Tem gente insatisfeita com o Papa Francisco

Escrito por Mhario Lincoln em 22/04/2015

“Há setores da Igreja dos Estados Unidos que estão inquietos com o Papa Francisco”. Entrevista com Austen Ivereigh
Austen Ivereigh defende que a grande mudança que está em andamento com o Papa Francisco é uma transformação cultural dentro da Igreja, embora admita que ainda há resistências na cúria e as reformas levarão anos.


Fonte: http://bit.ly/1IymNru


Austen Ivereigh conhece bem a Igreja argentina. Sua tese de doutoramento em Oxford foi precisamente sobre a relação entre Igreja e Política nesse país. Por isso, pouco depois que Jorge Mario Bergoglio aparecesse na sacada da Basílica de São Pedro convertido em Francisco, alguém lhe sugeriu que devia escrever um livro sobre ele. E aceitou o desafio, porque, segundo Ivereigh, é impossível entender o atual Pontífice sem entender sua origem argentina.
Esta semana, o jornalista e também fundador do movimento Vozes Católicas esteve no Chile para o lançamento da edição em espanhol do seu livro O Grande Reformador (1) onde mergulha na formação do atual Papa e em seu projeto de mudança na Igreja católica. Um objetivo que converteu Francisco em um fenômeno em nível mundial, mas que também despertou receios na cúria romana, onde muitos ainda estão desconcertados com suas reformas.
A entrevista é de Juan Paulo Iglesias M. e publicada por La Tercera, 18-04-2015. A tradução é de André Langer.

 

O 21 de abril não é só de Tiradentes

Escrito por Mhario Lincoln em 21/04/2015

Bom dia, caro amigo querido,

 

Mhario Lincoln

FOTO 1 - Edomir e Elma visitam Lorenzo, filho de Angelo (afilhado)

FOTO 2 - Edomir e Elma batizam Angelo (nosso filho/Mhario e Veridiana)

 

Fico me questionando ao longo desses mais de 60 anos de idade que tenho, a quem chamar assim: caro amigo querido. E não adianta eu inventar nomes ou ressuscitar velhos conhecidos. Conto nos dedos da mão direita aqueles que posso chamar de ‘caro amigo querido’.

Sem dúvida que me salta aos dedos seu nome. Edomir Martins de Oliveira, a quem, quando era colunista de jornais do Maranhão, lhe chamava carinhosamente de Edomir D’Oliveira.

Já se vão mais de 45 anos e nossa amizade nunca teve, sequer, um senão. Aliás, na quase única vez, ele se colocou a meu favor quando do entrevero entre o IHGM e eu, no episódio da revista do Instituto. Chegou a assumir meus erros para corrigi-los depois com paciência, prudência e sobriedade, atributos que lhe são integrantes dessa personalidade forte e imortal, pois se expandiu em seus filhos, netos e bisnetos e assim ... in saecula saeculorum.

E porque hoje é 21 de abril de 2015 (grande 1937), nada mais salutar que dizer assim: “Mais um dia de convivência saudável e amiga”. Claro que parabéns é diariamente. Parabéns por conservar esse relacionamento maravilhoso entre nossas famílias e famílias de nossas famílias, incluindo aí a incomensurável Figueiredo de Oliveira; por acordarmos bem vivos, bem dispostos, por olhar pra trás e sorrir com firmeza pelo que construímos, realizamos, respeitamos, agradecemos, evoluímos...

Agradecer a Deus pela oportunidade que tem dado a todos nós de seguirmos essa linha vitoriosa da Fé. ORA, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem...” Hebreus 11/1.

Nós, nossas famílias e as famílias de nossas famílias cultivam essa Fé mesmo diante de um Mundo cada vez mais hipócrita, separatista, injusto. Por isso, somente a Fé é capaz de nos desviar de tantos caminhos tortuosos que se lhe nos apresentam diariamente e continuamente a ponto de perturbar o status quo.

De volta à Bíblia, colhi esse ensinamento: Esta fé a qual se refere a Palavra de Deus é a verdadeira. Verdadeira porque muitos colocam a sua fé em ídolos, em demônios, nos homens, e nos poderosos deste mundo, mas esta fé é falsa e não pode justificar o homem diante de Deus e dos homens. E tão pouco pode salvá-lo. Rm. 3: 22 a 26; Gl. 3: 23 ao 26.

É essa Fé, caro amigo querido, que sustenta a nossa amizade de tantos anos. A mesma Fé que leva ao perdão de controvérsias, a amar as virtudes e aconselhar sobre defeitos, a se emocionar com a vitória do outro, a abraçar a perda e a solidão, a rir e chorar, a se manifestar com veemência quando necessário, amparando na queda ou ajudando na subida.

