Carta ao Editor

Escrito por Mhario Lincoln em 11/07/2014

A festa acabou para os brasileiros que se vestem de patriotas a cada quatro anos. Espero que, agora, eles se juntem à maioria dos brasileiros que são patriotas todos os dias do ano sem precisar se envolver na bandeira nacional, aqueles que usam jaleco branco, aqueles que usam macacões de fábricas, aqueles que usam fardas, aqueles que cumprem as leis vigentes, aqueles que não tentam tirar vantagem em tudo, aqueles que não são gigolôs do governo, em suma aqueles que trabalham duro e pagam impostos.
 
Aproveitem a ressaca da derrota e deixem de lado por alguns dias o caderno de esportes; leiam o caderno de economia e vejam para onde está indo a nossa. Leiam o caderno de educação e avaliem o futuro do país. Leiam sobre a saúde pública e terão um belo roteiro para filme de terror. Leiam sobre a política e descubram que a cada dia surge um novo corrupto. Só não leiam sobre segurança, caso contrário você não mais sairá de casa.
 
 Enfim, acordem: Deem menos crédito a essa imprensa esportiva comprometida com organismos internacionais e que não tem o menor respeito pela inteligência do cidadão, criando perspectivas onde não existem. Em outubro, ajudem aos brasileiros de boa fé por para fora do governo esses despreparados, corruptos e ladrões que tomaram conta do poder e estão destruindo o país. Além disso espero que assimilem bem a importante lição dada pelos alemães: o Brasil não é o país do futebol, já foi. O Brasil hoje é o país da corrupção institucionalizada. Obrigado Alemanha, pela grande ajuda dada ao povo brasileiro. 
 
 Humberto de Luna Freire Filho, médico

Antero Greco

Escrito por Mhario Lincoln em 10/07/2014

 

Obs: Com autorização do autor, a quem agradeço.

 

360 segundos*

ANTERO GRECO

Quinta-Feira 10/07/14

Rapaz, ficou atordoado com a lavada de anteontem? Não se preocupe, não há nada de anormal, pois se trata de fenômeno nacional. O Brasil amanheceu sem entender direito o que houve no Mineirão, com ressaca futebolística que se refletiu até na desanimada tentativa de secar a Argentina contra a Holanda. A comissão técnica da seleção [...]

Rapaz, ficou atordoado com a lavada de anteontem? Não se preocupe, não há nada de anormal, pois se trata de fenômeno nacional. O Brasil amanheceu sem entender direito o que houve no Mineirão, com ressaca futebolística que se refletiu até na desanimada tentativa de secar a Argentina contra a Holanda.

A comissão técnica da seleção também continua chocada, em estado catatônico. Parece não ter se dado conta do significado dos 7 a 1 em Belo Horizonte. Por causa do enorme trauma que viveram à beira do campo, personagens importantes desse episódio negativo criaram realidade paralela, recorreram a escudo hipotético para defender-se e segurar o baque. Optaram por negar o tamanho do estrago, como se assim não tivesse existido, não passasse de um pesadelo momentâneo.

Fiquei triste (sem ironia) de ver o esforço de senhores com currículo venerável a responderem, ontem, perguntas com muitas evasivas. Estavam acuados, magoados, amargurados e tiveram reações distintas. Felipão acusou o golpe e ensaiou explicações mais espontâneas. Porém, foi sistematicamente interrompido por um Parreira irônico, impaciente e impermeável à estupefação. Pelo menos na aparência.

“O futebol brasileiro continua forte como sempre”, teve coragem de comentar. E, para provar que a imagem permanece inabalável, leu e-mail de uma senhora que se derramou em elogios a Felipão. A plateia de jornalistas ficou sem reação diante da cena inusitada. Até Felipão ficou sem graça.

A necessidade de âncora era evidente. Tanto que campeões de outrora se agarraram à observação feita por um repórter a respeito “dos seis minutos de apagão” que resultaram em quatro dos sete gols alemães. Sete gols numa semifinal de Copa sofridos pelo time da casa! E, como se ali estivesse a essência da explicação para o desastre, lamentaram a pane, a inexperiência, a sofreguidão dos rapazes jogados às feras.

Eis o mal. Não digerir a frustração e vendê-la como ligeiro arranhão em campanha de sucesso. Beirou a soberba. Compreensível o toque de arrogância, porque a paulada foi enorme e deixou zonzos a todos, mas é sempre um mal transformar um tsunami – termo que Felipão usou – em mero acidente de percurso.

