A revelação da “morte de Deus”

Escrito por Mhario Lincoln em 07/05/2015

Especial IHU

 

A revelação da “morte de Deus” e a teologia materialista de Slavoj Žižek

Original do do teólogo norte-americano Adam Kotsko, professor do Shimer College de Chicago.

O primeiro artigo desta publicação pretende conectar a ontologia e a ética – elas próprias inter-relacionadas – de Visão em paralaxe (de Žižek) com a teologia. Ao colocar os conceitos a operar teologicamente, ou, em outras palavras, ao introduzir estes conceitos na teologia, reflete-se sobre a relação entre o materialismo dialético e a “morte de Deus”. O segundo texto apresenta um resumo da leitura de Zizek sobre a “experiência cristã” no livro Visão em Paralaxe.

Clique aqui para acessar este artigo em PDF.

Canção para Tereza

Escrito por Mhario Lincoln em 07/05/2015

"Eu quero/ alfabetizar meu olhar/ para ler em ti/

todas as sílabas que me compõem"

 

('Digitais da Essência'capa do livro de 2000)

 

Foi só no seu quinto livro que passei a conhecer Tereza Braúna Moreira Lima, embaixadora da poesia do Maranhão, cujas digitais forjaram dezenas de artistas a partir de sua revolucionária maneira de olhar o mundo.

Meu amigo e também poeta maior Luis Augusto Cassas, ao apresentar esse seu quinto livro, naquela época, foi feliz em afirmar: "Tereza é profundamente complexa, fruto de rara sensibilidade, aliada à perfeita maestria no manejo das palavras".

E como tem razão Cassas, se não, veja essa performance ortográfica emocionante: 

"Deixo-vos pétalas carnais/vestidas de versos/num buquê de despedida".  

Para mim é inevitável não amar, por exemplo, esta estrofe de seu 'Idílio de Ti', como lemos:

"Eu quero/alfabetizar meu olhar/para ler em ti/todas as sílabas que me compõem".

Ah! Tereza amiga. Há 11 anos quando mudei para Curitiba, embarquei no avião relendo "Digitais da Essência".

Um vôo de 8 horas com paradas em dois aeroportos. Não dei-me conta das horas. Elas passaram rápido. Consumi uma, duas ou três vezes cada pedacinho de sua alma, escrito naquelas páginas publicadas no ano 2000.

Ano da mudança, da modernidade, dos pararis e pararás, mas ano em que conheci, me apaixonei e me emocionei com seus fantásticos delírios poéticos e insights como em 'Luz na Sombra', 'Beijo', o fantástico 'Entrelaço - Plasma tua fonte/em minha fonte/e verte em meu rio caudaloso/o abraço estremecido/na convulsão do encontro.', 'A última Dança', 'Testamento', ou ' (...) um homem a procurar sua porção na digestão do tempo(...)', de 'Demarcação', algo forte e decisivo.

Impressionou-me como uma dama da sociedade, inquieta e linda formadora de fãs e admiradoras, elegante e bem-amada, desenvolveu, com humildade elogiável, um lado humano impecável, como as atitudes que lhe coroam o status.

Refleti muito por esse lado maduro e consciente ao ler 'Súplica do Supérfluo', prova inconteste da alma bronzeada, mas valorosa, que você guarda no coração.

Dá licença? Não resisti:

"Dentro do armário/gemem em cabides/roupas esquecidas/ansiando por vida/no corpo de quem as quer (...) Debaixo da ponte/gemem farrapos/gente esquecida/ansiando por roupas/ de quem não mais as quer".

Um grande abraço. Seja bem-vinda, embaixadora. 

 

 PARTE E TODO

(*) Tereza Braúna Moreira Lima

 Sou aclive

Sou declive

por isso sou montanha

Sou o todo deste lodo

desta rosa...

 

Sou o palco

Sou o fato

Sou plateia desta peça em dois atos

nascer-morrer

no intervalo de viver

Sou a morte que não morre

pelo fato de a conter

 

 

 

Putz Rafão, esse livro me faz bem!

