Lourival Serejo, Especial de Natal

Escrito por Mhario Lincoln em 10/12/2014

TEMPO DE NATAL

(*) Lourival Serejo


Quem se dispõe a fazer uma crônica sobre o Natal tem como primeiro obstáculo vencer a tentação de invocar o tão citado soneto de Machado de Assis e a metafísica do seu desfecho: Mudaria o Natal ou mudei eu?
Desafiado por essa pergunta, o nosso poeta José Chagas replicou em versos, que evocam a memória do canto que o galo espalhou na madrugada do nascimento de Jesus para, num lance feliz, arrematar:

Pois, na pureza desse mesmo embalo,
sou um velho pastor, sempre a saudá-lo...
– Não mudou o Natal nem mudei eu.

Conversas fiadas sobre Emagrecer, comendo...

Escrito por Mhario Lincoln em 10/12/2014

Original [CNN/Hypescience] Fotos: originais do texto

 

 

Mito 1: indivíduos mais magros têm um metabolismo mais rápido

Às vezes, parece que algumas pessoas mais magras podem comer o que quiserem sem sofrer aparentemente nenhuma consequência. Certamente, elas têm um metabolismo mais rápido do que a média, certo? Não é bem assim.

O metabolismo, na verdade, tem um pouco a ver com o tamanho do corpo, mas não da maneira como muitos pensam. De acordo com Dr. Yoni Freedhoff, professor assistente na Universidade de Ottawa, no Canadá, “indivíduos magros quase que invariavelmente têm metabolismos mais lentos durante o repouso”, explica.

Como resultado, os indivíduos maiores geralmente têm um metabolismo mais elevado (ou seja, eles queimam mais calorias em repouso) do que suas contrapartes mais magras.

A Voz de Flávia Prazeres

Escrito por Mhario Lincoln em 07/12/2014

A essência profissional de Flávia Prazeres, jornalista. Londrina-Paraná
 
 
(*) Especial Mhario Lincoln/ Fotos: http://www.debatepublico.com.br/
 
 
Por ela mesma (foto): "Eu sou jornalista de alma, mas como disse alhures estou ingressando no Direito. Minha escola de erros e acertos foi na Assembleia Legislativa do Estado do Paraná. Trabalhei lá por mais de uma década, vi muita coisa. Nesse lugar nutri a paixão por política, mas também muitas de minhas decepções, especialmente com o ser humano. Parece que o poder tem mesmo um efeito nocivo sobre as pessoas. Sempre dizia: Dê a chave da porta do banheiro para alguém administrar e pronto você verá a verdadeira face”. É bem por aí. As pessoas quando estão no poder se esquecem que tudo é temporário na vida, o que realmente fica é aquilo que nutrimos pelas pessoas e o que elas sentem por nós. O resto é tão efêmero. Ninguém leva para a eternidade os seus bens ou mesmo seus status. Isso torna sua vida mais fácil, mas não faz de você melhor do que ninguém. Aliás, os políticos, uma categoria a parte, um dia irá sentir o que estão fazendo com os nossos. Hoje se sentem acima do bem e do mal, porém terão que como o resto de todos os mortais, sentir na pele o que é o descaso dado aos nossos jovens. A violência está avançando e irá atingi-los de forma assustadora. E, talvez, quando chegar a hora será tarde demais para tentar dar oportunidade para quem agora bate na sua porta com uma arma na mão. Os corruptos são os maiores responsáveis por todas as mazelas. Por isso, sou contra a prescrição desse crime.  E continuando. Depois que saí da Assembleia comecei a escrever o Blog Debate Público, um espaço sobre política, que me rendeu dois prêmios no TopBlog, vencendo o Blog da Dilma e o Pragmatismo Político. Acessem www.debatepublico.com.br É uma ação independente, que não conta com nenhuma ajuda financeira. A ideia era de que as pessoas colaborassem, a fim de que pudesse contar com recursos necessários para fazer um trabalho de fiscalização. A falta de recursos financeiros é bastante limitador. Mas, ainda tenho como aliada as palavras, como as amo! E assim sigo tentando, na luta. Às vezes parece ser um esforço em vão, mas nunca devemos desistir de nossos sonhos e sempre manter viva a chama da esperança."
 
 
 
A ENTREVISTA
 

Religiosidade e Fé

Escrito por Mhario Lincoln em 06/12/2014

José de Oliveira Ramos

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( José de Oliveira Ramos é convidado deste site e escreve todos os sábados)

 

Religiosidade e Fé

 

Procissão no festejo de São Raimundo Nonato dos Mulundus – Vargem Grande/MA.

