Reforma – mas que reforma?

Escrito por Mhario Lincoln. em: 14/06/2015 | Atualizado em: 22/06/2015

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Especial: José de Oliveira Ramos

 

 

 

 

 

 

 

Colégio Pedro II do Rio de Janeiro – ícone de qualquer gestão

 

 

Voltamos ao tema Educação. Ele só nos ensina, de uma forma ou de outra. Aprendendo a fazer ou nos ensinando como não fazer. E, pelo que estamos vendo, tem pouca gente fazendo, educando. Muitos preferem tirar proveito.

 

Meu falecido pai, todos os anos, lutava como se fosse um Caryl Chessman no Corredor da Morte e estivesse cumprindo suas últimas tarefas na vida. Lutava para comprar  “fardas”, livros e sapatos. Aos poucos ia descobrindo coisas – outras, descobria, mas não podia evita-las.

Papai levou anos para encontrar a marca de sapatos Vulcabras 752. Aquela que dura uma eternidade e a cada dia que se calça os sapatos, eles ficam mais gostosos, mais macios. Insubstituíveis. A calça da farda precisava ser comprada todos os anos, pois, muitas vezes, era a única que se tinha e se vestia para quase tudo. Livros e cadernos, todo ano mudavam.

Mas... as aulas começavam todo ano naquele dia marcado. Estudamos por 7 anos seguidos no Liceu do Ceará – que tinha grade curricular de excelência, equiparada à do Colégio Pedro II, do Rio de Janeiro. Nesses 7 anos (4 do Ginasial e 3 do Científico) nunca as aulas começaram em dias diferentes por conta de “reformas” do prédio.

E é esse o tema central de hoje. Reforma das escolas. Reforma física, pois a curricular muda a cada entrada de Secretário ou de Ministro.

Por que se “reforma” tanto as escolas brasileiras nos dias atuais?

Qual é a “sacanagem” que existe envolvendo essas reformas?

Quem ganha dinheiro com isso?

 

Colégio Militar de Fortaleza – gestão reta e séria

 

Então, aproveitem e respondam: por que um Colégio Militar não sofre as mesmas reformas?

Também não imaginem que sou militar da ativa, aposentado ou coisa que o valha. Não torcemos por militares – onde estivemos por longos 18 meses, servindo ao glorioso Exército Brasileiro – pois éramos estudante no período da Ditadura Militar. Mas, cabe a pergunta: por que existe essa distância enorme na gestão de uma escola militar para uma escola civil?

E, pasmem, os militares gestores de escolas militares, sequer tem formação exclusiva direcionada para isso.

 

 

Escola brasileira – pintura é mesmo “reforma”?

 

No quadro pedagógico, o que é que tanto se muda e se reforma no ensino brasileiro?

Será que “tudo” está sempre errado, precisando mudar todo ano?

E, se muda tanto, por que diabos, a cada ano os alunos aprendem cada vez menos?

Relembro minha falecida Avó que, se viva fosse, diria que a escola pública virou restaurante. E por que só o aluno da escola pública “precisa se alimentar” de forma diferente? Por que não tem “merenda escolar” na escola particular?

Por que são tão assimétricas as grades curriculares de uma escola particular com a de uma escola pública, se os professores são quase sempre os mesmos?

E, acreditem, não se trata de regionalismo. Nem pode haver regionalismo. Nos dias atuais o tal ENEM é algo nacional e, se houvesse regionalismo, muitos estariam prejudicados. O que se pretende ensinar em Curitiba, é o mesmo que se pretende ensinar em Teresina ou em Rio Branco. A única semelhança é que em nenhum desses lugares, ninguém ensina nem ninguém aprende nada. E isso não depende de “merenda escolar” – às vezes, infelizmente, depende das “reformas físicas”.

 

 

A “reforma” – de qualquer tipo – passou muito longe

 

No final do mês passado fizemos um rápido passeio pelo Rio de Janeiro. Havia 28 anos, depois de morarmos mais de 25, não íamos à Cidade Maravilhosa. Apesar da violência urbana, com o coração saltitando, andamos pelo Centro. Saímos da Central do Brasil e fomos até a Rua Acre, a pé. Mais uma vez passamos defronte ao Pedro II e lá está ele, majestoso, bonito e conservado como se estivesse sendo inaugurado naquele momento.

Por que, com tantos recursos financeiros, não se constrói mais escolas como o Pedro II, como o Liceu do Ceará e como tantos outros que, FELIZMENTE, ainda existem por aí?

