A Liberdade escondida em nós...

Escrito por Mhario Lincoln. em: 22/09/2015 | Atualizado em: 22/09/2015

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Por José de Oliveira Ramos  

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A liberdade é algo escondido em cada um de nós – pode ser o “ponto G” do caráter

Se olharmos bem e fixamente, nos veremos passeando na lua e eliminaremos qualquer distância – apenas com a nave do pensamento e da liberdade.

Sei que só há uma liberdade: a do pensamento. (Antoine de Saint-Exupèry)

Faz muito tempo que, depois de presenciarmos vários desenhos do nascer do sol de matizes diferentes e, pelo nosso status quo assistirmos igual número de por do sol, na sua grande maioria, tingido de um vermelho alaranjado, que convivemos com pessoas que vivem o sonho eterno da viver a liberdade.

Essas pessoas se envolvem tanto com a conquista, que blindam a sensibilidade a ponto de não perceberem que, incontáveis vezes, a verdadeira liberdade passou por elas. A liberdade, dizia minha Avó na sua contextura angelical de analfabeta, “pode estar até no coaxar do sapo”. Não a nossa liberdade. Mas, a do sapo, claro.

Ou será que liberdade só tem valor e sentido, quando é a nossa?

Muitas vezes, nem percebemos, nos libertamos no achar da liberdade dos outros. E, diziam Vovó, é assim que ela passa por nós, vezes seguidas, e não percebemos – porque somos egoístas e a imaginamos apenas para e por nós.


Sim, estamos aqui dentro, presos. Mas, que tal olharmos a liberdade daqueles pássaros?
Nunca se pode concordar em rastejar, quando se sente ímpeto de voar. (Helen Keller)
Se tivermos a liberdade em nossas mentes, estaremos sempre nos voos dessa águia

“Era uma vez uma águia que foi criada num galinheiro. Cresceu pensando que era galinha. Era uma galinha estranha (o que a fazia sofrer). Que tristeza quando se via refletida nos espelhos das poças d’água tão diferente! O bico era grande demais, adunco, impróprio para catar milho, como todas as outras faziam. Seus olhos tinham um ar feroz, diferente do olhar amedrontado das galinhas, tão ao sabor do amor do galo.

Era muito grande em relação às outras, era atlética. Com certeza sofria de alguma doença. E ela queria uma coisa só: ser uma galinha comum, como todas as outras.

Fazia um esforço enorme para isso. Treinava ciscar com bamboleio próprio. Andava meio agachada, para não se destacar pela altura. Tomava lições de cacarejo.

O que mais queria: que seu cocô tivesse o mesmo cheiro familiar e acolhedor do cocô das galinhas. O seu era diferente, inconfundível. Todos sabiam onde ela tinha estado e riam.

Aconteceu que, um dia, um alpinista que se dirigia para o cume das montanhas passou por ali. Alpinistas são pessoas que gostam de ser águias. Não podendo, fazem aquilo que chega mais perto. Sobem a pés e mãos, até as alturas onde elas vivem e voam. E ficam lá, olhando para baixo, imaginando que seria muito bom se fossem águias e pudessem voar.

O alpinista viu a águia no galinheiro e se assustou.

- O que você, águia, está fazendo no meio das galinhas? Ele perguntou.

Ela pensou que estava sendo caçoada e ficou brava.

- Não me goza. Águia é a vovozinha. Sou galinha de corpo e alma, embora não pareça.

- Galinha coisa nenhuma, replicou o alpinista. Você tem bico de águia, olhar de águia, rabo de águia, cocô de águia. É ÁGUIA. Deveria estar voando... E apontou para minúsculos pontos no céu, muito longe, águias que voam perto dos picos das montanhas.

- Deus me livre! Tenho vertigem das alturas. Me dá tonteira. O máximo, para mim, é o segundo degrau do poleiro, ela respondeu.

O alpinista percebeu que a discussão não iria a lugar nenhum. Suspeitou que a águia até gostava de ser galinha. Coisa que acontece frequentemente. Voar é excitante, mas dá calafrios. O galinheiro pode ser chato, mas é tranquilo. A segurança atrai mais que a liberdade.

Assim, fim de papo. Agarrou a águia e enfiou dentro de um saco. E continuou sua marcha para o alto da montanha.

Chegando lá, escolheu o abismo mais fundo, abriu o saco e sacudiu a águia no vazio. Ela caiu. Aterrorizada, debateu-se furiosamente procurando algo a que se agarrar. Mas não havia nada. Só lhe sobravam as asas.

E foi então que algo novo aconteceu. Do fundo de seu corpo galináceo, uma águia, há muito tempo adormecida e esquecida, acordou, se apossou das asas e, de repente, ela voou.

“Lá de cima olhou o vale onde vivera. Visto das alturas ele era muito mais bonito. Que pena que há tantos animais que só podem ver os limites do galinheiro!”

Liberdade é classificada pela filosofia, como a independência do ser humano, o poder de ter autonomia e espontaneidade. A liberdade é um conceito utópico, uma vez que é questionável se realmente os indivíduos tem a liberdade que dizem ter, se com as mídias ela realmente existe, ou não.

Que mãos teriam aberto aquele pedaço de janela? As mãos da liberdade, claro. E, como dizia minha Avó, as pequenas e belas borboletas conquistaram a liberdade por mãos alheias. A liberdade, assim, é algo que está escondido em nós. Todos nascem com esse DNA – temos asas, sim, ainda que apenas no pensamento.

Comentários  

+1 #4 Lição de vidaJosé de Oliveira Ram 22-09-2015 09:37
Marcelino - Obrigado companheiro. Deve ser para isso que envelhecemos e Deus adia por mais tempo a nossa volta para onde viemos.
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0 #3 Liberdade?Helder Silva 21-09-2015 21:55
Esses caras do PT acham que estão acima da Lei. Se enchem de Liberdade e são pessoas desprezíveis. Nem Galinhas, nem Águias. Nem urubus...
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0 #2 Tutu GonçalvesTuto Gonçalves 21-09-2015 21:54
Tutu Gonçalves
Estou maravilhada seu Oliveira Ramos.
Muito obrigada.
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0 #1 Lição de VidaMrcelino 21-09-2015 21:53
Grande Oliveira
Cada trecho que escreves é uma lição de vida. Salve, irmão!

Marcelino Gonçalves
Piraí do Sul
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