Escrito por Mhario Lincoln em 07/05/2015

Na foto, Eu e a poeta Vanice Zimerman Ferreira ladeados pela atriz Carla Ramos (Senhora Alegria)

e Walaci Santos (Vendedor de Canetas). À frente o autor Rafão Miranda e seu filho. (Parabéns)

 

 

 

(*) Mhario Lincoln

Caminhava em direção à Rua Riachuelo para atingir a Marechal Deodoro, onde resolveria pendências bancárias. Cabeça à mil. De repente, no meio do Passeio Público, sentei no primeiro banco que avistei. Cruzei as pernas e abri aleatoriamente o livro.

Um susto! Num mesmo texto o autor misturava o algodão das nuvens com espada ninja para, ao fim, “com letras ainda rabiscadas” escrever “no cantinho: AMO-TE”. Bummm. O gênio da lâmpada me traz de volta algo muito parecido com as extravagâncias nas telas de Salvador Dali. Mas, nem só disso vive letras e parágrafos, ali, impressos.

Unesco quer melhorar a qualidade do jornalismo

Escrito por Mhario Lincoln em 07/05/2015

Original de Leda Letra/Rádio ONU, em Nova York

 

"Todas as pessoas precisam ser livres para “buscar, receber e partilhar conhecimentos e informações

na mídia online e offline”. (UNESCO)

 

 

No Dia Mundial da Liberdade de Imprensa a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) defendeu que as reportagens sejam melhor apuradas. Segundo a agência da ONU, é necessário melhorar a qualidade do jornalismo, num momento em que “o ambiente da mídia está mudando constantemente com a tecnologia”.

Por que sofremos?

Escrito por Mhario Lincoln em 02/05/2015

Original do "Correio Espírita"

Por Cláudio Sinoti – De Salvador/BA Colaborador CCCE 

 

Por que sofremos?

Esse questionamento tem sido feito desde a antiguidade, porquanto a condição humana caminha lado a lado com o sofrimento, desde as suas origens. Inúmeras respostas foram dadas para explicar esse fenômeno, desde a religião, a filosofia e a ciência, que em suas variadas escolas e vertentes apresentaram propostas e convicções diversas, na tentativa de esclarecer e minimizar sua intensidade. Alguns séculos antes de Cristo, o príncipe Sidarta Gautama, que mais tarde se tornaria Buda – o Iluminado – especialmente após deixar a vida cercada de luxo no palácio em que vivia, deparou-se com a realidade do sofrimento, e ao atingir o estágio de iluminação, conforme as narrativas biográficas, estabeleceu suas 4 nobres verdades, segundo as quais:

Lorena Rocha em Congresso

Escrito por Mhario Lincoln em 02/05/2015

Lorena Lima Rocha em Congresso Internacional de Psicologia Jurídica

Promovido pela Associação Brasileira de Psicologia Jurídica, presidida pela dra. Aline Lobato (Campina Grande, PB), o I Congresso Internacional de Psicologia Jurídica, realizado na cidade de João Pessoa, até 11 de Abril passado, obteve grande sucesso.
O evento visou ampliar os conhecimentos acerca dos diversos parâmetros de análise e atuação das subáreas da Psicologia Jurídica, intensificar as relações entre as diversas instituições ligadas ao trabalho com a criminalidade e o comportamento criminal e estreitar os laços entre os conhecimentos gerados por estudos da criminalidade no Brasil e no mundo.

Na foto, a presidente do Congresso, Aline Lobato, quando ministrou curso sobre “Psicologia Investigativa: o trabalho da psicologia na análise do perfil de criminosos e da cena do crime”, em evento antes do I CIPJ.

 

 

 "Em São Luís do Maranhão, a psicologia jurídica não é abordada no seu contexto amplo e não há uma gama de profissionais renomados que falem a respeito de temas como ; psicopatas, assassinos em séries e serial killers. Fiquei surpresa com o manejo que os palestrantes do congresso versavam sobre esses temas, que na maioria das vezes são repassados de forma equivocada." (Pelo Maranhão, participou Lorena Lima Rocha, foto à esquerda).

