"Mônica por Raquel"

Escrito por Mhario Lincoln. em: 14/05/2015 | Atualizado em: 14/05/2015

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Exclusivo: A blogueira Raquel Ramos entrevista a poeta Monica Bayeh

Fiquei muito feliz com a entrevista de Raquel Ramos (na foto, à direita da entrevistada), com Mônica Bayeh. Duas mulheres maravilhosas, cada uma em sua função, mas coincidentemente, presas a uma coisa só: inteligência. Leiam e comentem. Vale à pena ler a íntegra da entrevista publicada aqui. Obrigado.
Mhario Lincoln, editor.
 
"Nem tenho tempo para ser compulsiva com 2 filhos, 2 escolas,
um consultório, 2 textos do blog por semana, kkkk..." (Mônica Bayeh).
     
 
 
RAQUEL RAMOS: Professora, psicóloga, escritora e poeta? Qual dessas você poderia dizer "eu nasci assim"?
 
Mônica Bayeh: Quando criança, meu sonho era ser professora. Depois passou. Kkkkk Comecei a escrever aos 10 anos. Um poema para trabalho da escola. Peguei o gosto. Por isso mando meus alunos escreverem também, eles reclamam. Dizem que não sabem. A gente nunca sabe o que sabe. Até que um dia descobre que pode. A psicologia veio nos tempos de vestibular. Não me imagino escolhendo outra coisa. Era isso ou nada disso. Não tin há essa maluquice de hoje de mudar de escolha pelos pontos do ENEM. Para mim só servia a psicologia. Ponto. Então dizer eu nasci... complemento essa frase assim: eu nasci muito destrambelhada. Sempre. Gauche mesmo, como diria Drummond. Sempre fui desastrada, esquecida, fora de padrão. Sua assunto de psicologia  kkkkkkkk e escrevo para desabafar, faxinar a alma. Não sei se respondi. Mas é isso.
 
 
RR: Os textos sobre relacionamentos são baseados em fatos reais? 
 
Mônica Bayeh: Todos os textos se baseiam em fatos reais. Todos eles. Mas os textos de quinta feira, que eu chamo de carta de quinta são especiais porque são emails que eu recebo de pessoas que não conheço. São as histórias mais diversas e eu amo muito. Eu jamais teria tanta criatividade se TR sorte, até hoje nunca faltou histórias novas. Tenho todo o cuidado de não colocar nome, profissão ou algo que possa identificar a pessoa. Escolhi não chamar de nome nenhum. Vai que eu escolha Maria, João e alguém com esse nome tenha o mesmo problema? Ainda posso ser processada por fofoca! Chamo de moça e moço. Pronto. 
 
 
RR: Suas poesias traduzem o seu pensamento ou seu sentimento?
 
Mônica Bayeh: A gente escreve o que sente, sempre. Nem sempre o que acontece com a gente. Mas, certamente, a nossa opinião e postura frente àquilo. Posso me animar com a história, frase ou imagem de alguém. Me inspirar e escrever. A história não é minha. Mas o sentimento e o pensamento que está no papel falam é de mim.
 
 
RR: Se fosse possível optar, baseado no princípio "custo benefício" por uma só Monica, ela seria a professora, a psicóloga ou a poeta?
 
Mônica Bayeh: Amo trabalhar no consultório. Amo escrever. As cartas de quinta do blog Um dedo de prosa do jornal Extra, então, nossa! Amoooo.  A professora sobra nessas escolhas. Faço o melhor que posso, mas se tivesse que largar alguma coisa, seria o magistério. Apesar de gostar também. Nunca o consultório ou o laptop. 
 
 
Você se considera uma escritora compulsiva?
Pergunta de Silvia Helenice Nitschke. 
 
Mônica Bayeh: Kkkkkk não. Nem tenho tempo para ser compulsiva com 2 filhos, 2 escolas, um consultório, 2 textos do blog por semana. Kkkkkkkkkkk Algumas pessoas já esperam os poemas. Porcuram lá todo dia. Quando não tem, me cobram. Acho legal! Então me sinto em dívida. Como se tivesse faltando alguma coisa quando não escrevo o poema do dia. Tenho que escrever, me cobro isso.
Nos dias que o trabalho é tanto que me seca a alma, nesses eu me libero. Mas compulsiva, não kkkkkk É que , às vezes os textos/poemas me perturbam querendo sair. Aí é chato, tenho que parar tudo e escrever rapidinho. Senão eles somem. E eu perco uma idéia legal. Uns dias eles me atordoam mais, noutros nada vem.
 
