de Ministério do Desenvolvimento Urbano e do Meio Ambiente. Em 1999, no governo Fernando Henrique Cardoso, retornou à denominação de Ministério do Meio Ambiente.
Acredita-se que os “exploradores” se aproveitem dessa barafunda para agir. Para desmatar, derrubando árvores seculares antes que elas completem seus ciclos de vida e atendam a uma serventia inadequada.

Machado – arma contra a vida que, para existir, precisa da madeira

As nossas árvores estão sendo destruídas com a mesma rapidez (e a falta de importância que o homem lhes dá) que os “canudos” se desfazem no quebra-mar. Alguém precisa fazer alguma coisa – que as instituições criadas e mantidas com os impostos que pagamos estão permitindo a evaporação pela camada de ozônio.
Mas, como se dizia num passado não tão distante, “melhor prevenir, que remediar”?
Para não lhes dar ao trabalho de procurar um mapa do continente brasileiro, poupo-lhes, e digo que, na região amazônica – que imaginamos de floresta maior e mais densa – nossos vizinhos são: Guiana Francesa, Suriname, Venezuela, Colômbia Peru e Bolívia.
Pois bem: como e por onde sai a quantidade absurda de madeira proveniente do desmatamento na região amazônica?
Numa época em que a tecnologia atende quase todas as demandas, como carradas e carradas de madeira (proibida por Lei) são transportadas para Belém ou para o Porto de Paranaguá sem serem “vistas ou encontradas” pelos órgãos fiscalizadores?
Existe algum motivo para sugerir “conivência”?
Na prática, parece mais difícil que essa madeira seja transportada (e contrabandeada) pelas fronteiras dos países acima citados, por absoluta perda de tempo com estradas ruis e com a pequena vigilância – mas existente! – nessas fronteiras. Acaba sendo mais prático viajar dias e semanas para o Porto de Paranaguá.


Caminhões carregados com madeira apreendida

Ora, segundo dados pesquisados, o Ministério do Meio Ambiente tem como orçamento para o ano de 2015, exatos R$3,5 bilhões. Isso sem contabilizar o que provavelmente arrecada com a aplicação de multas a infratores – imagina-se que esses valores sejam apensos ao orçamento.

Duas perguntas que não querem e não aceitam calar:
1 – É um problema difícil de resolver ou não existe interesse em resolver, por absoluto envolvimento de esquilos, pica-paus ou cupins?
2 – O que é feito com a madeira apreendida – será que vira mesões de reuniões dos 38 desnecessários ministérios ou é transformada em lucros que engordam depósitos em bancos de paraísos fiscais?