 

Alguns dos importantes temasdiscutidos no I CIPJ, em João Pessoa, como se vê nesta lista abaixo:

A ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO NO ATENDIMENTO A CRIANÇAS E ADOLESCENTES VÍTIMAS DE
VIOLÊNCIA SEXUAL: UM RECORTE DE ESTUDO NO ALTO SERTÃO PARAIBANO
A ESCUTA PSICANALÍTICA NO CONTEXTO JUDICIÁRIO: UMA POSSIBILIDADE DE
(RE)CONSTRUÇÃO DE VÍNCULOS AFETIVOS
A PSICOLOGIA SOLUCIONANDO CRIMES: TÉCNICAS DO PERFIL CRIMINAL E DA GEOGRAFIA
DO CRIME
A VIOLÊNCIA COMO ESPETÁCULO NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA: UMA REFLEXÃO
SOBRE O MUNDO DO TRABALHO E MÍDIA TELEVISIVA
AÇÕES DE SUPORTE À LEI MARIA DA PENHA NA COMARCA DE LAJEADO/RS: PROJETO
INTERDISCIPLINAR ENTRE OS CURSOS DE PSICOLOGIA E DIREITO DA UNIVATES
ADOÇÃO DE CRIANÇAS POR CASAIS HOMOSSEXUAIS: UMA ANÁLISE DE DADOS TEXTUAIS A
PARTIR DE UM LEVANTAMENTO VIA SURVEY
ADOÇÃO POR PARES HOMOAFETIVOS
ADOLESCÊNCIA E SUAS DESCOBERTAS: UMA ANÁLISE ACERCA DAS DROGAS SOB O PONTO DE
VISTA DO ADOLESCENTE
ALIENAÇÃO PARENTAL E AJUSTAMENTO ESCOLAR: UM ESTUDO CORRELACIONAL
ASSASSINOS EM SÉRIE: ANORMAIS, MONSTROS OU DESVIANTES?
ASSISTÊNCIA CONTINUADA A PESSOAS EM CONDIÇÃO DE DEPENDÊNCIA QUÍMICA NO
SISTEMA PRISIONAL
ATENDIMENTO A VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA SEXUAL: ESTUDO DE CASO NO NÚCLEO DE
PSICOLOGIA JURÍDICA
ATENDIMENTO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES ENCAMINHADOS PELOS CONSELHOS
TUTELARES
ATITUDES FRENTE À CONJUGALIDADE HOMOSSEXUAL: EVIDÊNCIAS PSICOMÉTRICAS
COMPLEMENTARES DE UMA MEDIDA REVISADA
AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA FORENSE EM CASOS DE ABUSO SEXUAL DE CRIANÇAS E
ADOLESCENTES
AVALIANDO COMPORTAMENTOS ANTISSOCIAIS: ELABORAÇÃO E PARÂMETROS
PSICOMÉTRICOS DE UMA MEDIDA PARA CRIANÇAS
COMPORTAMENTO CRIMINAL: EFEITO DA TEMPERATURA NO COMETIMENTO DE
DIFERENTES TIPOS CRIMES
COMPUTADOR COMO ESCUDO: O PERFIL DO PEDÓFILO VIRTUAL
CONSEQUÊNCIAS DO ABUSO SEXUAL PARA O DESENVOLVIMENTO DE CRIANÇAS E
ADOLESCENTES: UMA REVISÃO DA LITERATURA
E DEPOIS DA PRISÃO? DO ISOLAMENTO À COMPETÊNCIA PSICOSSOCIAL
ESTRUTURA FATORIAL E CONSISTÊNCIA INTERNA DO QUESTIONÁRIO DE VIOLÊNCIA NO
NAMORO
ESTUDO DO PERFIL DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES NA
PARAÍBA
EXPLICANDO A AGRESSÃO FÍSICA: EFEITOS DIRETOS E INDIRETOS DOS CINCO GRANDES
FATORES DA PERSONALIDADE
EX-PRESIDIÁRIOS E OS SIGNIFICADOS DA EXPERIÊNCIA PRISIONAL - UM ESTUDO DE CASO
FREQUÊNCIA DE VIOLÊNCIA ENTRE ALUNOS EM UMA ESCOLA PÚBLICA DE FORTALEZA
GRUPO DE APOIO À ADOÇÃO: RELATO DE DE EXPERIÊNCIA
HERANÇA MALDITA: VIOLÊNCIA CONJUGAL ATRAVÉS DAS GERAÇÕES
MEDIDA EDUCATIVA: TRATAMENTO DO USO DE DROGAS
MEDINDO A PSICOPATIA NA POPULAÇÃO GERAL E CARCERÁRIA: TESTANDO A HIPÓTESE
TAXOMÉTRICA E A HIPÓTESE DIMENSIONAL
MENOR INFRATOR: CARACTERÍSTICAS FAMILIARES COMO BASE PARA INTERVENÇÃO EM
COMPORTAMENTO CRIMINAL
MULHERES NO TRÁFICO DE DROGAS NO EXTREMO NORTE DO BRASIL: UM ESTUDO
PSICOSSOCIAL DESTA REALIDADE
O CICLO DA VIOLÊNCIA CONTRA À MULHER: EXPERIÊNCIA DE UM PLANTÃO PSICOLÓGICO
NA DELEGACIA ESPECIALIZADA DE ATENDIMENTO Á MULHER
PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN: UM ESTUDO SOBRE O DESENVOLVIMENTO DA
PERSONALIDADE CRIMINAL SOB O OLHAR PSICANALÍTICO
PROCESSO DE EXECUÇÃO DA LEI MARIA DA PENHA EM UMA CAPITAL BRASILEIRA
PROPOSTA DE FLUXOGRAMA PARA ATUAÇÃO EM CASOS DE SUSPEITA DE VIOLÊNCIA
SEXUAL CONTRA A CRIANÇA E O ADOLESCENTE EM PETRÓPOLIS/RJ
PSICANÁLISE E CRIMINOLOGIA CRÍTICA: INCIDÊNCIAS DA “CONCEPÇÃO SANITÁRIA DA
PENALOGIA”
PSICOLOGIA JURÍDICA UMA EXPERIÊNCIA DE EXTENSÃO EM ATENDIMENTO AS
INSTITUIÇÕES
POR CRIANÇAS E ADOLESCENTES VITIMIZADOS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
UMA REVISÃO SISTEMÁTICA ACERCA DA ADOÇÃO NO BRASIL