 
RR: Um marido e dois filhos de opinião, como pude perceber in loco, como eles interagem com a escritora? Opinam, criticam, corrigem? 
 
Mônica Bayeh: Os filhos meio que ignoram. Quase nunca lêem. Leem quando eu reclamo. Kkkkk Quando lêem, gostam. O marido lê tudo. Lê antes e depois de sair. Lê, dá palpite, critica. Eu fico irritada, dou uns passa-foras , mas corrijo o que ele manda kkkk
 
 
RR: Mais especificamente, como psicóloga, o conhecimento técnico desta matéria contribui na educação e relação com seus filhos?
 
Mônica Bayeh: Sim, sempre. Desde pequenos ouvem minhas histórias. Já conto para eles ficarem mais descolados. Saberem dos perigos, das ciladas. Não sou muito de seguir receita de bolo para nada, só para bolo. Sempre achei que falar a verdade , olho no olho é o que resolve. Me contem tudo, mas não mintam para mim. Eles aprenderam. Contam tudo, pelo menos eu acho. Mas mentira, não. Não suporto. 
A psicologia serve muito como experiência de vida. Também para alertar para a importância da troca de afeto, de estar perto para criar vínculos, acredito nisso. Filhos precisam do nosso olhar.
 
 
RR: A experiência como professora de escola pública no Rio de Janeiro, convivendo com alunos envolvidos em crimes diversos, direta ou indiretamente, te faz mais ou menos descrente de possíveis soluções dos problemas sociais do Brasil? 
 
Mônica Bayeh: Descrente do Brasil, sim. Dos podres políticos também. Acho que a gente fica muito numa de se virar sozinho. O que não seria ruim se eles não nos levassem tanto dinheiro. Não sou descrente das pessoas, dos alunos, não. Nem dos professores que dão um duro danado para fazer o melhor. Sou descrente da cachorrada que se elege para governar. Pelo amor de Deus! Quando a gente tem que escolher entre um ladrão ou outro, que saída a gente tem? Quando a gente escolhe entre o que rouba menos. Ou o que rouba, mas faz? Tenho nojo.  Que país é esse? 
 
 
RR: Você tem vários empregos, uma família, uma casa. Como você lida com a mulher Mônica? Sentimentos, desejos, vaidade, sonhos?

Mônica Bayeh: Lido dentro do possível. Acho que o bom possível me basta. Não sou vaidosa. Se pudesse andava só descalça ou de havaiana e cabelo preso. Nas férias é assim que você vai me encontrar. De preferência na beira de um a água. Adoro uma água, me limpa a alma.
Desejos tenho muitos. Desejo ver os filhos crescerem. Desejo ter sempre um dinheiro para viajar com eles, enquanto eles ainda quiserem viajar comigo. Desejo ter ainda mais dinheiro para pagar a viagem deles e a minha quando eles não quiserem mais viajar comigo.
Meus sonhos são rasteiros. Outro dia um garçom me perguntou :
- O que mais a senhora deseja?
- Moço, uma cobertura na Barra e um carro zero e grande dá para rolar?
Ele me olhou sem saber se ria , ia embora ou me xingava.
Minha vontade era morar na beira de uma água. Meu sonho quase se realiza em janeiro, porque minha rua enche nos temporais. Mas essa não era bem a água que eu queria. Gosto de banho de rio. Mar, lagoa, qualquer negócio. Gosto de olhar o verde. Gosto de viajar. Meus sonhos são rasteiros. Viajar , viajar, viajar. Escrever na beira do lago. O resto, com saúde, se ajeita e a vida segue.
 
 
"Escrevo para desabafar, faxinar a alma." Mônica Bayeh
 
 

Comentários  

0 #3 Obrigada pelo carinhoMônica Raouf El Baye 16-05-2015 06:57
:-) :-) :-) :-) :-) :-) :-) :-)
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+1 #2 INTELIGENCIAMarta S. Cantanhende 14-05-2015 15:06
Não há sombras de dúvidas quanto à espontaneidade de Mõnica, colhida maravilhosamente bem por Raquel Ramos.
Uma pérola de entrevista.
Dra. Marta Cantanhede
Psicóloga
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+1 #1 ParabénsEliomar Carvalhal 14-05-2015 15:04
Mônica e Raquel,
donde vêm vocês,
que não do Céu?

Parabéns...
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