 

Aqui não se pretende falar, agora, de religiosidade questionada ou de atos profanos. Queremos falar da “Fé”. A fé verdadeira que te leva à Santiago de Compostela, na região espanhola da Galiza.

Queremos falar da mesma fé que te leva a Aparecida do Norte, em São Paulo, vindo dos mais diversos e distantes cantos deste País, ou, ainda do Círio de Nazaré, que reúne milhões de fiéis todos os anos em Belém do Pará.

Padre Cícero em Juazeiro do Norte; São Francisco de Canindé e, como é o caso deste nosso assunto, São José de Ribamar na cidade do mesmo nome no Maranhão.

Milagres?

Nem todos merecem, ou não tem a verdadeira luz da compreensão para entendê-lo quando ele chega. Mas, milagres ungidos pela Fé, existem. Existem sim.

Pois, aqueles que creem e são às vezes guiados pela Fé, e que ainda não sabem, todos os anos, sempre na segunda quinzena do mês de agosto acontece no município maranhense de Vargem Grande, distante 175 Km da capital São Luís, o festejo dedicado a São Raimundo Nonato dos Mulundus, um dos mais concorridos em todo o Estado, superado apenas pelos festejos de São Pedro (29 de junho) e São José de Ribamar.

São, ao todo, oito dias de festejos, e a impressão que se tem é que “todo mundo mudou para Vargem Grande”.

O inicio do festejo é marcado por uma grande romaria a partir da Paulica (povoado do município de Vargem Grande). Todas as noites acontecem novena, procissão e missas. Após a celebração ocorrem apresentações artísticas e religiosas mudando completamente “a cara da cidade”.

 

São José de Ribamar

 

"Engenho da Vida", José de O.Ramos

Escrito por Mhario Lincoln em 28/11/2014

 José de Oliveira Ramos

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Engenho da vida

 

Engenho Central construído pelos ingleses foi o coração de Pindaré-Mirim até 1910

 

Tem coisas na vida que a gente precisa contar. Contar bem direitinho para que pessoas da geração atual consigam compreender e fiquem registradas para os que ficarão e até para os que um dia virão. Brincando, eu diria até que, imitando os atuais, “tem coisas que a gente precisa até desenhar”.

Faz muito tempo que os filmes americanos mostravam aquelas confusões todas, quando, no faroeste estavam sendo construídas ferrovias, cidades e outros, para impulsionar o desenvolvimento. Aquela balbúrdia desorganizada (perdoem a redundância, mas ela é necessária, aqui) aparentando um descontrole total nas ações do trabalho.

Imagine um porto sem a estrutura mecanizada de hoje, com estivadores se atropelando (eles ganhavam por volumes carregados), se encontrando em meio às necessidades de descarregar trens, botes e navios e carregar outros tantos.

Os locais cobertos pela fumaça, animais transportando cargas e aquela barafunda que, para alguns, significava “desenvolvimento” na produção de alimentos e na forma de resolver muitas coisas. Como se fazia antigamente.

Assim, hoje, escolhemos falar não dessa desorganização de trabalhadores. Queremos falar da importância que teve para o Maranhão, nos áureos tempos, o Engenho Central, local onde a vida era impulsionada como se fora a artéria aorta dos seres humanos.

Pois, conforme dados encontrados em pesquisa, o Engenho Central de Pindaré-Mirim foi “criado” em 1880, através do Decreto-Lei 7.811 do dia 31 de agosto daquele ano. Foi construído à margem do rio Pindaré num terreno que, antes, pertencera à Colônia de São Pedro, naqueles anos habitada pelos índios Guajajaras. O Engenho Central também era conhecido como Companhia Progresso Agrícola.

O projeto e comando da obra estiveram a cargo do técnico inglês Robert Collond, que, na época trabalhava para a empresa inglesa Fawcet Preston & Cia., que fixou também em solo maranhense os trilhos da primeira ferrovia do Estado, o que auxiliaria no transporte dos produtos beneficiados no Engenho – que receberia posterior apoio da navegação fluvial via rio Pindaré.

Todo o maquinário e aparelhagem necessários à instalação e funcionamento do Engenho Central foram importados da Inglaterra pela quantia de 28$000 réis.

Em 1888, ainda por iniciativa da mesma empresa, foi instalado em Pindaré-Mirim o sistema de iluminação elétrica, conferindo ao município um pioneirismo no gênero em todo o Brasil - pois, somente em 1892 foi que a cidade fluminense de Campos foi dotada de energia elétrica.