Entre os participantes, uma maranhense foi um destaque. Trata-se de Lorena Lima Rocha, aqui, rapidamente entrevistada pelo avô, acadêmico Osvaldo Pereira Rocha, a pedido deste editor:

 

(*) Especial Osvaldo Rocha

Por que você participou do congresso?
Através de redes sociais fique sabendo que haveria um Congresso Internacional de Psicologia,e melhor ainda, a área seria jurídica, na qual me interesso bastante. Entrei no respectivo site (*), olhei a programação e fiquei encantada com tudo que nos seria repassado no congresso.


2. Qual foi a sua surpresa?
Em São Luís do Maranhão, a psicologia jurídica não é abordada no seu contexto amplo e não há uma gama de profissionais renomados que falem a respeito de temas como ; psicopatas, assassinos em séries e serial killers. Fiquei surpresa com o manejo que os palestrantes do congresso versavam sobre esses temas, que na maioria das vezes são repassados de forma equivocada.

3. Dentre os temas abordados no I Congresso Internacional de Psicologia Jurídica, qual chamou mais sua atenção?
No congresso, tivemos a presença do criador da Psicologia Investigativa, professor britânico David Canter, autor do livro Criminal Shadows , Mapping Murder, dentre outros. Canter, falou sobre seus livros e ministrou a palestra que mais me chamou atenção, cujo tema foi " Desenvolvimento da Psicologia Investigativa a partir do perfil criminal" .

 

(*) Site do evento. Saiba mais do que aconteceu:

http://www.congressointernacionalpsicologiajuridica.com/

 

"Se gritar pega ladrão..."

Escrito por Mhario Lincoln em 26/04/2015

Por José de Oliveira Ramos
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 Nota do Editor: Desde meus parcos tempos de jornalismo, em meador de 1971, quando iniciei ao lado de Eloi Cutrim, como repórter fotográfico, cobrindo polícia para o bravo Jornal Pequeno, aprendi com o mestres do jornalismo que nunca se deve impor a pauta. O que se pode fazer é sugerir o caminho dos fatos. A sensibilidade para descobrir qual assunto é realmente relevante, isso fica por conta do talento e do feeling do jornalista. Por isso é que hoje poucos são os jornalistas. E dentre esses, considero altamente relevante o feeling de José de Oliveira Ramos, a quem, por quase insistência ou pedido acirrado, aceitou ser esse destaque que é entre um dos jornalistas mais comentados da história do Portal Mhario Lincoln do Brasil, hoje, resumidamente (por enquanto) nestas simples páginas de internet. Obrigado.

