O Acendedor de Lampiões

Escrito por Mhario Lincoln. em: 12/09/2015 | Atualizado em: 12/09/2015

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Por José de Oliveira Ramos
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 Acendedor de Lampiões – no passado poético da humanidade foi “profissão”

 

Cada gesto é uma atitude poética – dependendo do estado de espírito de quem interpreta. Um simples vestido longo de cor amena de uma mulher, pode conduzir quem vê, a uma poética noite de valsas. Valsas vienenses, de passos largos, medidos, suaves, cujo desfile no salão conduz ao Danúbio Azul. Da mesma forma, o isolamento para fumar um cigarro, distante de lugar proibido, pode levar à apreciação das estrelas numa noite escura, enquanto a amada foi retocar a maquiagem.
Enfim, tudo pode parecer e ser poético. Depende de mim, depende de ti, depende de nós. Nós é que somos, ao mesmo tempo, poéticos, poetas e poesia.
Assim, voltando ao passado, nem precisa uma noite fria para nos reconduzir à figura poética e laboral do Acendedor de Lampiões. Antes da tecnologia, antes das grandes geradoras de energia – que, sem nenhuma poesia nos roubaram os leitos dos nossos rios perenes – o fim da claridade do dia nos apresentava, aqui e alhures, o Acendedor de Lampiões.
Acender lampiões foi “profissão”. Profissão digna e necessária – embora, como tantas outras, sempre mal assalariada. Jorge Lima, poeta alagoano, em momento raro de introversão do seu ser, produziu a poesia que retrata aquela esquecida “profissão”.

 

Uma equipe de Acendedor de Lampiões em pose chama a atenção pela vestimenta que inclui o quepe ou chapéu e a inseparável escada no chão bem como o instrumento de trabalho

 

O Acendedor de Lampiões

Lá vem o acendedor de lampiões da rua!
Este mesmo que vem infatigavelmente,
Parodiar o sol e associar-se à lua
Quando a sombra da noite enegrece o poente!

Um, dois, três lampiões, acende e continua
Outros mais a acender imperturbavelmente,
À medida que a noite aos poucos se acentua
E a palidez da lua apenas se pressente.

Triste ironia atroz que o senso humano irrita: –
Ele que doira a noite e ilumina a cidade,
Talvez não tenha luz na choupana em que habita.

Tanta gente também nos outros insinua
Crenças, religiões, amor, felicidade,
Como este acendedor de lampiões da rua!

Não estão muito distantes de nós as noites poéticas. Noites dos lampiões, das serenatas tocadas ante o balcão da amada, como numa cena teatral de Shakespeare, ao inebriante e também poético som do violino e suas cordas mágicas.

Ahhh!.... as nossas músicas, que emolduravam nossas paixões na juventude!

Nossas tertúlias! Lembram?

Nosso primeiro beijo na boca da amada! Dá para esquecer?
E nosso primeiro buquê de rosas, ou a simples e bela rosa vermelha em troca de um beijo, cálido, puro e cheio de convites para o futuro?


Uma bem iluminada praça e seus lampiões

Agora, entremos nas nossas casas. Lembremos o nosso passado sem “poesia” alguma. Lembremos o “candeeiro” que precisava ser “bombeado” para iluminar nossas salas e, às vezes, a nossa casa inteira e até as nossas vidas.
Depois, foram surgindo outros tipos de fontes de energia, como o gás adaptado num pequeno botijão. A vela, a lamparina e, nas ruas, até mesmo os fachos que queimavam algum tipo de óleo.

O candeeiro antigo nas residências

Ainda no recôndito de nossas casas, sem a compreensão e meiguice da poesia, encontramos a velha e sempre útil lamparina. Movida a querosene e à necessidade. Inexplicavelmente, acabava o querosene, mas o pavio, sempre de algodão, não acabava nunca. E, tanto quanto os celulares de hoje, a lamparina era modernamente, portátil.

A foto abaixo mostra a realidade de algumas famílias que nunca usufruíram do Bolsa Família, do Minha Casa Minha Vida, do Petrolão, do Mensalão, tampouco do BNDES.
A sagrada “hora do jantar” – café preto, sem pão, nem queijo nem manteiga e muito menos presunto ou mortadela. Provavelmente havia um ovo frito n´água para acalentar o sono e ludibriar a fome e fazer de nós seres poéticos. Poetas com poesias!

 

 

 

 

A bela e sempre útil lamparina doméstica

A vida é uma bela poesia, quando a vivemos com dignidade, cidadania e obediência divina. Fora disso, é modismo intempestivo que o vento carrega para algum lugar ainda desconhecido, e literalmente sem rimas.

Comentários  

0 #5 UllenJosé de Oliveira Ram 12-09-2015 10:19
José Oliveira Torres: prometo me inteirar sobre o assunto. Quando me entendi como gente, a Ullen já não existia e ainda não tínhamos o hábito de "arquivar" as informações importantes.
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0 #4 PoesiaJosé de Oliveira Ram 12-09-2015 09:54
Maria José Lago - Sua generosidade é muito grande, amiga. Deus continue te abençoando.
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0 #3 Crime da UllenVavá 12-09-2015 02:34
Tem meu voto, professor
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0 #2 UllenJosé Oliveira Torres 12-09-2015 02:33
Lá no fundo, Oliveira, você poderia escrever sobre o Crime da Ullen. Gostaria muito de saber a verdade.
Um grande prazer ler você pela primeira vez.

Oliveira Torres
Professor Rio/Morro dos Macacos..
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0 #1 PoesiaMria José Lago 12-09-2015 02:31
Oliveira tu estás romântico ultimamente. Tenho notado isso. A tua prosa está mais digna de tu meu cumpadre. Larga essa pô... de política que não leva a nada.
Tô adorando Oliveira...
Eu, Vadico e os piqueno daqui que tão estudando literatura.
Mazé Lago.
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