É a mesma Fé, compadre, que nos fez mais irmãos ainda quando na unção divina de meu filho varão foi-lhe pedida a mão na fronte, na atitude santa da epifania do batismo. E lá se vão mais de 30 anos e este varão, sempre a seu lado, recebendo o carinho de sua família, como se dela fosse do mesmo sangue.

Por essa razão eu e Veridiana, minha esposa, lhe concedemos, pra nossa honra, nosso filho como afilhado, pois "ab amicis honesta petamos."

E daí, de forma honesta, como se refere a máxima latina, estamos nós a comemorar mais um ciclo de 360 dias que foram proveitosos, cheios de surpresas, a cada nova palavra que a bisneta fala, a cada passo profissional conquistado pela filha, pelo filho, a cada esplendor que atingem as netas e netos, ou, simplesmente, a cada abrir de janela pela manhã e dizer em alto e bom som: “Grato, Senhor, por mais um dia”.

E já se vão, pelos meus parcos cálculos, 78 anos ou 28.080 dias passando aí por dificuldades e mais felicidades, viagens de trem maria-fumaça no trajeto que fazia no começo de carreira no Banco do Brasil. Ou pousando em aviões monomotores em São João Batista, na cidade-natal de sua esposa Elma Figueiredo de Oliveira, para participar das comemorações de um Sete de Setembro inesquecível, promovido pela administração do sempre memorável Chiquitinho Figueiredo, pai de Elma.

E assim os dias foram passando como nuvens que parecem as mesmas, mas nunca são iguais. Como a própria meteorologia de nossa cidade querida, São Luís do Maranhão, as nuvens estão sempre sorrindo, sob sol escaldante, ou pregando peças, mudando de forma e cor rapidamente, quando temporais de abril (chuvas mil) se aproximam.

Seus dias passaram e nunca foram os mesmos. Sempre emoções diferentes, especialmente, no conviver, amar, sorrir com uma terceira geração de descendentes. A cada dia, uma ótima surpresa nova. Todos saudáveis e abençoados. Eis o milagre. Eis o presente de Deus para quem sempre seguiu o caminho da Palavra. E como li em Salmos 112/ 1,2,3, Aleluia! Como é feliz o homem que teme o Senhor e tem grande prazer em seus mandamentos! / Seus descendentes serão poderosos na terra, serão uma geração abençoada, de homens íntegros. / Grande riqueza há em sua casa, e a sua justiça dura para sempre.

Destarte, caro amigo querido, fica aqui minha mais livre expressão de carinho e amizade vivenciadas, em pelo menos, metade desses 78 anos e mais de 14 mil dias. Posso mesmo me orgulhecer disso.

Daqui, receba o abraço de teu compadre, de Veridiana, Mariana, Angelo e Lorenzo.

Pra você, Accessio temporis...

 

Mhario Lincoln

21 de abril de 2015

Curitiba-Paraná

Mitos e verdades sobre a traição

Escrito por Mhario Lincoln em 20/04/2015

Quase todo mundo conhece uma história marcante sobre traição, seja na vida pessoal ou por ter dado o maior apoio para uma amiga que sofreu horrores por causa um namorado infiel. Nessas horas o pensamento é um só: por que isso aconteceu? A dificuldade em lidar com a infidelidade do parceiro pode levar muitas mulheres a simplesmente não conseguirem levar a vida adiante e superar o ocorrido. 

De acordo com Suely Buriasco, escritora londrinense e mediadora de conflitos, a pessoa que trai carrega problemas individuais. "Ela trai por carências dela mesma. A pessoa vai estar sempre trocando de parceiro enquanto ela não resolver seus conflitos'', afirma.
Baseada em sua experiência como mediadora de conflitos, Suely Buriasco escreveu sobre os mitos e verdades sobre a infidelidade, para que as pessoas entendam o que leva um companheiro a procurar outros relacionamentos, e o que provoca esse comportamento. (Fotos: reprodução).

 

Confira:

Quem trai procura fora o que não tem em casa – Mito 
Quem trai procura em outra pessoa o que não tem em si mesmo. A traição pode representar um desgaste na relação, mas não é esse o ponto crucial, afinal, se uma relação não vai bem ou se procura uma solução ou se separa. A busca de uma terceira pessoa tem mais a ver com carências pessoais, com estado depressivo, com fuga de uma realidade que não se sente competente o bastante para transformar.

 

Todo homem trai – Mito
Existe homens que não traem suas mulheres, não por não terem vontade, mas por considerar como valor maior a família e a harmonia conjugal.