O Engenho Central, um dos melhores do Brasil, possuía 500 carros de boi, 35 carroças, cerca de 50 casas de madeira, três léguas de terra apta à lavoura e 10 km de via férrea. Hoje, este secular monumento, com sua tradicional chaminé, seus paredões em alvenaria, seu teto laminado sobre custosa estrutura de ferro, é um dos últimos representantes do sistema de engenhos centrais instalados no Brasil durante o Império. Ainda é localizado na Avenida Elias Haickel, esquina com Praça São Pedro, Centro, em Pindaré-Mirim.

Nos dias atuais, fora de atividade há muitos anos, o Engenho Central continua sendo uma referência no município que foi de grande importância para o crescimento da agricultura do Estado e de quase tudo que se dispunha naqueles tempos.

 

Foi na efervescência dos anos 60, mais precisamente em 1967, que Pindaré-Mirim e por consequência o Engenho Central entrou numa fase decadente na dependência do beneficiamento e exportação dos produtos que ali chegavam (cana-de-açúcar, algodão, arroz, milho e mandioca), quando, no dia 14 de março foi criado o município de Santa Inês, antes conhecido apenas como “Ponta de Linha”, pois era ali que terminava a linha férrea do ramal. Santa Inês foi parte de Pindaré-Mirim.

Com o encerramento das atividades produtivas do Engenho Central, por volta de 1910 , a população de “Ponta da Linha” passou a dedicar-se à cultura de algodão , arroz , milho e mandioca , porém continuou dependendo de Pindaré-Mirim, a quem era subordinada administrativamente e por onde sua produção era escoada.

Muito procurado por famílias nordestinas, que constituem atualmente, com seus descendentes, mais da metade da população local, o povoado cresceu rapidamente, a ponto de, no início da década de 60, tornar-se mais importante, em termos demográficos e econômicos, do que a sede do município a que pertencia.

Hoje, de acordo com o IBGE, pelo censo de 2014, Santa Inês tem 82.680 habitantes, enquanto Pindaré-Mirim conta com apenas 32.236.

 

 Rio Pindaré (à esquerda, o Engenho Central) fotografado de Monção

 

Inacreditavelmente, a partir da emancipação de Santa Inês, Pindaré-Mirim – ainda que menos populoso, mas nem menos importante – começou a aproveitar o que o horizonte da vida lhe oferecia. E desabrochou, culturalmente.

Não imagine que o Engenho Central não tem nenhuma relação com a cultura que desabrochou em Pindaré-Mirim. Foi ali, exatamente na área interna desocupada do Engenho Central, que surgiram os primeiros “urros do boi” Mimoso, prosa e magia cultural de Coxinho.

“Lá vem meu boi urrando,
subindo o vaquejador,
deu um urro na porteira,
meu vaqueiro se espantou,
o gado da fazenda
com isso se levantou.
Urrou, urrou, urrou, urrou
meu novilho brasileiro
que a natureza criou...”

 

Da mesma forma, foi exatamente no dia 10 de fevereiro daquele ano de 1910 – quando o Engenho Central parou de funcionar e beneficiar produtos da agricultura maranhense – que em Pindaré-Mirim nasceu Maria José Camargo Aragão, que se tornaria médica e conhecida Brasil à fora.

A médica Maria Aragão iniciou sua carreira como pediatra , mas fez carreira como ginecologista. Formou-se em medicina pela Universidade do Brasil , do Rio de Janeiro. Sua história tem origem na extrema pobreza, mas ela logo parte em busca da superação da fome, do preconceito (por ser negra e mulher no inicio do seculo passado), da agressão e da perseguição do sonho de ajudar a humanidade. Dotada de um grande senso de liderança, enfrentou as oligarquias políticas, em pleno regime militar na década de 60, e sofreu as perseguições promovidas pela ditadura.

 

"Bar do Léo", especial José de Oliveira Ramos

Escrito por Mhario Lincoln em 24/11/2014

Bar do Léo – “catraca eletrônica” da cultura ludovicense

 

 

Por José de Oliveira Ramos

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Fotos originais do texto

 

 

 

 

 


 Bar do Léo, com esmerada decoração à antiga

 

 

Não vai muito longe o tempo em que se dizia que, ir ao Rio de Janeiro e não visitar o Pão de Açúcar ou o Corcovado era a mesma coisa que não ir. Depois, anos mais tarde, esse “mote” foi mudado e passou-se a dizer que, ir ao Rio de Janeiro e não visitar a Confeitaria Colombo e o Bar Luiz, também era a mesma coisa que não ir.

Esse foco mudou para São Paulo, quando se dizia que, ir a São Paulo e não visitar os bares do Bexiga, também significava não ir a capital paulista. Transferiu-se para Ribeirão Preto, e passou-se a dizer que, ir a Ribeirão Preto e não visitar o Bar Pinguim, também significava não ir.

Agora os holofotes se voltam para iluminar Fortaleza. Ir a Fortaleza e não visitar o Bar do Ordones é melhor não conhecer a capital cearense.