O Brasil não teve só seis minutos de blackout que resultaram na eliminação mais doída de sempre. A seleção viveu o Mundial em tilt, e os momentos de naturalidade foram exceção. Inútil rechaçar, não há como convencer o público do contrário. Foram 7 a 1! Sei, é duro engolir.

Espero que, superada a fase da devastação, da incredulidade, Felipão, Parreira, Paixão e demais recorram à larga experiência que acumularam em décadas e botem o bisturi no centro da ferida. Vai doer, mas fará bem a eles e ao futebol brasileiro.

Não se lida com 7 a 1 na cacunda com a ligeireza de governante a explicar malversação de verbas. O povo cai na lábia de político, mas não tente convencê-lo de que 7 a 1 não pesa! Aí, amigo, não tem Cristo que convença.

*(Minha crônica publicada no Estado de hoje, quinta-feira, dia 10/7/2014.)

PS. No texto original, saiu escrito “três dos setes gols alemães”. Foram quatro, com a devida correção aqui. Ou seja, também fiquei atordoado com a surra… 

"Vamos ganhar da Colômbia, pô"

Escrito por Mhario Lincoln em 03/07/2014

"Vamos ganhar da Colômbia, Pô", diz um jogador inflamado da Seleção Brasileira. Na verdade criou-se um parangolé imenso diante da amarelada chorosa de alguns jogadores do escrete canarino. Mas, no fundo, segundo bela reportagem da revista Istoé, assinada Yan Boechat  e Wilson Aquino, eles contam com algo que pode estremecer qualquer adversário. Segundo o texto original,

 

"As estatísticas deixam claro que jogar com o apoio das arquibancadas é uma vantagem e tanto no futebol, mas a história também mostra que em Copa do Mundo isso pode não significar muita coisa".

 

 

Bom ler:

 

Fator torcida

Original: Por Yan Boechat (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ) e Wilson Aquino (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. )

 

As estatísticas não mentem: jogar em casa é uma vantagem e tanto no futebol. Dados de diversos campeonatos nacionais ou continentais mostram que as chances de a equipe visitante vencer um time que está jogando em seu estádio e com o apoio de sua torcida é inferior a 30%. No Campeonato Brasileiro, por exemplo, os times que jogaram em casa na temporada de 2013 perderam apenas 25% das partidas disputadas em seus estádios. Na Premier League, a primeira divisão do futebol inglês e um dos maiores campeonatos de futebol do mundo, os visitantes saem-se um pouco melhor que os brasileiros: em média, conquistam 27% das partidas que disputam fora de casa. São números impressionantes e fosse o futebol uma ciência exata como a estatística seria fácil prever que uma equipe forte e tradicional como o Brasil disputando uma Copa do Mundo em seu território seria praticamente imbatível. Mas a realidade, para a alegria daqueles que amam as imprevisibilidades do futebol, não é bem essa. Ainda mais em um campeonato como o que ocorre no Brasil, em que as torcidas estrangeiras, em especial as latino-americanas, estão invadindo os estádios e fazendo seus times se sentirem em casa.

 

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NEYMAR NA REDE
A intensidade de se jogar dentro de casa pode ter
efeitos diferentes em cada jogador

 

O fator torcida parece, de fato, ter sido determinante para que alguns países conseguissem conquistar títulos mundiais inéditos ou mesmo avançar a etapas nunca antes imaginadas por seus mais otimistas torcedores. Mas em um número de casos quase igual o fato de estar se jogando em casa não contribuiu em nada para que seleções tradicionais, com equipes fortes, conseguissem reverter essa vantagem estatística em vitórias e, por fim, na conquista de campeonatos mundiais.

Perder uma Copa em casa é muito mais comum do que possa parecer. Dos oito países que já conquistaram um título mundial na história, cinco deles sediaram Copas do Mundo e perderam títulos em casa. O caso mais emblemático, ao menos para os brasileiros, é o do campeonato mundial de 1950. O Brasil chegou àquela final em um Maracanã com cerca de 200 mil pessoas – 10% da população carioca da época – certo de que seria o vencedor. O fracasso em casa também se abateu, por exemplo, sobre a Itália em 1990. Apenas oito anos antes a Azzurra havia vencido a Copa de 1982, na Espanha, de forma heroica e a esperança da conquista do tetra campeonato era enorme. Deu Alemanha.