O homem trai mais do que a mulher – Verdade
Há veracidade nisso, até porque toda a cultura machista herdada por séculos facilita muito mais ao homem trair. Entretanto, segundo pesquisas, essa diferença está diminuindo, pois, a mulher também tem mostrado seu lado infiel.

Quem trai uma vez, trai sempre – Mito
Muitas pessoas que passaram por essa experiência dizem que se sentiram muito mal consigo mesmas e nunca mais caíram na tentação. Outras viram sua vida se desmoronar diante da descoberta do cônjuge traído e passaram a valorizar mais a família e seu bem estar.

Mudanças comportamentais podem indicar traição – Verdade
Quando alguém comprometido se envolve com outra pessoa desenvolve um conflito interno e o sentimento de culpa acaba aparecendo, dessa forma é natural que mudanças de comportamento e mesmo na personalidade aconteçam. Nesse quadro é muito comum que haja oscilações de humor levando a pessoa de irritada à amável demais. O sentimento de cobrança e o medo de ser descoberto podem ser tão intensos que a pessoa vive estressada.

A mulher perdoa traição – Mito
Bom não apostar nisso! As mulheres estão aceitando cada vez menos a traição de seus parceiros. Umas se separam, outras permanecem com o parceiro e, nesse caso, das duas uma; ou realmente perdoam ou se vingam. Infelizmente a segunda alternativa tem se tornado mais frequente.

O homem não perdoa traição – Mito
Culturalmente o homem tem maior dificuldade em perdoar uma traição porque além da desilusão, existe uma carga muito intensa de humilhação em relação à sociedade como um todo. Mas muitos são os que colocam seus sentimentos em primeiro lugar e aceitam sobrepor o relacionamento e continuar uma vida juntos.

Mudança no apetite sexual – Verdade
É bastante frequente que a pessoa ao trair seu parceiro apresente mudanças em seu comportamento sexual, tais como estar sempre cansado demais ou então, de uma hora para outra, quer fazer sexo a todo instante. A aparente oscilação da libido é uma ocorrência comum nesses casos.

O traidor é ciumento – Verdade 

É muito comum que a pessoa ao estar traindo seu parceiro desenvolva crises excessivas de ciúmes por ele. Existem, no mínimo, dois fatores preponderantes nessa reação: o primeiro tem a ver com a percepção de que se eu faço meu cônjuge pode fazer também e o segundo com a eminência de perdê-lo caso a traição seja descoberta.

A traição representa o fim do relacionamento – Mito
Uma traição pode provocar traumas profundos, mas também pode significar uma verdadeira oportunidade para crescimento e aproximação do casal. Tudo depende da maneira como o relacionamento é levado depois do trauma. Muitos casais alegam viver melhor e intensamente sua relação depois de saberem como se sentiriam sem o outro. É algo como valorizar depois da perda com a consciência de que existe ainda uma oportunidade para não perder.

 

Original de: Redação Bonde - 17/04/2015

Ferrovia Norte-Sul – qual a importância, a quem serve e a quem interessa a demora?

Escrito por Mhario Lincoln em 17/04/2015

Por José de Oliveira Ramos
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Trens da Vale do Rio Doce em trecho da ferrovia Norte-Sul

 