Mas, eis a matéria de ZéOliveira, hoje. Seja bem-vindo.

 

"Roubar, é falta de caráter, de inteligência ou as duas coisas juntas?"


Ninguém me pediu para escrever sobre o assunto seguinte. Um dos motivos que nos fez aceitar o convite do Editor para colaborar com o portal, é a total liberdade de escolher o tema, sem esquecer a responsabilidade, a ética, a honestidade e, acima de todos esses itens, o bom jornalismo. E, mesmo sem jamais ter conversado algo sobre essas particularidades, no dia em que o Editor sugerir – ainda que de longe pareça também imposição – pegamos nosso boné e vamos cantar noutra freguesia.

Assim, para tentar escrever alguma coisa que possa fazer sentido, resolvemos ligar a máquina que conduz ao Túnel do Tempo, começando por folhear algumas anotações ainda vivas (e úteis, embora envelhecidas e amarelecidas pelo óbvio) no caderno Avante, e recorrendo a autores da História do Brasil nos séculos passados e escritas como matéria escolar par as gerações subsequentes.

Irmãos Metralha – ícones e ídolos dos ladrões


Autores como R. Hadock Lôbo, Alcindo Muniz de Souza, Haroldo de Azevedo e tantos outros, escreveram em síntese que, “não tivessem os exploradores roubado tanto ouro, diamante, pedras preciosas e Pau Brasil, este Brasil continental seria uma grande e rica Nação.”
Algo que se assemelhe aos dias atuais ou uma “continuidade” da História do Brasil? Será que um dia alguém terá coragem suficiente para transformar isso em matéria escolar?
Quem estudou, em vez de ficar consumindo Nescau e mingau de leite Ninho, já leu em algum lugar algumas narrativas sobre o “Santo do Pau Ôco”, uma das muitas formas utilizadas para a saída do ouro, diamantes e pedras preciosas do Brasil para a Europa.
Medidas profiláticas e ações saneadoras da época, garantem, acabaram com o desvario. Eram, asseguram, muitos estrangeiros roubando o que o Brasil tinha de precioso.
Acabou isso?
Os “estrangeiros” continuam roubando o Brasil?
Atenção! Paremos! Desliguemos a “Máquina do Túnel do Tempo” e liguemos por óbvio e necessário, a “máquina da realidade e atual”.
O que é que alguns entendem como “roubar”?
Roubar seria “algo bom”? Algo edificante?
E quem “rouba” para ser rico e usufruir indignamente do produto do roubo, quando “bate as botas”, leva algo no caixão?
Alguém terá orgulho de edificar sua família a partir de riqueza construída com roubo?
Enfim, roubar, é falta de caráter, de inteligência ou as duas coisas juntas?

No Brasil, com o apoio formal de algumas leis, parece que roubar é algo bom, edificante – porque os praticantes dirão sempre que todos roubam.


OBSERVAÇÃO – Há poucos dias atrás, o hoje investigado Vaccari foi “convocado” para prestar depoimento numa CPI sobre provável envolvimento com roubo e corrupção que estão produzindo esse lamaçal do pau ôco e, dizem, teria recebido “autorização” para atender à convocação, sem a restrita obrigação de falar a verdade. Alguém definiu isso como um salvo-conduto para mentir. Há quem afirme, ainda, que a “autorização” teria partido de um Ministro do Supremo Tribunal Federal, a maior corte judicante do País.