 

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Em média, uma equipe que joga com o apoio de sua torcida
tem 70% de chances de vencer ou empatar uma partida

 

Na outra ponta, times como França e Inglaterra foram claramente influenciados pelo fato de estar jogando em seu território e conquistaram ali seus únicos títulos da história. Assim como a Coreia do Sul, uma equipe sem nenhuma tradição na história dos mundiais, conseguiu conquistar um improvável quarto lugar no campeonato disputado em seu território.

“Esse é um tema controverso e que varia muito de atleta para atleta”, diz o psicólogo João Ricardo Cozac, presidente da Associação Paulista de Psicologia do Esporte. “Para alguns, esse fator torcida, o apoio da população, é um incentivo imenso. Para outros, é uma pressão difícil de controlar”, diz ele. Cozac defende que seja feito um detalhado perfil psicológico de cada um dos 23 jogadores da equipe para definir como será o trabalho com cada um deles, de forma individualizada. “O perfil de personalidade e as características de tendência de comportamento competitivo são fundamentais para o sucesso ou para o fracasso.”]

 

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DOIS MOMENTOS
Em 1950 (acima), o Brasil não se beneficiou por jogar em casa,
enquanto a Inglaterra só venceu uma Copa em seu território

 

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Nesta Copa do Brasil, os jogadores da Seleção têm vivido intensamente toda a pressão e todo o incentivo de se jogar em casa. É fácil perceber isso em diversos momentos. O mais claro deles tem acontecido no momento em que os torcedores abandonam o protocolo da Fifa e passam a entoar o Hino à capela. Na partida contra o México, em Fortaleza, na terça-feira 17, Neymar Jr. foi aos prantos. Júlio César, o tão contestado titular no gol do Brasil, também não tem contido as lágrimas.

Para Renato Gaúcho, um jogador que atuou por diversos dos maiores times brasileiros, esse apoio é positivo para o País. “A torcida te empurra, faz você tirar forças de onde pensa que não tem.” Já Djalminha, que venceu a Copa América com o Brasil em 1996, reconhece que as arquibancadas podem influenciar o jogador de forma negativa. “A torcida funciona como termômetro, se vaiar é porque o time está mal. O jogador é influenciado por essa energia.”

Com a invasão dos latino-americanos, nem sempre há garantia de
que o Brasil jogará com o apoio de 100% da torcida

Nesta Copa do Brasil, no entanto, nem sempre jogar em casa significa ter toda a torcida a seu lado. Com a invasão dos torcedores estrangeiros, em especial a dos latino-americanos, que parecem às vezes até mais empolgados do que o público brasileiro que tem ido aos estádios, o grito mais alto pode não ser em português. Foi o que aconteceu em diversos momentos em Fortaleza. O Castelão tinha ao menos 25% de seus lugares tomados por mexicanos, que, em vários momentos, abafaram a torcida brasileira e fizeram a equipe de Chicharito se sentir em casa.

Na segunda-feira 23, a equipe de Felipão vai poder mostrar de forma definitiva como está sendo influenciada pelo fator torcida. No Mané Garrincha não haverá invasão camaronesa e, a partir de agora, todo jogo é eliminatório. Mesmo contra Camarões. Um derrota pode colocar fim ao sonho de o Brasil, enfim, conseguir apagar o trauma de 1950 e conquistar uma Copa do Mundo em casa.

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Fotos: Pool New/Reuters/Latinstock; Marcelo Piu/Agência O Globo

Um deputado chamado Tiririca

Escrito por Mhario Lincoln em 25/06/2014

Com http://www.olharnews.com/

 

 

Quase 4 anos depois, sem aprovar um projeto sequer, ignorando a tribuna da Câmara, Tiririca volta a ter grande votação em São Paulo.

 

 

Em 2010, o humorista Tiririca se elegeu deputado federal usando como tema de campanha a frase “vote no Tiririca, pior do que tá não fica”.  Pois bem, Tirica  convenceu 1,3 milhão de eleitores a votar nele, uma das maiores votações já alcançadas por candidatos à Câmara Federal em todos os tempos.

E lá se foi o Tiririca para Brasília, com o cacife de mais de um milhão de votos.  Nesses três anos e meio, entretanto, o deputado Tiririca não fez absolutamente nada para ajudar seus eleitores, em primeiro lugar, e o pais, como um todo. Tiririca não conseguiu aprovar um só projeto de lei e nunca ocupou a tribuna da Câmara.