 

Comentários  

0 #18 Ei, quero saber sua opiniãoJosé de Oliveira Ram 15-06-2015 20:28
Dra. Marcia Pinto: também sou negro. Não vejo qualquer problema nisso e, se tivesse me preocupado desde os 17 anos - estou com 72! - não teria chegado até aqui. Claro, temos que entender que, para nós, negros, o difícil fica mais difícil ainda. Tem gente que entende (eu não entendo assim - veja como uma forte marca de discriminação) que o sistema de cotas é uma garantia. Se o Governo pretendesse "garantir" alguma coisa, não teria aprovado esse método idiota. Não é uma lei. É um método. É como se alguém determinasse que você só pode beber água duas vezes por dia e que só pode urinar três vezes. Mas, Dra. Marcia, não nos iludamos: um País que reúne 100 mil numa parada gay e só reúne 5 mil numa manifestação contra a corrupção, tem moral para reclamar de que? Infelizmente, temos que conviver com isso ad eternum. E. sinceramente, nem que o Presidente da República fosse negro como nós, isso mudaria. Agradeço, sinceramente, sua participação. Volte logo!
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0 #17 Ei, Quero saber sua opiniãoDra. Marcia Pinto 15-06-2015 12:01
A loucura das Cotas — Dra. Marcia Pinto 14-06-2015 00:53
Ei Oliveira, sou negra, meus filhos negros e meu marido negro. Mas não estudamos por cotas. Temos dignidade. Mesmo porque, a Lei de Cotas, tal como sancionada por Dilma, não é ruim apenas porque põe em risco a produção de conhecimento no país e atropela a meritocracia. Ela é ruim também porque mascara e força a perpetuação de um dos problemas mais graves da educação no Brasil: a péssima qualidade das escolas públicas do ensino médio e fundamental.
Eu li e concordo com ele. Repasso:
“Se tivéssemos um ensino básico decente, esses alunos conseguiriam competir de igual para igual com os alunos das particulares. Mas é claro que é mais fácil criar cotas do que investir na base”, afirma o economista Claudio de Moura Castro, especialista em educação.
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0 #16 Brasil não dá importânciaJosé de Oliveira Ram 15-06-2015 00:51
Cristovam Buarque - Vê-se que o "problema" da educação não é dinheiro. É conhecimento e sensibilidade. Dinheiro é jogado fora. Tem até sobrando. Vide o que foi jogado pelo ralo no aumento do Fundo Partidário.
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0 #15 É de chorarJosé de Oliveira Ram 14-06-2015 21:13
Clara Steingh: pois é minha cara senhora. Não há como medir a situação de uma empregada doméstica brasileira com a da Europa, por exemplo. Mas, de uma forma ou de outra, as brasileiras ganham "direitos" a cada dia. Deveriam começar a ser cobradas para melhorar o próprio nível de entendimento das coisas.
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0 #14 Acorda BrasilJosé de Oliveira Ram 14-06-2015 20:49
O fiasco da Educação - Não, todos entendem a "pressão no legislativo" como válida e necessária. Afinal, é ali que se resolve muita coisa hoje. Caso contrário o Governo recorre às Medias Provisórias.
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0 #13 Prof. SuedJosé de Oliveira Ram 14-06-2015 18:11
Cadê o Plano?: bom, o Plano muda a cada ano e a cada mudança de Ministro. Se o "projeto" contiver 30 itens, se entrar um novo Ministro, todos os 30 itens irão para a lata do lixo. Não há preocupação de verificar se pelo menos um ou dois dos 30 itens podem ser aproveitados.
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0 #12 Sued é prof.José de Oliveira Ram 14-06-2015 17:33
Eta educação: concordo plena e totalmente. A educação brasileira é um desastre e não fica distante da escolarização oferecida pelas escolas públicas ou particulares. Os pais que querem educar os filhos com bons modos, são os mesmos que compram fitas, discos e outros itens piratas. Separam a educação que pretendem dar, da cidadania.
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0 #11 SuedJosé de Oliveira Ram 14-06-2015 16:50
Eta Educação: certíssimo! E, se esse dinheiro que sobra (e volta?) não é aplicado corretamente ou por pura maldade, nós mesmos somos os culpados e responsáveis. Não compreendo, nem aceito, nos movimentos paredistas, os professores usarem o escudo da "luta per melhores condições de trabalho". E os pais, quando iniciarão a luta por "professores mais qualificados"?
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0 #10 São LuísJosé de Oliveira Ram 14-06-2015 12:48
Prof. Sued Carvalho - Gostei. Gostei muito e compreendi tudo. Infelizmente, Professor, nosso mundo e em particular nosso País, precisa, antes de qualquer coisa, se alfabetizar melhor. Esse é o ponto de partida. Plantar uma roça, não se encerra no cavucar da terra.
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0 #9 A loucura das CotasDra. Marcia Pinto 14-06-2015 00:53
Ei Oliveira, sou negra, meus filhos negros e meu marido negro. Mas não estudamos por cotas. Temos dignidade. Mesmo porque, a Lei de Cotas, tal como sancionada por Dilma, não é ruim apenas porque põe em risco a produção de conhecimento no país e atropela a meritocracia. Ela é ruim também porque mascara e força a perpetuação de um dos problemas mais graves da educação no Brasil: a péssima qualidade das escolas públicas do ensino médio e fundamental.
Eu li e concordo com ele. Repasso:
“Se tivéssemos um ensino básico decente, esses alunos conseguiriam competir de igual para igual com os alunos das particulares. Mas é claro que é mais fácil criar cotas do que investir na base”, afirma o economista Claudio de Moura Castro, especialista em educação.
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