Foi isso mesmo que aconteceu?
Assim, que terminologia é dada no Brasil para o “roubar”?
Brasileiro, ladrão idiota e burro, rouba até imagem de santo. Para quê e por quê roubar uma imagem?
E, essa inteligência esmerada não é algo recente. É antigo. Muito antigo. Tempos passados, no colégio, meninos roubavam dos outros, borracha, folha de caderno, lápis e roubavam da escola até apagadores e pedaços de giz.
Para que serve um pedaço de giz roubado e em casa?
E, quando chegava em casa com os bolsos cheios de pedaços de giz, o menino sequer era importunado pelos pais. Tal qual alguns pais de hoje que, em vez de aplicar corretivos, elogiam: “esse moleque é esperto”!
Pois, tenha coragem e mude esse holofote para os assuntos e momentos atuais. O caso da Petrobras é típico do Brasil, e também não é nenhuma novidade, da mesma forma que não é algo novo os responsáveis (de uma forma ou de outra) minimizarem as coisas e, por evidentes participações nos conluios, usarem meios e as benesses que o poder confere, para “abafar” casos e atitudes que, na verdade, se iniciaram numa sequência dos “santos do pau ôco”. É uma continuidade daquilo, daqueles tempos.
Alguém grite – “pega ladrão”!
Imaginemos o que seria o Brasil, hoje, se nunca tivesse existindo nenhum tipo de roubo, de corrupção, de safadeza. Se todos os esforços do homem brasileiro tivessem sido encaminhados na direção da retidão e da coisa certa.
Que teoria existe pra definir uma pessoa que, num país de miseráveis, onde existe um Salário Mínimo de pouco mais de R$700,00 – ganha R$30.000,00 por mês, correspondendo a R$1.000,00 por dia, que significam muito mais que os míseros R$700,00 que aquele mínimo oficial?
E o que dizer desse que ganhar R$30 mil por mês e, insatisfeito, ainda se dá ao despautério de roubar, de viver roubando para aumentar o que? Aumentar a idiotice?

Que sabor tem uma vida construída sobre os alicerces do roubo?
Quem constrói tudo ao lado das paredes que escondem o “diferente” patrimônio erigido graças ao roubo, terá um dia coragem de “passa-lo aos filhos” e lembrar para que eles façam uma boa administração daquilo?

Seis “milhões” roubados na Petrobras


Quem roubou muito ou pouco, paga caro por qualquer coisa e pouco lhe dá valor, é apenas porque não suou para ganhar. Só isso!
Quem cria a galinha da Terra, come com as mãos e rói os ossinhos, porque aquilo tem o sabor da labuta e da honestidade. Comer galinha da Terra de garfo e faca, segurando-os com as pontas dos dois dedinhos... não está dando bom sinal!
Não é bom falar em corda na casa onde morreu alguém enforcado.

O Descaso do Governo com os Índios

Escrito por Mhario Lincoln em 23/04/2015

"O descaso e até o escárnio do governo brasileiro com os direitos constitucionais dos povos indígenas é assustador", diz o bispo Erwin Kräutler/Bispo do Xingu/Presidente do Cimi (foto).

 


"O atual governo ao favorecer abertamente os ruralistas mostra-se intransigente para com os povos indígenas e quilombolas. Não aceita diálogo com líderes indígenas e rejeita qualquer questionamento ou crítica aos seus planos e projetos desenvolvimentistas. Essa postura arrogante estimula a perseguição e as violências contra os povos indígenas", afirma D. Erwin Kräutler, bispo do Xingu e presidente do Conselho Indigenista Missionário - CIMI, em pronunciamento feito na Assembleia Nacional da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, em Aparecida do Norte, no dia 22-02-105.

Segundo ele, "nos dois últimos anos assistimos a um verdadeiro “levante” contra os povos indígenas e quilombolas e seus direitos fundamentais à vida e à terra. As investidas se deram no âmbito político junto aos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, mas também na mídia através da veiculação de notícias que provocam inquietação social".

Eis a íntegra do pronunciamento.

INTRODUÇÃO

“Prontos a dar razão da esperança” 1 Pd 3,15

Tomo mais uma vez a liberdade de descrever o avanço da dura e conflitiva realidade dos povos indígenas no Brasil. Faço-o no intuito de não apenas relatar atos e omissões, dados e números, mas sim de tocar o coração dos pastores e de todos os homens e mulheres da nossa Igreja. Volto a repetir o que o Dr. Rubens Ricupero falou na aula que deu a essa Assembleia Geral sobre a atual conjuntura político-social: “A sociedade brasileira será julgada pela maneira como trata os mais fracos e frágeis”. Importa conhecer de perto esses “fracos” e “frágeis” e mais ainda as causas e os motivos de sua vulnerabilidade. São sempre pessoas de carne e osso. E entre elas sobressaem os indígenas, os verdadeiramente autóctones deste país maravilhoso. Já milhares de anos atrás seus antecedentes longínquos habitavam esse continente[1]. Muitos têm sobrenomes que identificam o povo a que pertencem. São mulheres e homens, crianças, jovens, adultos, idosos, feitos à imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1,27) a quem são negados os direitos fundamentais à vida, às suas terras ancestrais e de serem diferentes em seus costumes e tradições, culturas e línguas.