 Nas 362 sessões da Câmara nesse período, "nosso herói" permaneceu mudo, sem fazer um pronunciamento, Agora Tiririca volta a atacar e já avisou que quer continuar ocupando uma cadeira na Câmara. Seu partido, o PR, está apostando no humorista, esperando que ele possa repetir sua estrondosa votação de 2010 e com isso “puxar votos” para eleger outros candidatos.

Obs: Mesmo tendo sido eleito por puro protesto, ele ainda se sobressai diante do mar de lama e corrupção que impera em nossas casas legislativas. O Brasil está tão atrasado democraticamente que ainda se fica feliz com a máxima "O melhor entre os piores". O povo brasileiro precisa urgentemente acordar, ou não! Afinal somos assim desde 1500....

N.E. (Partilha): Dentre mortos e feridos, Tiririca volta nos braços do povo paulista consagrando-se como um dos mais votados das eleições 2014.

Depois o povo vai chorar miséria.

 

Mhario Lincoln com http://www.olharnews.com

Chuva de Ações contra Receita

Escrito por Mhario Lincoln em 18/06/2014

DIREITO DE DEFESA

OAB prepara chuva de ações judiciais contra julgamentos secretos na Receita

Por Alessandro Cristo

Com a intensificação do debate sobre a abertura ao público dos julgamentos administrativos de primeira instância da Receita Federal, a Ordem dos Advogados do Brasil adota tática de guerrilha para forçar o Fisco a abrir mão do sigilo das sessões ou, caso a estratégia não dê certo, para se cercar de jurisprudência e levar a discussão ao Supremo Tribunal Federal.

Duas seccionais, a do Rio de Janeiro e a do Distrito Federal, já ajuizaram Mandados de Segurança para forçar as Delegacias Regionais de Julgamento a intimar os contribuintes a comparecer às sessões e a abrir espaço para advogados fazerem sustentações orais. Elas já conseguiram liminares. A seccional catarinense, por sua vez, oficiou a Receita Federal no estado, informando sobre as decisões judiciais. Outras seccionais já manifestaram interesse pela via judicial e, até o fim do ano, todas devem entrar com ações.

É o que prevê o presidente da Comissão Especial de Direito Tributário do Conselho Federal da Ordem, Jean Cleuter Simões Mendonça (foto). “Julgamentos secretos, sem sustentação oral ou participação do contribuinte, são incompatíveis com princípios constitucionais como os da publicidade, da transparência, do devido processo legal e do contraditório”, defende.

O advogado afirma que o Conselho Federal aguarda o desenrolar de ações judiciais nos estados para agir. Como as delegacias de julgamento são regionais, os ajuizamentos cabem às seccionais. E os presidentes das comissões tributárias de quase todas já pediram os fundamentos dos Mandados de Segurança vitoriosos. “Vamos ver a jurisprudência se formar primeiro. E, se for o caso, a comissão nacional votará sobre um remédio constitucional no Supremo, que teria de ser aprovado pelo Conselho Federal”, planeja Mendonça.

A Medida Provisória 2.158-35, de 2001, determinou que as impugnações de contribuintes contra autuações fiscais sejam julgadas por órgãos internos de deliberação colegiada da Receita Federal — as delegacias. Advogados podem elaborar as defesas, mas somente despacham com julgadores ou fazem sustentações em segundo grau, caso haja apelação contra a decisão das delegacias no Conselho Administrativo de Recursos FiscaiS, que tem sede em Brasília.

Para a advocacia, se o julgamento de primeira instância é colegiado e fruto de deliberação entre auditores, o contribuinte tem o direito de tentar convencê-los durante as deliberações. "O Estatuto da Advocacia permite ao advogado o acesso a todos os lugares", defende o presidente da Comissão de Estudos Tributários da OAB do Rio de Janeiro,Maurício Faro (foto). No Mandado de Segurança ajuizado na Justiça Federal do estado (o primeiro do tipo e que serve de base para os demais), a comissão diz que a falta de regras internas da Receita disciplinando a abertura não pode impedir “o direito do interessado em ver seus argumentos devidamente contemplados pelo órgão julgador”.

O Fisco rebate dizendo que abrir as sessões contrariariam legislação específica, e inviabilizaria a administração tributária, por conta da obrigatoriedade de intimação de contribuintes e advogados. Mas segundo a seccional fluminense, ao vedar a participação dos contribuintes nos julgamentos, as delegacias tornam-se “meramente ratificadoras ou retificadoras dos atos administrativos” da Receita Federal, uma vez que suas decisões mostram posturas fiscalizadoras.