Com certeza, quem estudou um pouco e, - em vez de ficar jogando fora o que amealhou trabalhando no cabo de uma enxada no interior do Brasil para gastar em jogatina nos cassinos de Las Vegas, e passeios improdutivos em Miami – conhece alguma coisa do resultado da construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, já descobriu que, a secular construção da Ferrovia Norte-Sul é uma perdulária repetição dos fatos que colocaram o Brasil no “Top One” da esculhambação e desmoralização.
Mas, para quem é jovem e nasceu escudado mentalmente nos Bolsas Famílias, Pátria Educadora e Bolsa Reclusão e vê as coisas com os mesmos olhos de Nestor Cerveró, vamos relembrar:
“A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM) é uma ferrovia no atual estado de Rondônia, no Brasil. Foi a 15ª ferrovia construída no país, tendo as suas obras sido executadas entre 1907 e 1912. Estende-se por 366 quilômetros na Amazônia, ligando Porto Velho a Guajará-Mirim, cidades fundadas pela EFMM.
Após duas tentativas fracassadas para a sua construção no século XIX, espalhou-se o mito de que, mesmo com todo o dinheiro do mundo e metade de sua população trabalhando nas suas obras, seria impossível construí-la. O empreendedor estadunidense Percival Farquhar aceitou o desafio e teria afirmado "(...) vai ser o meu cartão de visitas". Foi a primeira grande obra de engenharia civil estadunidense fora dos EUA após o início das do Canal do Panamá. Com base naquela experiência, para amenizar as doenças tropicais que atingiram parte dos mais de 20 mil trabalhadores de 50 diferentes nacionalidades, Farquhar contratou o sanitarista brasileiro Oswaldo Cruz, que visitou o canteiro de obras e saneou a região.
A EFMM garantiu para o Brasil a posse da fronteira com a Bolívia e permitiu a colonização de vastas extensões do território amazônico, a partir da cidade de Porto Velho, fundada em 4 de julho de 1907. Em 2011, o Governo do Estado de Rondônia condecorou in memoriam com a comenda Marechal Rondon, Percival Farquhar e os 876 americanos que comandaram a construção da ferrovia.
História - A ideia da ferrovia nasceu na Bolívia, em 1846, quando o engenheiro boliviano José Augustin Palácios convenceu as autoridades locais de que a melhor saída de seu país para o oceano Atlântico seria pela bacia Amazônica. O pensamento do engenheiro justificava-se na dificuldade para transpor a cordilheira dos Andes e na distância do oceano Pacífico dos mercados da Europa e dos EUA. Foi então, em 1851, que o governo dos Estados Unidos - interessado na melhor saída para a importação de seus produtos - contratou o tenente Lardner Gibbon para estudar a viabilidade do empreendimento via rio Amazonas. Em 1852, Gibbon concluiu o trajeto Bolívia-Belém, descendo pelo lado boliviano os rios Guaporé, Mamoré, Madeira e Amazonas, ratificando a ideia de Palácios, quando demonstrou que uma viagem dos Estados Unidos para La Paz pelo caminho dos rios amazônicos, com o advento de uma ferrovia margeando as cachoeiras do rio Madeira, demoraria 59 dias, contra os 180 dias pelo Oceano Pacífico que, além da distância, somava a dificuldade de contornar o Cabo Horn.
A Madeira-Mamoré Railway Co. - Posteriormente, por efeito da assinatura do Tratado de Petrópolis (1903), no contexto do ciclo da borracha e da Questão do Acre, com a Bolívia, que conferiu ao Brasil a posse deste Estado, iniciou-se a implantação da Madeira-Mamoré Railway. O seu objetivo principal era vencer o trecho encachoeirado do rio Madeira, para facilitar o escoamento da borracha boliviana e brasileira, além de outras mercadorias, até um ponto onde pudesse ser embarcada para exportação, no caso Porto Velho, de onde as mercadorias seguiam por via fluvial, pelo mesmo rio Madeira e, então, pelo rio Amazonas até o oceano Atlântico. Anteriormente, esses produtos eram transportados com precariedade em canoas indígenas, sendo obrigatória a transposição das cachoeiras no percurso.
No início de 1907, o contrato para a construção da ferrovia foi encampado pelo empreendedor estadunidense Percival Farquhar. O último trecho da ferrovia foi finalmente concluído em 30 de abril de 1912, ocasião em que se registrou a chegada da primeira composição à cidade de Guajará-Mirim, fundada nessa mesma data. Em 1º de agosto, a EFMM foi inaugurada.
O século XX: decadência e crise - Durante a 2ª Guerra Mundial, a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré voltou a ter grande valor estratégico para o Brasil, operando plenamente para suprir o transporte de borracha, utilizada no esforço de guerra aliado. Em 1957, quando ainda registrava um intenso tráfego de passageiros e cargas, a ferrovia integrava as dezoito empresas constituintes da Rede Ferroviária Federal.
Em 25 de maio de 1966, depois de 54 anos de atividades, a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré teve sua desativação determinada pelo então Presidente da República Humberto de Alencar Castelo Branco. A ferrovia deveria ser, porém, substituída por uma rodovia, a fim de que não se configurasse rompimento e descumprimento do Acordo celebrado em Petrópolis, em 1903. Tal rodovia materializou-se nas atuais BR-425 e BR-364, que ligam Porto Velho a Guajará-Mirim. Duas de suas pontes metálicas ainda servem ao tráfego de veículos. Em 10 de julho de 1972 as máquinas apitaram pela última vez. A partir daí, o abandono foi total e, em 1979, o acervo começou a ser vendido como sucata para a siderúrgica de Mogi das Cruzes, em São Paulo.
Voltou a operar em 1981 num trecho de apenas 7 quilômetros dos 366 km do percurso original, apenas para fins turísticos, sendo novamente paralisada por completo em 2000.” (Transcrito do Wikipédia).