E isso nada tem com promoção turística. Passou a ser algo cultural. Pura interação cultural e social. A bebida que é servida no “Bar do Ordones” em Fortaleza é a mesma que é servida em qualquer lugar deste País. O que muda é o ambiente, o astral que envolve quem ali senta para conversar sobre política ou futebol e até – e muito mais isso! – da vida alheia.

Agora, independentemente da época do ano, se você visitar São Luís e não conhecer o “Bar do Léo” é melhor nem descer do avião no Aeroporto Cunha Machado ou do ônibus na Rodoviária.

 

 

Amplo salão e bom serviço de garçonetes e boa higiene nos banheiros

  

O Bar do Léo funciona num espaço pertencente a um antigo Horto-mercado, no Bairro do Vinhais. É fácil de ser localizado, e qualquer taxista leva o interessado até o local. É o point ideal para quem quer “conversar”. O proprietário não aceita música ao vivo, tampouco batucada nas mesas – na realidade, partes de máquinas de costura Singer e Vigorelli, adaptadas.

Se alguém desejar ouvir alguma música, basta solicitar ao próprio Léo. Ele tem aparelhagem que funciona bem e toca a música solicitada. Sem acréscimo na comanda da conta.

É, também, o lugar ideal para ouvir repertório musical de cantores antigos e até mesmo música instrumental de boa qualidade.

Outro item positivo é a variedade de tira-gostos, mas o mais solicitado é a “tripinha de porco” frita de forma crocante.

 

 

Léo (de amarelo) recepcionando amigos

Otília Martel presenteia-me com posfácio

Escrito por Mhario Lincoln em 17/11/2014

Nota do editor: Com imensa honra escrevi uma rápida crítica sobre o livro anterior de minha estimada amiga, poeta portuguesa Otília Martel. Eis que, como surpresa incomensurável, vejo meu escrito aparecendo como posfácio de um novo livro "Olhos de Vida", dessa encantadora representante da poesia de Portugal. Hoje, neste espaço, orgulhoso, mostro muita coisa do lançamento da nova obra, além de reproduzir minha colaboração a essa poesia desnuda de Otília Martel. Bem que eu gostaria de lá ter comparecido. Mas minh'alma com certeza, por lá surfou nas ondas românticas dessa grande escritora e poeta.

Otília, muito obrigado. Daqui minha honra imensa.

Mhario Lincoln, Brasil/Curitiba-PR, 17.11.2014.

 

SORRISO

Hoje vou vestir-me de ternura.
Ousar passear na rua
dos teus braços,
caminhar, dedo a dedo,
pelos fios do teu cabelo,
desaguar no mar bravo
do teu corpo
e sorrir.

Otilia Martel, em "Olhos de Vida"

 

 

 

 

"VOAR RASTEIRO SOBRE AS ESTRELAS"

(*) Mhário Lincoln

E começo com uma pergunta que ela mesma faz às páginas 70, sob o título -

Divagando:

"Se tudo isto é banal, onde existe o divino?"

Fácil de responder: o suco poético divino está no mais recente livro de poesias

dela mesma, Otília Martel, nossa colaboradora, desde Portugal, que também

responde ao codinome de Menina Marota.

Há, em seu trabalho, mais que poesias, sonetos e prosa poética. Há coração e

alma. Existem verdades escritas, frustrações sentidas, até gotas de prazer e

ódio, impressas em tintas aguerridas, mas bem transparentes.

Ao ler nesses dias confusos pelos quais passei o livro "Menina Marota - Um

desnudar de Alma", de Otília Martel, a portuguesa-diva deste Portal MLB, (www.domeulivro.com.br)

estive a pensar o quão dual estava o pensamento de Fernando Pessoa quando

- com sua veia humorística (???) íntima - conseguiu dizer:

O poeta é um fingidor

Finge tão completamente

Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente. (PESSOA, 1998)

Por que dual? Há na complexidade da obra de Otília Martel algo mais plural e

estilo indefinido, quão dual foi Pessoa na quadrinha acima. Ao mesmo tempo

em que afirma ser o poeta um fingidor de dor (em suas poesias), acaba por

confessar que as dores nas escritas poéticas, não ilusórias são. Mas a dor

propriamente dita que o poeta sente em seu coração e alma.

Assim versifica nossa "Menina Marota":

" Eu te prometo o perfume de uma flor/a espuma do mar/ num beijo quente/

que te quero dar (...). Eu te prometo que nada posso prometer(...)".

Vide. Agora entendo o que Fernando Pessoa quis repassar em sua quadrinha.

Aí entra a questão da Verdade Poética. Será a verdade poética metafísica? No

caso de Otília Martel, sim!