Argumento persuasivo
O argumento já convenceu pelo menos na primeira instância da Justiça Federal no Rio e no Distrito Federal. Liminar concedida em janeiro pela 5ª Vara Federal fluminense determinou que a Receita passasse a designar dia, hora e local para os julgamentos administrativos fiscais de primeira instância.

 

Carta a Marconi, 4 anos depois

Escrito por Mhario Lincoln em 10/06/2014

Marconi Caldas faleceu em 21 de maio de 2010.

Portanto, reproduzo aqui matéria escrita por mim e publicada no Blog de Hélcio Silva sobre esse maravilhoso humano que deixou rastros de muita poesia e sinceridade humana.

 

 

"Com 21 anos e já deputado estadual,

tentojuntar a sua

poesia humana ao desumano ato de politicar." (ML)

 

 

O QUE MARCONI REPRESENTOU...

 
O que meu primo Marconi Caldas representou pra mim

 (*) Mhário Lincoln 
 

Escrito em 25.05.2010
 
 
Meu primo Marconi (foto)  se foi numa madrugada de sexta-feira. (21.05.2010).

E ele gostava das madrugadas de sexta-feira para poetar e transmitir aos seus amigos e admiradores seus verdadeiros dons d’alma: poetar.
 
Em “3 Atos para o Povo”, meu primo com 21 anos e já deputado estadual, tentou juntar a sua poesia humana ao desumano ato de politicar. Até mesmo antes de subir os degraus do Céu, me dizia que sua peça, em 3 atos, já não tinha mais a importância que teria à época de sua construção, ”o mundo mudou muito, Mhario”, me disse.

E como mudou Marconi. Quantas vezes nós dois, escondidos do Mundo para poetar, diante do gravador problemático da era digital, ou diante do vídeo-cassete que insistia em não retroceder, imitando o dono, na maioria das vezes, tu, com lágrimas nos olhos, me confidenciava os ardores da política maranhense; tuas decepções. 

Mas, sobretudo, tua crença na vida pública, mesmo afastado dela desde 1986, quando encerrou seu último, dos muitos mandatos parlamentares vividos em plena Casa de Beckman, (AL-MA) o herói maranhense, o nosso Manoel Bequimão, insurgente contra a desumanidade inquisitória daqueles que tomaram nossa bela e inesquecível São Luís do Maranhão.
 
Meu caro primo-irmão Marconi de todos os Caldas. Inesquecíveis serão teus atos e versos, Soldado da Távola, Vigia do Côncavo, Mágico Misterioso das nossas Células:
 

 

Marconi Caldas - O Poeta
 
 
 CONSTATAÇÃO 
 
(*) Marconi Caldas

Estou em ti
No turbilhonamento do teu sangue
Na magia misteriosa de tuas células
Eu sou o vento arrogante que redemoinha teus cabelos,
A fonte onde bebes
A sede dos teus lábios sedentos.
Eu sou a cama onde deitas teu corpo e teus desmaios
E plantado em ti povôo o mundo.
Sou o cacto do teu caminho,
E sou o céu que imaginas teu.
Sou tronco onde se nutre e floresce a orquídea do teu prazer
Eu sou a pedra que atiras impunimente
Contra a vidraça do tempo
Sou a hóstia do teu absoluto momento de contrição
Eu brilho no teu escuro
Sou teu vagalume
Sou tua sandália,
Ando contigo e por ti.
Sou a seda do Oriente que envolve o teu corpo de mulher
E suga cada poro teu
Ao som de alucinados alaúdes
Sou tua janela
Que se abre com a mão da manhã
Também sou a paisagem
Que toma de assalto
Os teus olhos indefesos.
Sou locatário da tua saudade
E não aceito despejo
Eu sou…
E quem sou eu?
A me buscar
Eu sempre te descubro
E espantado constato
Eu sou TU.
[02-10-08] 

