O PT está com “data vencida“?

Escrito por Mhario Lincoln. em: 27/06/2015 | Atualizado em: 01/07/2015

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Por José de Oliveira Ramos
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Convidado Especial

 

 

 

 

 

Reunião que selou a iniciativa de fundar um partido político pelo trabalhador

 

O Brasil entrou em “parafuso” na noite do dia 31 de março de 1964. Depois de enfrentar dias turbulentos de 25 de agosto de 1961, com a renúncia do presidente eleito Jânio da Silva Quadros, a assunção intempestiva, mas providencial de Ranieri Mazilli, então presidente da Câmara Federal e a posterior assunção de João Belchior Goulart entre 7 de abril de 1961 e 1 de abril de 1974 – com o golpe militar perpetrado no dia 31 do mês anterior, mas com o General Humberto de Alencar Castello Branco assumindo posteriormente.

 

Antes, o que se noticiou foi que, “no dia 24 de agosto de 1961, Carlos Lacerda foi à televisão denunciar um possível golpe que estaria sendo articulado pelo Presidente Jânio Quadros. No outro dia, o Brasil se surpreendeu com o pedido de renúncia de Jânio. Ele afirmava em carta ao Congresso que “forças terríveis” o haviam levado a tomar aquele gesto.

 Porém, acredita-se que Jânio imaginou um “espetáculo de renúncia”, o qual mobilizaria a população em seu favor e ele voltaria ao poder muito mais fortalecido. Mas isto não aconteceu. O Congresso de pronto aceitou sua saída do cargo. Assumiu interinamente a direção do país o Presidente da Câmara, Ranieri Mazilli, até a volta do vice João Goulart, que fazia uma visita oficial à China.”

E o que aconteceu com os domínios do Brasil até 1987, muitos já sabem, e, fica cansativo repetir.

O que se viveu foi que, em meio à ânsia de liberdade, iniciou-se de forma velada uma série de movimentos para a volta das eleições para Presidente da República. Alguns partidos políticos sobreviventes, porque aliados de qualquer hora do poder dominante, ao que parece não mereciam respeito nem atendiam às ideias do povo brasileiro. Nem mesmo o PDT, comandado pelo caudilho Leonel de Mora Brizola e Darcy Ribeiro era suficientemente forte para ganhar uma eleição majoritária.

Eis que, no dia 10 de fevereiro de 1980, na cidade de São Paulo e na sombra das organizações sindicais, foi criado o PT – Partido do Trabalhador. A partir daí, o “povão”, na ânsia de uma libertação, acorreu com cuias, baldes e gamelas para somar nas fileiras “trabalhistas”.

 

 

Um nicho considerável de intelectuais formou fila e ganhou registro como fundador. Nos dias atuais, o PT – Partido dos Trabalhadores, está à beira da falência e muito próximo da extinção, enquanto caminho para o que se propunha inicialmente.

 

Tem como presidente atual, Rui Falcão – mas quem manda é Lula. Tem hoje, registrados, 1.588.058 filiados. Tem 5 governadores nos 27 estados da Federação; 640 prefeitos nos 5.568 municípios brasileiros; 15 dos 81 senadores; e 69 dos 513 deputados federais, além de 149 deputados estaduais e nada menos que 5.181 vereadores dos 56.810 existentes no país.

 

“Fundação - Composto por dirigentes sindicais, intelectuais de esquerda e católicos ligados à Teologia da Libertação, no dia 10 de fevereiro de 1980 no Colégio Sion em São Paulo. O partido é fruto da aproximação dos movimentos sindicais, a exemplo da Conferência das Classes Trabalhadoras (CONCLAT) que veio a ser o embrião da Central Única dos Trabalhadores (CUT), grupo ao qual pertenceu o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, com antigos setores da esquerda brasileira.

 

O PT foi fundado com um viés socialista. Com o golpe de 1964, a espinha dorsal do sindicalismo brasileiro, que era o CGT (Comando Geral dos Trabalhadores), reunia lideranças sindicais tuteladas pelo Ministério do Trabalho- um ministério geralmente ocupado por lideranças do Partido Trabalhista Brasileiro varguista - foi dissolvida, enquanto os sindicatos oficiais sofriam intervenção governamental. A ressurgência de um movimento trabalhista organizado, expressa nas greves do ABC paulista da década de 1970, colocava a possibilidade de uma reorganização do movimento trabalhista de forma livre da tutela do Estado, projeto este expresso na criação da CONCLAT, que viria a ser o embrião da CUT, fundada três anos após o surgimento do PT. Originalmente, este novo movimento trabalhista buscava fazer política exclusivamente na esfera sindical. No entanto, a sobrevivência de um sindicalismo tutelado - expressa na reconstrução, na mesma época do antigo CGT, agora com o nome de Confederação Geral dos Trabalhadores, congregando lideranças sindicais mais conservadoras, como as de Joaquinzão e de Luís Antônio de Medeiros - mais a influência ainda exercida sobre o movimento sindical por lideranças de partidos de Esquerda tradicionais, como o Partido Comunista Brasileiro, forçaram o movimento sindical do ABC, estimulado por lideranças antistalinistas da Esquerda, como a de diversos grupamentos trotskistas, a adquirir identidade própria pela constituição em partido político - uma estratégia similar à realizada pelo movimento sindical Solidarność na Polônia comunista de então.

 

O PT surgiu, assim, rejeitando tanto as tradicionais lideranças do sindicalismo oficial, como também procurando colocar em prática uma nova forma de socialismo democrático, tentando recusar modelos já então em decadência, como o soviético ou o chinês. Significou a confluência do sindicalismo basista da época com a intelectualidade de Esquerda antistalinista.