Leia: "O poema nasceu e eu nem estava lá a enaltecer sua criação". Exemplo

vivo do que me referi. Por isso a poética de Menina Marota tem um

diferencial explícito, além de romântica e sensual. Seriam essas, as suas

verdades metafísicas? Onde a transmutação íntima se reduz, em alguns

versos, à intimidade de seu toque?

Leia, ainda: "Sob minha pele, eflúvios de mar, ondas de loucura/ dança

rítmica que crio no meu universo de fantasia" (...). " Dois mundos olham-se,

únicos e profundos. / Lentamente, morrem raios de sol no poente. / A música

meu corpo enlaça e o sonho continua". ("Música sobre a Água", às pags. 65).

(Ou ainda: "Toda noite gritei de desespero/ ao sol moribundo/ que jazia, /

silencioso no teu olhar (...). "Choro.../ As minhas mãos/ silenciosas/

arrefecem/ ao acariciarem as pedras/ que pisastes ao partir"). - "Toda a

Noite", pag. 36.

Na verdade, ao ler Otília me vejo diante de um juízo despido, de uma nudez

reflexiva levada à exaustão no sentido de ir ao (ou até mesmo, de...)

encontro das saudades que se perderam nos ventos de outrora. Esse é o

combustível genético que forma a cadeia poética de Otília Martel, como

mostrado em "Sonhos", às pags. 91:

"Sonho-te/ que sonhando-me/ sonha-me,/ em teus braços, / mil beijos/

sussurrados".

Veja, como um leve toque ortográfico, na dança das letras e no sentido

exato, faz-nos navegar diante de uma sensatez de incrível fluorescência,

como se OM rasgasse o próprio coração e mostrasse, em dissecação, cada

celulazinha que o compõe, desde a célula romântica até o aureolo esquerdo

sedutor e intrigante. Desta forma, procurei olhar um outro lado de Otília;

acredito eu, aquele lado subliminar; o lado das hermenêuticas ciliares, bem à

margem de seu pensamento artístico; na verdade, um rio de exegese

(literária).

Outro dia mesmo me peguei lendo LEILA MICCOLIS. E em um de seus poemas,

uma verdade que pode ser muito bem aplicado ao que nos induz a pensar em

seu livro, a nossa musa Otília Martel:

"tenho a impressão de que escrevo para metabolizar a vida", diz Leila.

E essa a mim me parecer ser, a frase certa para determinadas passagens do

livro - Um Desnudar da Alma - especialmente por conter nele, expressões

como em Deixa o Amor Vencer:

"Todas as pessoas são pássaros livres/ o segredo é não se deixar prender. /

Voar rasteiro por sobre as estrelas/ e a melhor forma de se viver".

Aí, com destaque e interpretações diferenciadas o verso - "Voar rasteiro por

sobre as estrelas", vem novamente ao encontro do que também falei lá no

comecinho: a dualidade de Otília também presente, como um geninho

poético de Pessoa.

(Se ambos são portugueses, ambos se entendem, geneticamente. Se cada

brasileiro tem um pouco de Pelé no bico da chuteira, claro, cada português

tem no coração poético, um pouco de Pessoa).

Enfim, ler Otília Martel com sua Menina Marota desnudada de Alma faz-me

estontear. Foi o livro que escolhi para me livrar dos tumultos que me

acercavam diante de alguns problemas ligados a este Portal Mhário Lincoln do

Brasil. Como dizem: um tiro na mosca. Flutuei, antes de me desnudar.

Emocionei-me diante de frases versáteis tão delicadas como a própria alma

de OM:

"Da janela da vida. /o sol quente, suavemente, num mar calmo de ilusões/

entardeceu".

Esses versos foram os que me abriram os olhos para o que estava acontecendo

ao meu redor. Parece simples, desculpe-me, até poesia feita em braços

adolescentes. Mas não é! Por isso dediquei-me a ler o livro de forma

subliminar.

É exatamente nessa dualidade ("o sol quente/ em mar calmo/ de desilusão"),

que se esconde a grandeza de Otília Martel fazer poesia. Inimaginável para

um ser comum entender, por exemplo, que um (sol) quente possa entardecer-
se num mar (calmo de desilusão). Entendeu?

Essa é a grandiosidade não hermética de Otília Martel. Faz-me chegar,

inclusive, a Gaston Bachelard, em sua “A Poética do Devaneio”, quando

ensina:

"Dir-se-ia que a imagem poética, em sua novidade, abre um porvir da

linguagem”.

