A infância e a gangorra da vida

Escrito por Mhario Lincoln. em: 04/07/2015 | Atualizado em: 06/07/2015

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Por José de Oliveira Ramos
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(*)Para Maria José Lago

 

 

Gangorra - antigo brinquedo infantil que hoje não existe nos shoppings

 

O assunto do momento é a diminuição da maioridade penal, elemento que muitos veem como fator capaz de reduzir a violência urbana praticada em grande escala por jovens e adolescentes – na realidade, isso é apenas a culminância do abandono que os pais impuseram aos filhos, delegando poderes administrativos e paternais ao Estado. No dia em que os pais assumirem suas responsabilidades domésticas – a violência, hoje praticada nas ruas, tem garantia de diminuição.

Já discorremos aqui, em outras oportunidades, que o Estado invadiu os lares brasileiros e tomou para si o papel de “educar” filhos, ainda que não dê contas do seu real papel de “escolarizar”. As escolas municipais e estaduais são um amontoado de incompetência e imprestabilidade que se transformou numa lavanderia de dinheiro da Merenda Escolar.

 

 

 

Era assim o quarto das meninas de antigamente – hoje as paredes ficam repletas de ídolos que tem o hábito de se drogar

 

Eis que, assim como que num passe de mágica, os pais esqueceram o caminho das lojas que vendiam serras tico-tico que nos davam de presente nos aniversários, para que fabricássemos nossos próprios brinquedos, e “encontraram” o caminho que leva aos “xópis” da vida, onde compram brinquedos de plástico e, todos feitos. A criança não “gosta” daquele brinquedo, pois não sabe o quanto custou – e, assim, não sente apego por ele. Quebrou, compra outro.

As meninas pararam de brincar com bonecas e casinhas, e passaram a fazer meninos que, cinco anos depois, serão confundidos com seus próprios irmãos. E foi assim que o Brasil começou a mudar.

Piões, carrinhos, petecas e brincadeiras de “passar o anel”, “amarelinha”, “bambolê” viraram coisas do passado e meninos e meninas passaram a conviver com outras realidades e outros valores.

Acordar, levantar e desejar bom dia ou pedir a bênção?

Pra quê? Por quê?

 

E aí o nosso mundo, ainda encantado, descobria as várias formas de brincar e de aliviar as muitas horas de estudos. Bola de meia para jogar gol a gol; pião para “quilar” e aparar no ar e passar para a unha; pipa, que em alguns lugares é conhecida com papagaio ou arraia.

 

Corrupios de limão – isso não era vendido nos “xópis”

 

No sertão e nas férias, a ausência de alguns itens não inibia nem diminuía as brincadeiras – quase sempre noturnas – e jogávamos “castelo”, um amontoado de castanhas de caju. As meninas brincavam com “Melão São Caetano” e até “fabricavam” corrupios com chapinha de garrafa de refrigerante ou, na falta dessa, com limões. Brincávamos e éramos felizes – não conhecíamos drogas ilícitas. Só passamos a ter esse desencontro, a partir do instante que nossos pais “nos abandonaram” e passaram a não ter mais tempo para nós.

 

 

Boizinhos feitos de sementes de “carrapateira” (mamona)

 

Brincar faz parte do gene de qualquer criança – violência, não. A violência não é componente infantil. Uma criança, diziam nossos despretensiosos pais, é como um papagaio: repete o que vê fazer. Se os pais ensinam o bem, qualquer criança vai repetir isso “papagaiamente”!

 

 

 Finalmente, o nosso “zap-zap” – a inocência nos iluminava para o fabrico.