Presidente Lula com a bandeira brasileira tendo à esquerda Sarney

“Ferrovia Norte-Sul (EF-151, EF267, EF-267) - A Ferrovia Norte-Sul é uma ferrovia brasileira operada pela concessionária Vale S. A. Atualmente ela se encontra em expansão, com previsão para que no término total de seu projeto conecte 4 regiões brasileiras (Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste) passando por 7 estados brasileiros (Pará, Maranhão, Tocantins, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul) através de aproximadamente 3500 km.
Objetivos principais - * Promover a integração nacional interligando quatro regiões por meio do modal ferroviário: Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste; * Promover a integração ferroviária nacional conectando as ferrovias dos Carajás, Linha Tronco (antiga araraquarense) e as futuras expansões da Nova Transnordestina, Leste-Oeste e Ferroeste; * Induzir as atividades econômicas (principalmente agrícolas) na região do cerrado;
* Criar um corredor de exportação competitivo através dos portos de Itaqui (São Luís) e Belém;
* Diminuição dos custos de transporte de longa distância.
Histórico - 1987: Início das obras da Ferrovia Norte-Sul; 1996: Inauguração do trecho entre Açailândia (MA) - Porto Franco (MA); 2007: Inauguração do trecho Porto Franco (MA) – Araguaína (TO); 2008: Inauguração do trecho Araguaína (TO) – Colina do Tocantins (TO); 2009: Inauguração do trecho Colina do Tocantins (TO) – Guaraí (TO); 2010: Inauguração do trecho Alvorada (TO) – Porangatu (GO)”.



Pois bem. Muitos aprenderam que, inicialmente, a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré não foi imaginada para atender necessidades brasileiras ( A ideia da ferrovia nasceu na Bolívia, em 1846, quando o engenheiro boliviano José Augustin Palácios convenceu as autoridades locais de que a melhor saída de seu país para o oceano Atlântico seria pela bacia Amazônica. O pensamento do engenheiro justificava-se na dificuldade para transpor a cordilheira dos Andes e na distância do oceano Pacífico dos mercados da Europa e dos EUA. Foi então, em 1851, que o governo dos Estados Unidos - interessado na melhor saída para a importação de seus produtos - contratou o tenente Lardner Gibbon para estudar a viabilidade do empreendimento via rio Amazonas. Em 1852, Gibbon concluiu o trajeto Bolívia-Belém, descendo pelo lado boliviano os rios Guaporé, Mamoré, Madeira e Amazonas, ratificando a ideia de Palácios, quando demonstrou que uma viagem dos Estados Unidos para La Paz pelo caminho dos rios amazônicos, com o advento de uma ferrovia margeando as cachoeiras do rio Madeira, demoraria 59 dias, contra os 180 dias pelo Oceano Pacífico que, além da distância, somava a dificuldade de contornar o Cabo Horn.) e foi muito pouco ou quase nada útil ao povo brasileiro.
Quem conhece mais a região da Amazônia que Miami ou os cassinos de Las Vegas, tem uma superfial noção dos milhares de dificuldades geográficas existentes que, com as quais o povo que ali nasceu aprendeu e está acostumado a conviver – muitos nasceram e morreram sonhando com um “tal de progresso e melhoria de vida pronunciados por salafrários nas campanhas eleitorais”.
Só o empreendedorismo e a disposição para o fazer (algo que não é muito nosso) poderiam levar a cabo a conclusão e a utilização de algo como a Madeira-Mamoré. Iniciada em 1907 e concluída parcialmente em 1912, a Estrada de Ferro transformou-se num verdadeiro desastre. Em 10 de julho de 1972 as máquinas apitaram pela última vez. A partir daí, o abandono foi total e, em 1979, o acervo começou a ser vendido como sucata para a siderúrgica de Mogi das Cruzes, em São Paulo. Voltou a operar em 1981 num trecho de apenas 7 quilômetros dos 366 km do percurso original, apenas para fins turísticos, sendo novamente paralisada por completo em 2000.
Não vemos nada que diferencie a Madeira-Mamoré da Norte-Sul, além de que a carcaça de ferro que existe hoje na Amazônia atendia apenas interesses dos norte-americanos. A nossa Norte-Sul, iniciada em 1987, já consumiu uma fábula de dinheiro público e, com certeza vai atender apenas interesses particulares de operadores do transporte de carga – se vier a ser concluída. Já se contam 28 anos.
Coincidentemente, foi iniciada quando Luís Inácio da Silva era deputado federal, e José Sarney presidente. Vieram Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso, e a “obra” pouco progrediu. Está descarrilando moralmente.
Luís Inácio da Silva assumiu a presidência em 2003 até 2011. Nesse período, enxotado pelo povo maranhense, Sarney se elegeu Senador pelo Amapá.
Ora, os principais propósitos da Ferrovia Norte-Sul, além de servir como palanque eleitoreiro para políticos das regiões do percurso traçado eram: Criar um corredor de exportação competitivo através dos portos de Itaqui (São Luís) e Belém; Diminuição dos custos de transporte de longa distância.