Comentários  

0 #10 Meu poetaMama mia 12-05-2015 06:51
Amei sua poesia!
Citar
0 #9 DesmatamentoMatos Carvalho Neto 12-05-2015 06:50
Sr. Governador,
Sei que o comunismo apoia a invasão de terras. Mas, por Deus, o Maranhão foi o estado que desmatou com maior rapidez áreas de floresta de 1980 para cá. Segundo dados do mapa de recursos naturais, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), só restam 31% das áreas de floresta densa e 0,09% da floresta aberta (babaçu) do estado.
É preocupante também a velocidade de devastação do cerrado, cuja área já foi reduzida em 25%, passando de 74.288,57km{+2} de vegetação natural para os atuais 57.130,04 km{+2}. Num estudo que considera apenas a Amazônia Legal, o Maranhão é o estado que possui maior área devastada, seguido por Tocantins e Mato Grosso.
“A soja ocupou as áreas de cerrado, no topo das chapadas. O mais preocupante é que nestas chapadas estão as nascentes dos três principais rios do estado, que são o Parnaíba, Mearim e Itapecuru.
SOCORRO DINO...
Citar
+1 #8 De maneira algumaJosé de Oliveira Ram 11-05-2015 22:48
Antônio Saaveda: é, eu tinha realmente deixado por menos e não pretendia levar adiante o seu comentário - que muito me agrada, sinceramente falando. Mas, o Senhor cometeu um equívoco enorme. Companheiro: eu não nasci no Maranhão; meu pai era um professor de matemática no Estado do Ceará, onde nasceu. Faleceu em 1973. Nunca veio ao Maranhão, não conheceu Sarney. Minha mãe era uma negra, também nascida no Ceará (Pacajus, mais precisamente) e nunca se aproximou do Sarney ou qualquer membro da família dele. E aí o senhor escreveu: "Todo mundo sabe das relações que sua família tem com a sarneyzada" - eu vou alimentar essa discussão por que? Fui!
Citar
0 #7 O que???Luiz Alfredo Buzar 11-05-2015 22:07
"No Brasil, provavelmente para agir exclusivamente de forma burocrática, governos criaram o Ministério do Meio Ambiente (que troca de nome e de objetivos, tanto quanto mulheres mudam de calcinhas) que, sem analisar acertos ou erros trocam de bifurcação de quatro em quatro anos."
Tem certeza, seu Oliveira?
Onde, quando? Existe? Quem é o Ministro? É no Brasil??????????????
Citar
0 #6 AmeaçasVitorinha 11-05-2015 22:05
Os crimes ambientais não se reduzem a ameaças contra a preservação de florestas, rios ou animais. Estão freqüentemente acompanhados de atos de violência contra moradores, sindicalistas, trabalhadores rurais, indígenas, ou ativistas. Para aqueles que tentam resistir à ofensiva dos tratores e serras-elétricas, as ações do Estado parecem chegar tarde mais.
Vitorinha
Belém-Pa
Citar
0 #5 DerrubadasCarlos Massa 11-05-2015 22:03
Vc é do Maranhão. Então como jornalista escreva para esse novo governador comunista e explique pra ele que entre 2004 e 2005, foram desmatados cerca de 20 mil quilômetros quadrados na região amazônica, incluíndo a pré-amazonia da região de Imperatriz e vizinhanças.
O campeão de desmatamento foi o Estado do Mato Grosso, com quase 7 mil quilômetros quadrados de floresta derrubada, seguido pelo Pará, com cerca de 6 mil quilômetros quadrados. São números menores do que os índices apresentados em 2004, quando nada menos que 27 mil quilômetros quadrados de floresta haviam sido destruídos. Mas os pequenos agricultores, indígenas, seringueiros, pescadores e ribeirinhos não têm motivos para respirar aliviados.
Alguém tem que fazer alguma coisa. Faça a sua parte.
Carlos Massa
Técnico Agrícola
Marabá-PA
Citar
0 #4 De maneira algumaAntonio Saaveda 11-05-2015 21:58
O senhor se enganou caro jornalista. Todo mundo sabe das relações que sua família tem com a sarneyzada. Isso é vero. Masnão estou aqui lhe acusando de nada. Só sei que o senhor deveria escrever, doravante, sobre negligências e apontar negligentes também. Nunca foi de minha estirpe ofender quem quer que seja. Especialmente um jornalista - ao contrário daqueles que serviram a sarneyzada - o senhor tem se mostrado ético e íntegro porisso não me leve a mal nem entenda meu primeiro comentário como abusivo.
Desculpas,
Saavedra ou (Vandinho).
Citar
+1 #3 AnteriorJosé de Oliveira Ram 11-05-2015 17:34
Gracinha Marques: obrigado pelo comentário generoso e pela compreensão da postagem, que não está aqui para acusar ninguém em particular (no fundo, o Ministério do Meio Ambiente está sendo acusado pela inoperância e principalmente pela hipocrisia das falas e manifestações dos gestores) nem resolver problemas seculares, como você mesma reconhece. A ideia é propor reflexões!
Citar
+1 #2 AnteriorJosé de Oliveira Ram 11-05-2015 17:19
Marco Antônio Saaveda: Obrigado pelo seu comentário, amigo. Infelizmente, o comentário tem uma carapaça de "acusação", como se eu, o autor da postagem estivesse com o intuito de "proteger" alguém, principalmente Sarney Filho. Claro, se o amigo tivesse alguma informação da minha relação com a sarneizada, não teria escrito o que escreveu com o "tom" que escreveu. Mas, democraticamente, como é a sua opinião, é mais lucrativo "não encompridar" o assunto. Vida que segue!
Citar
0 #1 COMENTÁRIOS ANTERIORESEDITOR 11-05-2015 16:32
Republico os dois comentários feitos na publicação anterior (sem fotos), retirada ontem à noite.
Hoje a publicação está completa com fotos originais. (Editor)

1 - MARCO ANTONIO SAAVEDA
"Por que você não fala que Sarney Filho foi ministro do Meio Ambiente e não resolveu nada sobre o desmatamento ilegal no sul do Maranhão?"

.................................................................
2 - GRACINHA MARQUES
"Os desmatamentos vêm desde a idade em que Brasil foi descoberto. Foi a primeira fonte de troca e o primeiro ítem da corrupção brasileira. Os representantes da coroa portuguêsa roubavam e praticavam corrupção com o pau brasil. Isso é uma vergonha que já vem a muitos anos e a natureza é forçada a reconstituir as árvores cortadas. Até quando?
Citar