Exatamente isso e mais alguma coisa acontecem quando OM abre sua

linguagem. Não só abre, mas desnuda, arregaça, aprofunda, disseca. Às vezes,

num primeiro olhar de algum leitor menos favorecido, até choca. Mas no

decorrer da leitura das páginas, as imagens vão se entrelaçando como se toda

a vida íntima (emoção, coração, saudade, inércia, solidão, percepção etc)

fosse uma teia-vida de OM e essa, passasse num vídeo mental quando arrolada

às horas de leitura de - Um Desnudar de Alma - seu mais novo livro de poesias.

Garanto aos leitores que puserem os olhos nessa obra verão nela,

reencarnados, grandes momentos de grandes poetas portugueses. É genético.

E essa genética foi passada só pelos melhores. Otília tem mais esse troféu;

uma espécie da herança literária de quem nasceu cheia de linhas, frases e

textos por todos os lados. Vejo isso como uma coisa espetacular; a herança

ganha por influência de leitura e dedicação, com um toque imenso de talento.

É. Tem momentos em que lembro Virgínia Vitorino - Uma das mais populares

poetisas de Portugal, falecida em 1967:

Mas se eu não posso ter outro desejo!

Se eu, não te vendo a ti, nada mais vejo!

Como é que, sendo assim, não te hei-de ver?

Quer ler (abaixo) a consistência poética de OM, se baseando nessa estrutura

acima, sem comparações plagiáticas, claro?

"Se não te amasse tanto.../ Não traria no peito/ a mágoa de tua ausência, / a

fúria incontida do mar, / o sabor a pinhal/ nas tuas mãos macias" (...) " Se não

te amasse tanto.../ Matava a saudade no meu peito, / vivia a vida a eito,/

retomava o sol e o mar/ em minhas mãos/ e deixaria de te amar/ Ah! Se não

te amasse tanto...

Mas Otília Martel tem outros predicados talentosos. Leia:

O silêncio é uma confissão.

(Camilo Castelo Branco).

Agora reveja a frase através do talento de Otília Martel. Mas, antes, um

detalhe. Sou eu quem faz as comparações por conhecer e estudar as obras de

alguns poetas e escritores portugueses. Claro que faço a comparação apenas

pela grandiosidade da poética de OM; nunca em termos de idéia plagiática. É

muito bom que isso fique claro. Mas vamos ao talento de OM:

"No silêncio da tarde alguém cantou/ um início de balada,/ uma canção de

amor". (...). "E eu partir a chorar, caminho adiante, / por ter compreendido

que esse canto/ o tinha ouvido de um coração/ que amava ternamente".

E por falar em silêncio e confissão, confesso que no meu silêncio, à

madrugada espolética, onde minha cabeça girava como cometa sem rumo e

sem calda, obtive, através do livro - Um Desnudar de Alma - alívio imediato

para as almas e sombras que insistiam em povoar minh'alma... e chorei e

aprendi, aliviando meu peito:

"TODAS AS PESSOAS SÃO PÁSSAROS LIVRES/ O SEGREDO É NÃO SE DEIXAR

PRENDER/ VOAR RASTEIRO POR SOBRE AS ESTRELAS/ É A MELHOR FORMA

DE SE VIVER"...

Com amor, respeito e carinho,

(*) Jornalista Mhário Lincoln

www.domeulivro.com.br

Curitiba-Paraná

Brasil.

 

 

Texto e fotos do lançamento

 

Foi no Convento de Corpus Christi, na Beira-Rio de Vila Nova de Gaia, a apresentação do livro "Olhos de Vida", da poetisa gaiense Otília Martel, numa edição da Monocromia e com ilustração de Catarina Lourenço.

Aqui partilhámos algumas imagens deste evento que encheu o magnífico espaço do velho convento dominicano onde, para além da apresentação propriamente dita e da habitual sessão de autógrafos, pudemos assistir à brilhante actuação de um grupo musical e a momentos únicos de declamação de poesia por figuras conhecidas do meio cultural gaiense. 
No final teve lugar no coro alto um porto de honra servido aos presentes no evento.

(Texto de António Conde)

 

Discurso de agradecimento de Otília Marteal.