Presidente Dilma entre Lula e Sarney


Nada disso está acontecendo. Muito mais estranho ainda (e aqui não se faz quaisquer relações com Mensalão, BNDES, Lava-Jato e a aparência siamesa é enganosa) é que, para entrar em recesso regimental no final do ano de 2014, o Legislativo, demonstrando que não passa de um apêndice do Executivo foi obrigado a enfrentar noites insones por pelo menos 72 horas para aprovar algo ligado a interesses portuários.
O que significou aquilo e para que?
Para que servem os portos?
Quais as facilidades que têm os transportadores de cargas para enfrentar as rodovias brasileiras conduzindo a produção para os nossos portos?
E por que não apressar a conclusão da Ferrovia Norte-Sul, mais abrangente e capaz de conduzir uma tara maior?
Seria para continuar com fins eleitoreiros?
Será que, Executivo e Legislativo só lembram que o Brasil é um país continental para fins de eleições, olvidando que as distâncias entre estados são além do que se imagina, e que as dificuldades de todos os tipos são absurdas?
Leiam:
“Em 1970, havíamos percorrido 5296 quilômetros em cima de uma promessa e de um projeto que só existiu nos mapas. Partimos de João Pessoa, na Paraíba, e chegamos até Cruzeiro do Sul, na fronteira do Acre com o Peru. Vimos índios, onças, quatis, pássaros em profusão. Quatro anos depois, somente a pesca abundante lembrava a aventura anterior. Os pássaros haviam se refugiado no interior da mata, a estrada espantara os animais selvagens e os índios estavam confinados em suas reservas. Mas se em 1970 chegamos a ser presos, por suspeita de subversão, dessa vez enfrentamos dificuldades que quase nos levaram a desistir da missão, abandonar tudo e voltar para casa. Na primeira viagem testemunhamos o entusiasmo das populações com a perspectiva da chegada do progresso e da grandiosa obra que prometia casa, comida e terra fértil para cerca de 5 milhões de nordestinos vítimas da seca e da miséria que, dizia o governo, seriam transferidos para as margens da megarrodovia. Em 1974, após percorrer todos os perigos e desafios da estrada, após atravessar 136 rios em seis balsas e cruzar 130 pontes de madeira, Alfredo Rizzutti e eu ainda tínhamos dúvidas: - Valeu a pena?
Em meados de 1974 o governo anunciou que as obras da rodovia Transamazônica tinham chegado ao fim. Tratava-se de um megaprojeto do regime militar celebrado como a maior ousadia da engenharia humana: milhares de operários operando máquinas gigantescas (muitas delas desembarcadas na selva por helicópteros militares de carga) tinham rasgado o Brasil de leste a oeste, ligando a Belém-Brasília aos confins da Amazônia, onde as fronteiras do Brasil e do Peru se confundem no meio da mata. Para os militares, era a “obra do século”. (Cem quilos de ouro – Fernando Morais - (Companhia das Letras – 2003)

Amizade é pra sempre!

Escrito por Mhario Lincoln em 15/04/2015

Na foto, Mhario Lincoln e Edomir Martins de Oliveira em frente ao prédio do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná, em Curitiba. Edomir foi presidente do IHG/Maranhão

 

"Eu sempre digo que a amizade é pra sempre. Quando não é amizade, dura o suficiente. No meu caso, estou amplamente feliz com a amizade construída ao longo de mais de 40 anos com a família Figueiredo Oliveira . Sejam avós, filhos e netos (e bisneta). Todos de uma linhagem muito especial. Uma linhagem cristã; a verdadeira linhagem. A amizade de minha família com a de Elma e Edomir Martins de Oliveira é fórtica, incomensurável, indestrutível porque além de ser estabelecida em cima de rocha firma é eivada de Fé Cristã.

Isso me lembra algumas passagens sábias da Bíblia, quando seus profetas e apóstolos falam de amizade. Elma e Edomir sempre estiveram juntos à nossa família. Em todos os momentos, como bem diz em Provérbios 17:17: "O amigo ama em todos os momentos; é um irmão na adversidade.".

Vivenciamos, portanto uma amizade das mais dignificantes. Ele, meu amigo desde a época em que o conheci como meu professor na Faculdade de Direito, na UFMA, e a ele concedi a grata satisfação de abençoar meu filho varão, sendo-lhe padrinho.

Destarte, é ele quem merece hoje todas as atenções deste espaço, como bem ensina Romanos 12:10: "Dediquem-se uns aos outros com amor fraternal. Prefiram dar honra aos outros mais do que a vocês."