*****************
Uma vez te vi de longe no discurso histórico contra as metralhadoras da Ditadura que invadiram a tribuna santa do Povo; a Assembléia Legislativa, para prender parlamentares. A tua bravura as fez recuar. Nem um tiro foi disparado, mas tua voz vibrante, ecoava até mesmo na ladeira do Beco do Éden onde nascestes, “nasci no beco do Éden, na esquina do Paraíso”.
Também vi teus olhos umedecerem quando a mesma Assembléia aprovava a criação do município de Açailândia-Ma, projeto teu, ao encontro dos anseios de dezenas de anos daquela população que te ama e fez de ti o grande ídolo político do sul do Maranhão. 
Vi teus olhos chorarem imensamente na perda irreparável do teu pai, meu padrinho Tácito da Silveira Caldas, o Gigante que Sorri; o desembargador-pai do município de Paço do Lumiar; também vi teus olhos verterem lágrimas tristes quando tia Viola, a fantástica Violeta Caldas, tua mãe, irmã da minha Flor de Lys, desceu a ladeira da eternidade.
Hoje estás com eles, com Alaíla, tua tia-mãe, com teus amigos inseparáveis, o príncipe Murilo Sarney, o fiel dr. Domingos Manteiga, o eloquente Carlos Cunha, o calmo José de todos os Santos, como tu chamavas carinhosamente teu tio e meu pai José Santos. Lá também encontrarás teu tio e teu ídolo, teu ícone, o ex-deputado Líster Caldas, que te fez homem, que te fez político, que te fez lutar nas trincheiras da guerra a favor de o teu povo. Deves estar sorrindo aquele sorriso lindo, puro, verdadeiro; sorriso de quem vence, de quem chora, de quem lamenta, de quem cai, de quem se conforma, de quem se entrega a Deus. Abraçado com teus amigos, parentes, pai e mãe, teu sorriso agora não trava entre as quatro paredes de teu quarto climatizado. Ele ultrapassa os umbrais da dormência e se perde no mergulho infinito das auras coloridas, do perfume Channel número 05 de Violeta, no abraço sensível de Lalá, nas histórias de vida de Murilão ou nas tiradas espetaculares de Domingos Manteiga, após a poesia marcante de Carlos Cunha.
O piano do hotel do Moacir Neves – com ele ao lado – deve ter sido colocado na sala onde fostes recebido. Lá, Escurinho do Samba logo emendou um “quando eu morrer, não quero choro, nem vela…” estonteante para dançares com tua Violeta sob um tapete vermelho imensurável. Zé Hemetério olhou para Tácito e esse com um sinal o fez entoar Zorba, o Grego. Logo, de papel e lápis na mão, reescrevestes um de teus mais lindos sonetos: “D. Quixote de La Mancha”, onde ”todos estamos à procura de Dulcinéias”.
E sabe quem te preparou as entradas, limpou os salões, poliu os cristais das estrelas onde beberás o vinho de tua imensidão poética? Luis. Nosso inesquecível Luis.
Ele também está aí, te olhando por trás das grossas cortinas que descerram o palco de tua vida aqui na Terra. Do outro lado, de olhar em riste, teus tios Zé Mota e Vicente Costa ainda estão tão surpresos em te rever assim tão jovem, tão bonito, vestido no teu melhor paletó, como naquele dia em que cruzastes toda a nave da Igreja para desposar teu único amor verdadeiro: Maria de Fátima Lyra dos Reis Caldas.
Sim, porque essa foi a mulher que te acompanhou até o teu sepulcro e por ti chorou tua ausência física. Ela é infinitamente forte ao sentir-te pulsante, dentro de suas entranhas – e para ela – tu escreveste, sob forte paixão: “Quando te beijo, meus lábios se enchem de mel“. Lembra-te do Dia dos Namorados em que comemorávamos todos juntos? E quando falastes o verso, no final repetistes com lágrimas nos olhos: “Adeus que eu parto com a hora morta, Para não ter partida nem regresso”. Antevias este momento e confiava no amor de tua esposa.
 
Vou contar essa:

DOCE AMADA

(*) Marconi Caldas
 
Doce amada,
a catedral dos ventos se dissolve
No aroma infinito das orquídeas,
Porque teu corpo
De brancas ondas feito,
Se volatiza na luz ultra violeta.
Agora que me vou sem rumo certo,
Guarda o estandarte que ganhei pra ti,
A rosa que fiz com teus perfumes
E a corrente de metal dourado
Que artesanei para atar-te os pés.
Adeus que eu parto com a hora morta,
Para não ter partida nem regresso.
(Feliz Dia dos Namorados).


Para ela, a tua esposa e companheira, tua mulher, origem da filha Alekssandra e de teu neto José; José de todos os Marconis; Basta olhar nos olhos dele e ver os teus, Marconi. Olhar para tua filha e ver a tua alma nela, os teus lábios nela, nela, também, o teu velho sorriso inesquecível eternizado e ainda grudado em algumas paredes de Açailândia, datados de 1986, nos retratos de tua última campanha constituinte.
É Marconi. O tempo passa e com ele nossa vida por aqui parece um rolo de linha. Quanto mais rápido se puxa o fio, mais rápido ela se esvai. Mas acho que do outro lado da linha, impacientes, também estavam aqueles que te amam muito e estavam a tua espera. Uma a um foi subindo o Monte das Oliveiras. Deixaram migalhas do pão divino para que tu não esquecesses o caminho de ida. Tua mulher, tua filha, teu neto, teus primos e eu sabemos. Estavas, agora, compondo um dos mais justos parlamentos do universo: o dos Céus.
 
