A Genética do Bom Senso

Escrito por Mhario Lincoln. em: 08/09/2015 | Atualizado em: 08/09/2015

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(*) Mhario Lincoln
jornalista sênior
Editor da REVISTA POÉTICA BRASILEIRA
www.revistapoeticabrasileira.com.br

 

Aedo, Vanice e Mhario

 

Não foram poucas as vezes que quis conhecer pessoalmente o poeta multifacetado Osmarosman Aedo. E o fato se tornou realidade na tarde deste 7 de setembro, no restaurante Babilônia, no Mueller, em Curitiba.
E lá fomos nós abraçar esse amigo baiano, cuja estrela brilhou nos céus da pátria curitibana e o transformou na mais nova sensação entre os poetas vivos da cidade.
Tanto que com pouco mais de dois meses, já terá sua obra "Epitáfio (O livro dos Vivos)", lançado dia 29 deste, em grande festa literária promovida pelo Instituto Memória (Curitiba), presidido pelo editor Anthony Leahy, pessoa das mais simpáticas que também conheci recentemente.
Como anfitriões de Aedo, Luid Ferreira e sua esposa, a brilhante Vanice Zimerman Ferreira, poeta curitibana que teve seus versos publicados em coletânea internacional recentemente - Antologia de Haicai - 23 - Samoborski haiku susreti - Darko Plazanin - SAMOBOR HAIKU MEETING - Samobor, abril . 2015 (página 41) - Samobor/ Croácia.
Vanice é, sem dúvida, dona de um talento respeitado; e como vemos, a faz transpor os vôos regionais da gralha azul.
Por outro lado, ansioso em chegar em casa, após o encontro, para ler, de imediato, a antologia poética "Vozes da Alma", que Aedo participou, sendo um dos destaques da Confraria dos Autores, que editou o livro.
Claro que não resisti interpretar essa simbiose hermenêutica entre o surto e a beleza das borboletas e "como não redesenhar o cosmo", diante de poema tão real e retilíneo chamado "Quando surtei...", às pags. 67 dessa bela antologia.
Sim, é dignificante embebedar-se com a frenética harmonia do poema, que foge do chão e procura o universo como última esperança, numa eterna busca por paz e flores, mesmo que"flores num deserto, se para visionar esse deserto é preciso ter flores nos jardins de silêncio, na vasta imensidão da lembrança(...)."
Leu? Sentiu? Interpretou? Vivenciou esses versos de Aedo? Cá pra nós. Esse cabra baiano tem alguma coisa que me lembra o poeta Augusto dos Anjos, angustiado em busca de sua interação preciosa com um amor galáctico, transponível ao ponto de ganhar universos e florí-los com a força de seu próprio amor, num duo poético que lembra muito dos Anjos:

"A Esperança não murcha, ela não cansa,
Também como ela não sucumbe a Crença.
Vão-se sonhos nas asas da Descrença,
Voltam sonhos nas asas da Esperança."

Tomei (saliente e ousado que sou) a liberdade de fazer uma análise rápida das poesias que encontrei nessa antologia "Vozes da Alma" e acabei esbarrando em Augusto dos Anjos ao ler, de Osmarosman, por exemplo, "Não posso/Não devo/Não quero ser mais UM", diz ele em "Decodificando a genética do Medo".
Mas há uma sutil diferença: Percebo que Aedo, na severa construção pessoal do seu ritmo poético, mostra muita genialidade (especialmente em "Decodificando a genética do Medo"), ao dar vida a ações ignóbeis para recolocá-las no lugar onde deveriam estar, mas injetando doses abissais de esperança ("...só porque um imbecil qualquer ativou o autoalarme de destruição do meu planeta (...), quando UM ainda pode arriscar-se na tal diferença...".
No mesmo poema Osmarosman diz: "Preciso solidiascender o DNA da perseverança...". Isso representa efetivamente uma luta contra o lado abjeto do Homem, fato que o fará, sem dúvida, "ver o por-do-sol amanhã", sem "perder o senso de minha rota". Esses versos são maduros, fortes e sonorizam perspicácia.
Por isso, esse soteropolitano tem, sim, muitas chances de ver florescer seu trabalho enigmático por estas bandas do sul do Brasil.
Seja na música (harmonia enclítica), seja na poesia (um cosmonauta romântico que conta estrelas), seja em multifacetados talentos, os quais lhe foram presenteados em sua formação genética, "como aos meus ancestrais(...) ainda que me exibas cobaia(...)".