A mim, resta agradecer e desejar boa leitura àqueles que vão ler agora esta peça singela, retrato de como Edomir e Elma são excelentes anfitriões, quando recebem, também, a nossa família."

Mhario Lincoln (Editor).

 

 

 

 

RECEBENDO CONVIDADOS

(*) Edomir Martins de Oliveira é professor universitário aposentado, escritor, poeta e advogado militante

 


Quem visse aquelas pessoas reunidas à mesa de refeição, repleta de comidas típicas maranhenses, onde estavam a ornamentar a mesa saladas de legumes, pato ao molho celestial, picanha ao forno, feijão com alho poró ao sabor da terra, arroz, etc., diria com certeza que se tratava de uma reunião apenas para degustação dos pratos à mostra, que vinham acompanhados de gostosos sucos e uma sobremesa encantadora trabalhada com bacuri e sorvete de creme, além de um quindim de sabor dos deuses.

Na verdade as pessoas ali presentes, além de saborearem os pratos que lhes eram oferecidos, também desfrutavam dos momentos de lazer que se apresentavam naquele momento.

Estávamos recebendo em nosso apartamento e reuniam-se àquela mesa, além do casal dono apartamento, os casais que vinham de Curitiba (PR), Mhario Lincoln e Veridiana Santos (nossa Santa Vera para os amigos mais próximos), Celine Oliveira, professora que tem o condão mágico de preparar a juventude para dias futuros, e seu marido, o garboso senhor Henrique Sales de Oliveira, empresário que contribui com sua assistência profissional para o desenvolvimento do Estado do Paraná, um casal maranhense, Dr. Ângelo Francisco Rodrigues dos Santos, jovem advogado, meu afilhado, com sua elegante e gentil namorada Dra. Luana que em breve se chamará Luana dos Santos, tão forte é o sentimento que une o casal.

Na foto à esquerda, os anfitriões com os convidados, dentre eles, Elizabeth, Claudete, Veridiana e Celine. Abaixo, Angelo Santos com (Elma Oliveira) e Luana Dias.

Também estavam presentes duas pessoas amigas paranaenses que vinham das belas terras do Paraná, a médica Dra. Elizabeth, sacerdotisa da ciência de Hipócrates que desveladamente exerce a medicina com as atenções voltadas ao exercício da Pediatria, assistindo as crianças que precisam de assistência médica, e a Professora, Claudete, que além de exercer o magistério com elevado espírito de quem transmite conhecimentos, ainda é Juíza de Paz, em Cambé, interior do Paraná.

Como que coroando todo aquele grupo estava ainda o jovem Lorenzo dos Santos, filho de Ângelo, que com a sua pouca idade (dez anos), já dá mostras da inteligência invulgar que o acompanha.

A degustação transcorria em clima de intensa amizade com os partícipes elogiando os pratos servidos, quando surgiu uma ideia luminosa que logo foi acolhida por todos.

Este mesmo grupo voltaria a se reunir em Cambé – PR no mês de outubro do corrente ano, levando os filhos do Maranhão, para Cambé, as alegrias que caracterizam quem vai da Ilha tão decantada pelo poeta Gonçalves Dias e tão rica em belezas naturais, com suas extensas praias, onde o rouxinol exibe o seu mavioso canto para embevecimento de quantos o escutam para outras plagas.

Eis que, de repente, lembra-nos a nossa comadre Veridiana que antes de chegarmos em Cambé, seria muito importante darmos uma paradinha em Curitiba-PR para descansar um pouco das fadigas de uma longa viagem como é São Luis / Curitiba. e nos prepararmos para a esperada chegada em Cambé.

Henrique Sales de Oliveira ao chegar na casa dos anfitriões, presenteia Elma com rosas

 

A ideia foi amplamente aceita e agora estamos aguardando outubro chegar, para desfrutarmos da hospitalidade de Mhario e Vera e seguirmos viagem para visitar a cidade onde se pratica a melhor pediatria do Estado do Paraná, isto se antes a saudade dos amigos queridos não nos alcançar com o tempestuoso vento da amizade e nós não apanharmos um avião, e através dele chegarmos para uma curta visita.

Os visitantes tão queridos, por volta das 16,00 horas despediram-se, pois os esperava um vôo de retorno a Curitiba, à noite, e confessavam que guardavam consigo aqueles momentos encantadores levando-os no recôndito do coração.

Estariam atentos para que a sístole e diástole, mantivessem a pressão arterial estável, embora o coração estivesse a pulsar em ritmo acelerado, estimulado que foi pelas alegrias daqueles inesquecíveis momentos.

 

 

O 'x' da questão é a Idade Penal?