Ouço e interpreto o apelo de nosso Papa Francisco na Bula que proclama o Jubileu Extraordinário da Misericórdia “Misericordiae Vultus” também no contexto dos povos indígenas: “Abramos os nossos olhos para ver as misérias do mundo, as feridas de tantos irmãos e irmãs privados da própria dignidade e sintamo-nos desafiados a escutar o seu grito de ajuda. As nossas mãos apertem as suas mãos e estreitemo-los a nós para que sintam o calor da nossa presença, da amizade e da fraternidade. Que o seu grito se torne o nosso e, juntos, possamos romper a barreira de indiferença que frequentemente reina soberana para esconder a hipocrisia e o egoísmo” (MV 15).

BRASIL, PÁTRIA DOS POVOS INDÍGENAS?

Não relato fatos do passado, mas acontecimentos que ocorrem nestes dias. Tento mostrar o calvário de 305 povos indígenas tratados como estrangeiros em seu próprio país e acusados até de usurpadores de suas terras tradicionais ou então de invasores de propriedades produtivas[2].

Apesar dos duros golpes que sofreram e continuam sofrendo, a esperança de que um dia o sonho da Terra sem Males se torne realidade, não desvanece. É o sonho de um mundo justo, fraterno e solidário, onde todos podem viver em harmonia com a criação de Deus e seus semelhantes. A busca da realização deste sonho não deixa de ser parte intrínseca do Objetivo da CNBB, pelo menos a partir de sua 17ª Assembleia em 1979[3] que se inspirou na III Conferência Geral do Episcopado Latino-americano em Puebla.

O descaso e até o escárnio do governo brasileiro com os direitos constitucionais dos povos indígenas é assustador: “O Brasil não tem ideia da riqueza humana e cultural que se perde ao insistir em uma política que não se cansa de tentar transformar índios em pobres, ‘integrados’ às levas de marginalizados que ocupam as periferias das grandes cidades” escreveram Maria Rita Kehl e Daniel Pierri por ocasião do Dia do Índio, 19 de abril, na Folha de São Paulo[4]. Apesar de nossa Constituição Federal reconhecer o direito às terras que povos indígenas ocupam, o governo não as demarca, ou, quando as demarca, não as homologa. O Artigo 231 da Constituição Federal de 1988 determina: “São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens“. A terra, para estes povos, não se reduz à mera mercadoria ou a um bem a ser explorado até a exaustão. É a “mãe gentil” cantada e decantada em nosso Hino Nacional. É seu espaço vital, o chão de seus ritos e mitos, o território de suas lutas históricas pela sobrevivência.

Em alguns estados há constantes investidas contra as terras demarcadas ou a serem demarcadas. De ano em ano crescem as violências contra comunidades e lideranças indígenas, especialmente aquelas que vivem às margens de rodovias ou estão encurraladas em reservas reduzidíssimas. O setor ruralista não se cansa em articular, em todo o país, ações de intimidação e de coerção dos povos indígenas e dos quilombolas.

 

A SUBSERVIÊNCIA DO GOVERNO AO AGRONEGÓCIO

Nas relações do governo com seus “aliados”, salta à vista a perigosa subserviência aos ruralistas que vêm revelando sempre mais sua face depredadora dos recursos da natureza, como a destruição de florestas e de matas ciliares, e a poluição de mananciais de água. Em muitos casos se valem ainda da exploração da mão de obra humana, submetendo trabalhadores a condições análogas à escravidão. É bom lembrar que muitos dos que se autodenominam hoje de “proprietários” adquiriram suas posses através da força bruta, expulsando famílias e povos, ameaçando e assassinando lideranças ou então adquirindo terras a preços irrisórios e promovendo a grilagem ou recebendo, a preço simbólico, terras do poder público.