Destarte, in consilium meum, tudo isso vem da sua força pessoal, da alma calejada e do talento burilado em pedra de marfim e ébano, como tridente, este, símbolo solar e mágico de poder, força e controle universal (do seu próprio universo poético), que Osmarosmaran Aedo utiliza em suas lutas gladiadoras, quando recebe seus insights nas arenas da percepção diária.
E isso é tão verdadeiro quanto excitante: "Ao pó, não voltarei...promessa de sobrevivente...". (Quando surtei/ob.cit.) Sim excitante! A luta excita. Acreditar em si mesmo, excita! Lutar por seus valores, excita! Acreditar em suas convicções benígnas, excita! Verum est, caro Aedo.
Pena daqueles que não se excitam em busca de seus objetivos e nem acreditam que lutar e sair da guerra como sobrevivente, também excita.
E quem não é um sobrevivente hoje em dia, quando todas as armas da ignorância rasgam os infernos literários para dispersar quem pensa, age e forma idéias? Todos os que pensam, agem e formam ideias, caro Aedo, são sobreviventes.
Uns por não saberem versar, já estão mortos, mesmo que gritem calados em suas solidões silenciosas, como me ensinou Walt Whitman, in Leaves of Grass: "Sempre a indesencorajada alma do homem resoluta indo à luta".
Outros, caro Aedo, como nós, sobreviventes, conseguimos ainda gritar ao vento na esperança que nossos ecos possam rolar pela ribanceira do bom senso e adormercer em solo fértil.
E como você mesmo diz, caro amigo, não podemos perder o senso de nossa rota.

Seja bem vindo.
Mhario Lincoln
jornalista sênior
Editor da REVISTA POÉTICA BRASILEIRA
www.revistapoeticabrasileira.com.br

 

Comentários  

0 #14 RE: A Genética do Bom SensoOsmarosman Aedo 08-09-2015 13:33
Citando feira de santana:
Oibosmar sou de feira e acabo de ler esse texto mmuito interessante. Conte comigo conterrâneo.
Chico froz


Sei que posso contar mesmo meu amigo, pois sabemos que unidos teremos os caminhos que mereceemos
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0 #13 Belo textoLourdes Gullar 08-09-2015 10:41
Marinho meu amor. Te amo de montão. Tudo que vc toca, vira emoção. Lindo e maravilhoso texto. Volta pra tua terra. Aqui vc é único. Aí Vc luta todo dia pra não ser mais um. E como luta com essa força espiritual explêndida. Já comentei no outro blogdohelcio também.
Maria de Loures Gullard
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0 #12 RE: A Genética do Bom SensoVanice Zimerman 08-09-2015 00:33
Boa noite Mhario Lincoln, agradeço o agradável encontro com você e o poeta Osmarosman Aedo. E a atenção com os livros que participo e a bonita publicação do texto "A GENÉTICA DO BOM SENSO". Parabéns pela dedicação e olhar poético com o Site ACERVO e a REVISTA POÉTICA! Uma linda semana! Abraços, Van Zimerman.
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0 #11 AgradecimentoOsmarosman Aedo 08-09-2015 00:14
Lucio Mauro Santos
É "por essas e outras", que unidos Soteropolitamos o universo das certezas. Valeu pela força
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0 #10 AgradecimentoOsmarosman Aedo 08-09-2015 00:13
Lu Barros
São vocês quem mais nos incentivam caminhar por essas estradas de esperança, quais, nos revelam para a arte.
Obrigado pelo carinho
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0 #9 AgradecimentoOsmarosman Aedo 08-09-2015 00:12
Chico Froz
Bom contar com o apoio e o carinho dos amigos e poetas
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0 #8 AgradecimentoOsmarosman Aedo 08-09-2015 00:10
Obrigado poeta pelo apoio e carinho
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+1 #7 da feirafeira de santana 08-09-2015 00:06
Oibosmar sou de feira e acabo de ler esse texto mmuito interessante. Conte comigo conterrâneo.
Chico froz
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0 #6 AgradecimentoVanice Zimerman 08-09-2015 00:05
Boa noite Gracinha do Rio, fico contente e emocionada com seu comentário, agradeço a atenção e carinho! Uma bonita semana! Bjs, Van Zimerman.
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+1 #5 Dois escritores geniais!Lu Barros 08-09-2015 00:04
Mhario e Aedo, um maranhense e um baiano, que mistura boa! Estou aqui a me deparar com esse texto excelentemente escrito a respeito de um poeta que escreve excelentemente bem, só posso agradecer a coragem dos dois em se aventurar e se expôr com palavras tão bem colocadas, nós leitores agradecemos a oportunidade de ler o trabalho de vcs! Não parem por favor! Torço pelo reconhecimento e sucesso dos dois!
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