(Palavras finais de Otília Martel com a leitura do poema dedicado a Luca, seu neto)

 

"(...) Não tenho palavras para exprimir o sentimento que se acumula no meu coração, perante o dia de ontem.
Para além de constarem no meu mural as imagens que os amigos resolveram tirar e dividir comigo gostaria de partilhar o discurso que fiz na ocasião, embora reduzido, porque o fui alterando conforme falava, depois de dar as boas vindas aos presentes.
Falar deste dia.
Falar deste livro…
É falar de mim, muito embora não goste de o fazer, como pessoa, mas sim do que escrevo. Do que olho em meu redor. Do que sinto. [...]
Escrever para mim é sobretudo escrever sobre o que me cerca: do cão do vizinho; do velho que, na praia de Miramar, deitando as cinzas da sua esposa estrangeira ao mar, recitava um poema de Florbela Espanca… […]
De um olhar abrangente, sobre pessoas e coisas...
Falar, sobretudo, da minha relação com o mar, com o sol, com a natureza, com o que me rodeia, falar da família, dos amigos, com a minha alma… […]
Por isso falar de mim, não é relevante. Sou uma das múltiplas de mim…
[...]
Sou a mãe, a avó, como fui a companheira/esposa, enfermeira… a amiga fiel, directa, leal, sincera, capaz de todos os sacrifícios pela amizade que dedico às pessoas.
[…]
Para finalizar o meu agradecimento:
Aos Amigos aqui presentes (alguns de tantos anos); [...]
ao público aqui presente e mesmo aqueles que não marcaram presença, mas que estão presentes em espírito.
Ao Espaço Corpus Christi na pessoa da Drª. Elsa Fontão, pela cedência deste magnífico espaço;
[...]
à Teresa Gonçalves pela dedicação e ternura na organização do guião artístico deste lançamento,
ao Grupo de Violas e Cavaquinhos na pessoa da Natalia Vale e ao Orlando Mesquita por darem a alegria das suas vozes e músicas;
aos declamadores que irão dar voz às minhas palavras e são eles, a Alzira Santos, Cristina Pessoa, Eduardo Roseira, (um beijão pelo vosso empenho e disponibilidade);
à Maria Esther da editora Modocromia, por ter acreditado no livro e lançar-se comigo nesta aventura;
à Fátima Fernandes, (Amita) acima de tudo pela sua amizade de tantos anos, por me aturar tantas vezes, pela disponibilidade de me prefaciar Olhos de Vida e por aqui estar presente, a meu lado;
e por último (os últimos são sempre os primeiros, dizem os entendidos) à minha Família por estar comigo em qualquer circunstância.
Ao meu neto Luca, luz dos meus olhos, que um dia, tenho a certeza, me lerá…
É para ele que deixo as últimas palavras, com o poema Dádiva:

Gosto do teu olhar de leite.
Do sorriso rasgado que abre as portas do coração.
Dos sons que emites a dormir
quando sonhas com estrelas.

Gosto de te ter nos meus braços.
Afagar-te docemente e murmurar
tudo o que um dia vais descobrir por ti.

Gosto do teu cheiro suave e
do cabelo ralo que há-de crescer.

E quando não estou contigo
o pensamento voa e tu estás comigo

assim… aqui! .


Obrigada a todos.
.
Propositadamente pedi a palavra no final do evento para agradecer a Catarina Lourenço, ilustradora de Olhos de Vida, que não pôde comparecer por motivos profissionais e mandei, através do pai, presente na sala, um beijo de agradecimento por ter ousado, através das suas ilustrações estar comigo nesta aventura.
Obrigada.

Otília Martel

 

 

Prestigiada por poetas, amigos e admiradores, Otília Martel viu o ambiente cheio. Merecidamente. Daqui, meu abraço e minha saudade. Queria estar lá junto dessa família Martel maravilhosa.

 

O bolo feito com muita poética e arte mostrava o livro que estava sendo lançado. Originalíssimo.

 

 

 

 

 

 

 

A entrevista com Otília Martel

por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Os dados biográficos de Otília Martel são, enquanto escrevinhadora, a emoção que gosta de transmitir através das palavras que oferece a ler.
É esse o seu verdadeiro cartão de visita.
Semestralmente, desde 2004 tem publicado na Revista Singularidades, Modos de Ser Inconformista.
Em 2008 edita o seu 1.º livro de poemas, Menina Marota Um Desnudar de Alma.
Ainda, em 2012, edita o segundo livro de poemas e pequenas histórias Olhos de Vida em versão digital para iBooks.
Foi representante portuguesa no Jornal Digital Mhário Lincoln do Brasil, entre muitos.
O seu nome consta em vários sites portugueses e brasileiros bem como em várias colectâneas integradas na internet.
Patrocinou vários Concursos de Poesia que deram a conhecer novos poetas entre Portugal e Brasil.
É detentora de 7 blogues maioritariamente dedicados à divulgação de poetas e poesia, entre eles Menina Marota.