 
   SONETO DO DEPOIS

                                                      MARCONI CALDAS

CAVALEIRO DA MANCHA,  LANÇA EM RISTE,
DEPOIS DE HAVER RELIDO EPOPÉIAS,
BUSQUEI PELOS CASTELOS DULCINÉIAS
E VOLTEI SEM VISEIRA COMO UM TRISTE

D. QUIXOTE DO SONHO, SE PARTISTE,
CLAUDICANDO NAS NOITES MELOPÉIAS
AOS MOINHOS DO AMOR ENTÃO FERISTE
E AS COISAS SANTAS SE TORNARAM ATÉIAS

POIS CAVALGANDO SEMPRE UM ROCINANTE
ME FUI PELOS OUTEIROS DELIRANTE
OUVIDANDO A DURÍSSIMA VERDADE:

SOMOS TODOS NA VIDA D. QUIXOTES
ILUSÓRIOS E DOIRADOS LANCELOTES
PROCURANDO ENCONTRAR FELICIDADE
 
 

Aqui embaixo também esperamos nossa hora de sermos chamados. Todos nós seremos chamados. Todos nós participaremos, ao final, da grande mesa e escutaremos os Cavaleiros do Apocalipse vindo nos convidar para essa viagem. E quando adormecermos nós pediremos para que os cavaleiros pisem de leve em nosso território, assim como descrevestes tão bem no soneto: Território:

 
TERRITÓRIO

(*) Marconi Caldas
 
 
Deverás descalçar tuas sandálias
Para que não esmagues as rosas do meu chão
Aqui, não há lugar para os mesquinhos
Só para o homem azul vestido de ternura
Aqui, há uma virgem dormindo
na alcova de uma rosa.
Pisa leve,
não deves despertá-la.
Esta é a pátria da serenidade,
Meu território poético.
Não há dragões com chibatas de fogo
Só carícias de mãos brancas.
E as rodas dos canhões
Nunca sulcaram minha terra
Deixa atrás de minhas fronteiras,
A problemática do átomo
E vem gravitar comigo
Na órbita do sonho.
Aqui, não há hoje,
não há ontem
Nem amanhã. Aqui é
O metafísico exercício do eterno.

Nova pesquisa revela: Brasileiro bom de cama 'é MITO'

Escrito por Mhario Lincoln em 06/06/2014

Edição e Montagem Mhário Lincoln

Original de: Yannik D'Elboux, UOL, no Rio de Janeiro 

Ilustrações originais de Leh Latte/UOL

 

 

"O sexo no Brasil não é satisfatório para uma boa porcentagem da população", de acordo com Carmita Abdo, psiquiatra e coordenadora do ProSex (Programa de Estudos em Sexualidade) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo).

A informação é confirmada pela pesquisa Durex Global Sex Survey, conduzida pela fabricante de preservativos com 1.004 brasileiros de forma anônima.

O estudo mostrou que 51% dos homens e 56% das mulheres estão insatisfeitos com a vida sexual. Por que o sexo anda tão ruim?

Além de Carmita, a ginecologista Caroline Nakano Vitorino, especialista em Sexualidade Humana pela Faculdade de Medicina da USP, e o psicólogo Oswaldo Rodrigues Júnior, diretor do Inpasex (Instituto Paulista de Sexualidade), ajudaram o UOL Comportamento a levantar as principais razões dessa insatisfação.

 

 

Tamanho do pênis, orgasmos múltiplos e quantidade de relações sexuais ainda são preocupações dos brasileiros. Mitos relacionados a esses aspectos, além de muitos tabus e preconceitos, prejudicam a qualidade da vida sexual. Na pesquisa promovida pela Durex, apenas 7% declararam não ter tabus sobre sexo, diz a ginecologista e sexóloga Caroline Nakano Vitorino.

