A Espera

Escrito por Mhario Lincoln. em: 06/09/2015 | Atualizado em: 06/09/2015

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Especial:

José de Oliveira Ramos

 

 

 

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Foi aqui que descobrimos que somos um só ser - fizemos uma revascularização. 

Sei que ainda lembras. Era uma tarde de outono e nos encontramos no lugar que se preparava para receber a primavera. O vento forte e carinhoso soprava as folhas caídas para rejuvenescimento, tal como Neruda escreveria os primeiros versos de um poema: cheios do húmus do amor.

Tua mão trêmula parecia receber ligação direta do pulsar agitado do meu coração. Éramos pura emoção, e nos dividíamos em algo que, em verdade, parecia nos unir.
Nos olhávamos como se estivéssemos nos vendo pela primeira vez. Bebendo as nossas almas e sonhando nossos sonhos infinitos transportados pelas estrelas cadentes. O pouso seguinte nos separava de nós deixando marcas e tatuagens que jamais se apagarão.

Aquele balanço! Lembra dele?

Uma câmara do estepe guardada na mala do carro e alguns metros de fio nos levavam para a tenra idade. Balançávamos enquanto ríamos, reforçando em nós a felicidade.

Folhas amarelecidas tomaram nosso lugar de assento

Voltei ontem ao local, depois de ter conseguido falar contigo na via láctea. Acho que, por algum momento fiz confusão – estavas muito rápida e querendo se transformar em cadente, mas ainda assim, conseguimos conversar.
Como prometeste que viria, voltei ao nosso lugar de encontros. Esperei. Esperei e esperei muito. Mas, ainda que não tenhas ido, continuarei comparecendo,

 

Usarei o balanço da câmara, como de hábito, como se contigo estivesse ali, balançando. Depois, com certeza limparei as folhas que tomam nossos lugares no nosso banco e, sentarei. Continuarei esperando.

Comentários  

0 #2 RomanticoJosé de Oliveira Ram 06-09-2015 09:39
Zeca Lago - Obrigado pela generosidade do comentário. Volte sempre que desejar, amigo.
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0 #1 RomanticoZeca lago 05-09-2015 21:45
Muito romantismo. Gosto quando tu escreve assim. Mostra o muito que tu tens dentro de ti pra dar e fazer amar as pessoas.
Estou contigo, Oliveira.
Durmir feliz com sua cronica.
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