Para ler a entrevista na íntegra, clique no link: http://www.divulgaescritor.com/products/otilia-martel-entrevistada/

 

 

Coluna de Orquídea Santos 17.11.14

Escrito por Mhario Lincoln em 16/11/2014

Um Belo, sem ser totalmente Maldito
(MharioLincoln)

 

Vinicius com o pai, Lourival Bogéa, diretor-geral do Jornal Pequeno

 

"Belo Maldito", esse novo livro de Vinicius Bogéa, um sobrinho-adotado, pois sou praticamente irmão mais velho de seu pai, o editor e jornalista Lourival Bogéa (comecei no Jornal Pequeno numa época em que vi Lourival dá seus primeiros passos na velha redação do Jornal Pequeno, diário de seu pai, Ribamar Bogéa, com quem aprendi ser forte, corajoso e destemido em meu jornalismo), poderia muito bem se alinhar entre os bons livros de suspense, emoção e teia articulada, como grandes obras lançadas ao longo dos anos.
Se estivesse em Londres, por exemplo, receberia um conselho mais ou menos assim:

"...o livro em si começa com um grande suspense, deve ser bom o suficiente para durar até o fim. Afinal, sem um grande suspense central, a história não seria história." Quem disse isso? A maravilhosa J.K. Rowling, autora, dentre outros best sellers, da saga do Harry Potter.

Vinicius é um rapaz privilegiado não só por sua geneticidade. Mas por sua vivência. Nem sei se ele tem mais coisas do pai ou da mãe. Ambos, a meu ver, superdotados. Gente assim que nasce influenciado por milhares de informações, antes mesmo de vasculhar o infinito Google, tem um destino certo. Frustrar-se e engolir turbilhões de casos, faces, mundos, ações, suspenses ou... tornar-se um fenomenal escritor. Em "Belo Maldito", só no título, floresce algo meio fora da mesmice diária. As que lotam as primeiras pratileiras das grandes livrarias à peso de ouro, bancado pelos livreiros.

Numa trama incrível, rolam mistérios, encontros e desencontros levando o leitor a uma missão extraordinária: Ler o livro até o fim, como Rowling disse acima, "sem um grande suspense central, a história não seria história." E essa história não está ligada simplesmente à luta mêsmica entre o Bem e o Mal. A história é construída num formato (que eu imagino pelo sucesso da crítica que li nos jornais ludovicenses) de minuciosa observação e vivência, cujos personagens, pelo menos um deles, reflete a própria expectativa do autor de forma sutil. O mais legal de tudo isso é que qualquer que sejam as soluções para mistérios embutidos no texto, sempre serão imprevisíveis para o leitor.
Desta forma, Vinicius Bogéa insere-se na regra número um, dita acima por Rowling. A arte narrativa de guiar o leitor até o final do livro e, ao fim, encher sua cabeça de reflexões e comprações, tipo, "o que eu faria se eu estivesse no lugar do personagem "x" ou "y"?".

Que ninguém pense ser fácil escrever obras com essas características. Muitos tentaram. Poucos terminaram por se perderem num enredo tão emaranhado de idéias sem soluções que a obra implode diante dos próprios dedos e se dilacera, sem continuidade. Mas Vinicius Bogéa, com seu "Belo Maldito", mostra muita qualidade, muita vivência, muito sentimento e despreendimento, antes de tudo, costurando sua trama de forma a se diluir, como pedras de gelo num bom uísque, e ser consumida de forma prazerosa e eficaz.
Esse é o estilo de meu sobrinho-adotado, poeta, jornalista, escritor, cujo coração foi seu forte, quando sofreu com alguns percalços em sua vida ainda jovem, abundante e futurista e as superou como um Davi, ungido pelo amparo indescritível de Deus. Bravo!
Parabéns, Vinicius.

 



Vinícius Bogéa lança seu quarto livro

(Orquídea Santos)

(Fotos: Gilson Ferreira)

O lançamento do livro “Belo Maldito” ocorrido na noite da última sexta-feira (14), na Livraria Leitura, Shopping da Ilha, reuniu amigos e familiares do jornalista e escritor Vinícius Bogéa. O livro de romance investigativo narra uma teia de situações que liga sete desconhecidos em torno de um acontecimento fatal, que vai marcar suas vidas para sempre. Vem carregado de suspense e conspiração. Uma trama engenhosa, interligando passado e presente com intensa adrenalina. 
VOCÊ VAI VER TAMBÉM NO PROGRAMA SOCIAL NA DIFUSORA DESTE SÁBADO (22), A PARTIR DAS 8H.

 


Vinícius com a mulher Rafaela e os filhos Manuela e João Victor


Rafaela, Vinícius, Hilda Bogéa e Natália

 

 

As irmãs Patrícia e Monique Bogéa, Maurício Matos, João Victor e Vera Raposo

 


O escritor com o tio Luís Antonio Bogéa e Lena

 

 

 

 

 

 

 

 

Raíssa, Giselia e Cezar Lindoso, D. Mariazinha, Rafaela, Vinícius e João Victor