Comentários  

0 #40 EuJosé de Oliveira Ram 06-07-2015 14:18
Agradeço a todos que, educadamente, participaram e comentaram a postagem. Repito que não pretendo ser nenhum Salvador da Pátria nem servir de ícone para ninguém. Apenas tenho minhas convicções, tenho meu aprendizado e tive a sorte de ter pais ("desatualizados e ultrapassados") que souberam dirigir a família e criar 8 filhos - açoitando a todos, quando alguém merecia. Nenhum de nós ficou "excluído da sociedade", nem revoltado por conta disso.
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0 #39 Nada a ver,,,,José de Oliveira Ram 06-07-2015 12:43
Sou gordinha: ficou difícil responder. Na identificação você escreveu "gordinha" e no texto "gordinho". Quando eu souber para quem estou me dirigindo, respondo. Se você acha que os renomados cientistas estão certos, siga os conselhos deles. Continue sentado no sofá, brincando e jogando nos computadores ou celulares, comendo pipocas e cachorro quente e, fim de papo. A vida é sua. não é mesmo? Brincar ou estudar para que? Não me considero "Salvador da Pátria" de ninguém, pois, ao que parece, todos aqui tem pais.
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0 #38 Permissividade, nuncaJosé de Oliveira Ram 06-07-2015 12:30
Lucia: claro que concordamos com isso. O (a) filho(a) não pode ser perdido de vista, para ser corrigido, sempre que encontrar uma bifurcação e tentar escolher o caminho errado. Não se olha filho para tolher ações, mas para ajudar a corrigir, se houver erros. Infelizmente, alguns pais não "criam" os filhos e também não conseguem enxergar erros neles.
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0 #37 Estou pasmaJosé de Oliveira Ram 06-07-2015 11:55
Maria Cândida: é exatamente isso que acontece, quando uma criança tem diminuído o seu mundo - próprio da idade. A tecnologia moderna colocada dentro de casa, acredite, Maria Cândida, só atrapalha. Criança precisa de interatividade, de amigos, de conhecer e ter acesso a novos brinquedos e formas de brincar. Naturalmente, a criatividade dele vai ser aguçada. Também não acredite que o único brinquedo que criança gosta é jogar futebol ou correr atrás de pegar pipas nas ruas. No nosso tempo, também não existiam brinquedos. Nós os inventávamos e construíamos. Hoje, INFELIZMENTE, repito: INFELIZMENTE, os pais acham que tem que facilitar tudo. Dar tudo, ter tudo à disposição não é e nunca foi um bom sinal.
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0 #36 Exagero,. nuncaJosé de Oliveira Ram 06-07-2015 11:33
Lou disse: não estamos aqui para discordar de nenhuma opinião, nem nos consideramos puritanos a ponto de querer salvar o mundo e essa geração que está aí, perdida literalmente, por absoluta irresponsabilidade de pais permissivos. O "modernismo" de hoje, infelizmente, acaba sempre numa cracolândia ou num camburão da polícia. Claro, tenho certeza que existem as exceções. Nem todo pai é idiota nem todo filho é bandido. Repito: não estamos aqui para discordar de ninguém.
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0 #35 Prof. Juçara de CastroJosé de Oliveira Ram 06-07-2015 10:56
Muito preocupante: obrigado, amiga pela presença valiosa e pelos comentários esclarecedores. Seja feliz, e Deus lhe conduza, sempre.
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+1 #34 Prof. Juçara de CastroJosé de Oliveira Ram 05-07-2015 21:27
Muito preocupante - Complementando e agradecendo seus comentários esclarecedores, acrescento que, além do que foi listado, é através da permissividade dos meios cibernéticos que a criança toma conhecimento de algo para o qual ainda não está preparado: sexo, por exemplo. Fazer sexo é ruim? Não, não é. Mas, uma menina de 6/7 anos está "pronta" para o sexo?
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+1 #33 Prof. Juçara de CastroJosé de Oliveira Ram 05-07-2015 20:28
Preocupante: Professora, nenhum dos itens aqui listados deveriam ser esquecidos em momento algum por quem educa e trabalha com crianças.
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+1 #32 Prof. Juçara de CastroJosé de Oliveira Ram 05-07-2015 19:47
Cérebro - Já tinha notícia dessas coisas Professora. Além de que, fica parecendo que a criança é alguém que sobe uma escada, não de degrau em degrau, mas de quatro em quatro. Vai causar problema na musculatura das pernas. Nesse caso, a criança "antecipa" etapas da vida e do desenvolvimento que não podem ser antecipadas.
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+1 #31 Prof. Juçara de CastroJosé de Oliveira Ram 05-07-2015 19:30
Regressão: Será que quem comanda a Educação neste país sabe dessas coisas? Como pode saber, se vive preocupado com "melhores salários"? E, por que, quando deixa o cargo um Ministrou ou um Secretário, o que entra nunca "aproveita" nada do que o que saiu deixou? As Olimpíadas Estudantis, de antigamente, não significa jogar em várias modalidades esportivas. Significava "confrontos" e disputas que provocavam uma interatividade cultural imensa. E, para estar "afiado" o aluno não precisava de aparelhamento tecnológico. Só precisava se preparar e, sem "decoreba"!
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