 

 

FAMA DO BRASILEIRO: a comparação com a ideia que o mundo tem do brasileiro, visto como bem resolvido e bom de cama, interfere na vida sexual. Nem sempre tudo o que costumam dizer por aí condiz com o que acontece entre quatro paredes. "A pessoa começa a ficar insatisfeita, pois a percepção que o mundo tem da sua sexualidade não corresponde ao que ela efetivamente faz", explica a psiquiatra Carmita Abdo. Ater-se a um padrão inexistente só atrapalha, levando a estabelecer expectativas às vezes altas demais.

 

 

REPERTÓRIO SEXUAL POBRE: o brasileiro está precisando variar um pouco mais o cardápio para melhorar sua satisfação sexual. Para a médica Caroline Vitorino, a falta de informações úteis, aliada aos mitos e tabus, fazem com que as pessoas adotem práticas sexuais repetidas no cotidiano, que não valorizam o relacionamento. "Criatividade, senso de humor, felicidade e iniciativa são bons temperos para incrementar esse repertório", fale a ginecologista e sexóloga 

 

Copa/2014: PORTUGAL GANHA

Escrito por Mhario Lincoln em 05/06/2014

(*) MHARIO LINCOLN

 

Por isso e por causa disso, senhores reis nus deste gigante adormecido eternamente, sustentando com suas tetas, dirigentes que vivem deitados eternamente em berço esplendido, enquanto o povo se explode, que Portugal já ganhou do Brasil.

 


Um amigo que se pós-doutora em Direito, no país co-irmão, Portugal, envia interessante análise independente mostrando dados sócio-políticos sociais do Brasil e de Portugal.


Enquanto deste lado do Atlântico se faz piada de português, do outro lado, portugueses (com parentes diretos neste país) choram de tristeza diante dos números preocupantes que nascem diariamente por aqui. Coisas absurdas se comparadas a uma Europa praticamente devastada pela crise e, especialmente Portugal, atingido que foi diretamente pelo petardo do euro.


Nas várias comparações tristes entre os dois países, destaquei as seguintes:

 


1 -RANKING DA EDUCAÇÃO (PISA)
a) A posição do Brasil é em analfabeto 58º lugar, enquanto a posição de Portugal ( mesmo em crise latente), é o 31º.

 

2 - TAXA DE HOMICÍDIOS
b) Enquanto Portugal, a cada 100 mil habitantes, tem taxa de 1,2, o nosso Brasil, nos últimos 12 anos de PT tem atingido absurdo número de 25,2.

 

3 -INFLAÇÃO ACUMULADA EM 2013
c) Em plena crise latente Portugal conseguiu a proeza de ter uma inflação controlada de 0,44%/ano. Nosso Brasil querido da Copa/14 - a Copa das Copas - maquia inflação em torno de 6,2%.

 

4 - PIB PER CAPTA ANUAL
d) O Brasil amarga um pibizinho de 11,3. Portugal, diante de uma crise europeia latente tem um PIB (avassalador) de 20,7.

 

5 -SALÁRIO MÍNIMO


e) Enquanto os autoridades brasileiras cospem piadas de português e pagam salários de miséria (em torno de R$ 724,00) para seu povo, em Portugal, seus trabalhadores em crise, conseguem receber R$ 1.493,00.


6 - ÍNDICE DE CORRUPÇÃO
f) Neste índice, os portugueses que amam o Brasil choram. Em Portugal, esse índice (altíssimo) coloca o país em 33º lugar no Mundo. O Brasil é o 72º. (*) Quanto maior, mais corruptos.

 

7 - PLAYSTATION (Cobiça/Impostos)
g) Enquanto em Portugal um Playstation (jogo eletrônico/digital para console PS I,II ou III), custa R$ 1.230,00, no Brasil, pelo antropofagismo incontrolável do PT e seus impostos, um PS custa R$3.999,00

 

8-VELOCIDADE DE INTERNET
h) E por fim, num item básico que ostenta a fama de fazer "A Copa das Copas", temos uma internet de, apenas, 2,7 de velocidade, enquanto nossos co-irmãos (em crise latente) conseguem uma velocidade de 6,0.

 

Por isso e por causa disso, senhores reis nus deste gigante adormecido eternamente, sustentando com suas tetas, dirigentes que vivem deitados eternamente em berço esplendido, enquanto o povo se explode, que Portugal já ganhou do Brasil.
E nem precisou a Copa das Copas para se provar isso.

Portugal cresce e o Brasil despenca seguindo religiosamente conceitos ideológicos ultrapassados, mortos-vivos, de países como Venezuela e Cuba.

 

Mhario Lincoln é jornalista sênior, editor de www.partilhabr.com.br


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