 

Foi oficialmente reconhecido como partido político pelo Tribunal Superior de Justiça Eleitoral no dia 11 de fevereiro de 1982. A ficha de filiação número um foi assinada por Apolonio de Carvalho, seguido pelo crítico de arte Mário Pedrosa, pelo crítico literário Antonio Candido e pelo historiador e jornalista Sérgio Buarque de Hollanda.” (Transcrito do Wikipédia)

 

Nenhum brasileiro da faixa etária superior a 50 anos desconhece a importância do PT, ainda que não seja filiado ou aprove integralmente os métodos assumidos depois de chegar ao Poder. Há conquistas. Conquistas verdadeiras e valiosas.

 

E por que se defende, hoje, o fim do PT?

 

Pela quantidade absurdamente grande de ilicitudes praticadas pelos gestores alinhados com o partido. Corrupção não é nenhum privilégio do PT, sabe-se, aceita-se. Mas não dá mais apra esconder que o PT está com a data vencida.

Comentários  

0 #16 ObrigadoJosé de Oliveira Ram 01-07-2015 14:49
Azeredo: Sou Comunista, sim. Sou filiado ao PCdoB do Estado onde moro, mas, ainda que o PCdoB seja "aliado" ao PT, eu não sou petista. É estranho que você "conheça o meu fundo" mais que eu! E deixei de comparecer às reuniões do meu partido, exatamente por conta dessa aliança. Podem até me expulsar do PCdoB, mas vou continuar comunista por convicção e sem admirar o PT. Fui!
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0 #15 MaravilhaJosé de Oliveira Ram 01-07-2015 14:41
Mara Freitas: Na Bahia todos são tão generosos quanto você Mara? Que Deus continue te abençoando e dando essa luz que irradias.
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0 #14 ObrigadoAzeredo 01-07-2015 10:58
Só agradecer essa sua resposta educada. Obrigado, Oliveira.
Vamos levando a vida. Mas no fundo sei que você é comunista e é PT.
Azeredo.
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0 #13 MaravilhaMara Freitas 01-07-2015 10:53
Caro jornalista, tu me ganhaste com a frase "E, como o voto era meu, resolvi não "empresta-lo" mais para Lula".
Sim. O voto é de propriedade do eleitor. Ele apenas empresta.
Prof. Maria Freitas
Sul da Bahia.
Brasil.
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0 #12 Oi Oliveira tudo bem?José de Oliveira Ram 30-06-2015 10:24
Maria José Lago: amiga, sua generosidade é do tamanho do seu coração. Me aguarde! Essa gentileza vai ser recompensada, prometo!
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0 #11 PT é ComunistaJosé de Oliveira Ram 29-06-2015 21:54
Gracinha Freitas: amiga imagine o quanto fico agradecido com a sua participação e, mais ainda, com o vídeo. Amiga, eu tenho 72 anos e sou Comunista há 54. Há algum mal nisso? Eu sou Comunista, filiado ao PCdoB, mas não alinho à política do PT e Lula/Dilma. Entendo, amiga, que o PT em si, tem três problemas: o Lula, a Dilma e todos aqueles que se aproximam porque o partido é Governo e querem tirar proveito. E acabam tirando.
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0 #10 O que assustaJosé de Oliveira Ram 29-06-2015 18:18
Mineirinho do PT: amigo obrigado. Respeito seu ponto de vista. Mas, seis que o programa Bolsa Família foi totalmente desmoralizado pelos próprios petistas. Na maioria dos interiores brasileiros, pessoas que passam distante de precisarem do programa, recebem na maior desfaçatez. É culpa do PT? Eu não seria tão idiota a ponto de concordar com isso. A culpa, claro, é de quem não tem caráter e está alinhado ao partido - como escrevi no texto - e tira proveito disso. Também não posso deixar de reconhecer que, mesmo servindo a algumas pessoas carentes, o programa tem um viés eleitoreiro muito grande - não apenas por ser do PT.
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0 #9 Cê acredita Oliveira?José de Oliveira Ram 29-06-2015 17:01
Márcio Prates SP: amigo, agradecido pelo nível colocado. Eu faço parte do grupo que acreditou nos discursos populistas do Lula - e acabei votando nele, sim senhor. Votei na primeira eleição e já não votei na segunda por que entrei nesses 75% que sobraram. Do segundo ano do primeiro mandato para a frente, o Lula passou a fazer exatamente aquilo que ele criticara tanto. E, como o voto era meu, resolvi não "empresta-lo" mais para Lula. Conheço petistas corretos e dignos. Conheci petistas corretos e honestos que, quando se escudaram de mandatos, mudaram de caminho na bifurcação.
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0 #8 AzeredoJosé de Oliveira Ram 29-06-2015 16:31
Sem fundamento: amigo, eu pelo menos, não estou acusando o Lula de nada. Agora, por não ser mais uma criança, se eu tivesse motivos e provas para acusa-lo, faria sem medo nenhum nem nenhuma cerimônia. Fui criado por um homem na acepção da palavra e aprendi a respeitar os outros iguais, Posso até não aceitar sua opinião e de outros, mas respeito. Repito: não acuso Lula nem Dilma, por que não tenho motivos nem provas para fazer isso. Mas, repito, se tivesse motivos e provas, não titubearia. Agradeço seu comentário e tenho o maior respeito por ele. Eu sei o que é "democracia"!
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0 #7 Notícias falsasJosé de Oliveira Ram 29-06-2015 16:13
Sou PT: amigo, obrigado principalmente pela sua educação e senso democrático. Não sou do PT, mas, na primeira eleição do Lula, votei nele. Votei por convicção e por achar que ele era uma válvula de escape para quem enfrentara a ditadura, Me decepcionei! E, como você demonstrou generosidade e inteligência, não vou precisar dizer o por que dessa decepção.
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