Escrito por Mhario Lincoln em 11/04/2015

Por José de Oliveira Ramos (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. )

 


Pai precisa dialogar sem esquecer poder de decisão

 


Esse é mais um tema para reflexão. Nada aqui pretende ser conclusivo e os conceitos e discussões estão com caminhos abertos – sendo todos respeitados, pois ninguém é o absoluto “dono das verdades”.
E, a primeira indagação é: quem compõe hoje as diversas bancadas na Câmara Federal, que conhecimento tem e que moral ilibada garante a decisão por voto (ou por abstenção) de tema que tem reflexo direto no comportamento da sociedade brasileira?
Citar nomes para que?
Entendemos como desnecessário, pois, embora o contingente que frequenta este ambiente cibernético seja desconhecido para nós (e, também, o grau de conhecimento e coerência), não correremos o risco de apostar nossas fichas mais valiosas nos deputados e senadores que lá (Câmara e Senado) estão.
E veja que, mesmo com a renovação que aconteceu em janeiro tanto na Câmara quanto no Senado, muitos que lá chegaram pela primeira vez, já carregavam na mochila um considerável quantitativo de elementos negativos – sem achar que se descobre a pólvora, quando se diz que, o mandato eletivo, para muitos, nada mais é que um escudo. Os que entram não são diferentes do que saem. É, como dizia minha falecida Avó, “tudo farinha da mesma mandioca crivada na mesma peneira”.
Dito isso, formula-se a seguinte pergunta: a Proposta de Emenda à Constituição 171/93 que propõe reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos, é realmente o “xis” da questão e é o caminho para diminuir (pois, “acabar” é utópico!) a violência que pulou cercas e muros burlando sistemas de vigilâncias das nossas casas e se constitui num elemento a mais nas nossas famílias?
Será que, diminuindo a maioridade penal, todos os problemas desse setor, doravante, terão também sido resolvidos?


Ainda criança (com menos de 16 anos) empunhando arma letal


E você (pai ou mãe) faz direito o seu papel?
Ou, será que o problema também não é seu – mas sempre do Estado?
Ora, seja verdadeiro. Nos últimos anos você tem invertido os papéis. Você (pai e mãe) quer que o Estado “eduque” o seu filho. E, “educar” não é papel do Estado. É seu!
O que cabe ao Estado é a “ escolarização” que você também desqualifica ou apoia a manter da forma precária que está, quando, em vez de cobrar, procura uma escola particular. Isso pode até resolver o “seu” problema, e minimizar a sua “culpa” com aquilo que lhe rodeia. Mas, será que você é um oásis e para sempre vai ter água para saciar a sede de todos?
Você vota no “Zé” e, certamente, acha que tudo ficou resolvido quando você “cumpriu” a legislação. E, quando por algum motivo você não consegue votar, o mundo melhora ou continua como antes?
Assim, veja: você só, não é ninguém. Você é muito, quase tudo, quando é também a família. Você tem sido a família? Você tem dedicado o tempo disponível para a sua família? Ou você é um daqueles que nunca tem tempo para a família, para o filho – mas vive resolvendo os problemas do mundo numa mesa de bar?
Essa PEC 171/93 nada mais é que a culminância da sua omissão, da sua falta de tempo para dedicar à família – porque acha mais fácil se alinhar ao modismo de empurrar sempre tudo para debaixo do tapete. Sim, essa PEC é uma outorga sua para o Estado resolver via Leis, um problema de educação familiar – que é totalmente seu.


Adolescente – mas já atrás das grades e carrega o sobrenome dos pais


E, quando você outorga, o Estado usa a sua assinatura no que bem lhe convém – e, na maioria das vezes, usando políticos inescrupulosos como muitos que estão aí envolvidos em achados putrefatos devolvidos pelo pré-sal da vida.
A PEC 171/93 é, também, um somatório do que a sociedade emprenhou (desculpas pelo termo chulo – mas é absolutamente necessário para que possamos ser entendidos e para que seja demonstrada a nossa indignação) pelo ouvido, os acintes e arroubos do capitalismo desumano.
Ora, o orgasmo produzido pelo êxtase do mundo capitalista, nada mais é que o “consumo”. O “ter”, anos luz na frente do “ser”. E quando isso acontece, nada que você ganha produzindo incessantemente, é suficiente para as suas necessidades domésticas diárias. Haverá sempre uma demanda a mais. Uma demanda a ser atendida – caso contrário, você jamais “terá” alguma coisa.
E aí, o que você faz?
Você aceita que a sua “fortaleza doméstica” seja atingida, balançada. E quando a sua “companheira” que guarnece a sua retaguarda – e a sua família, vigiando com olhares de águia os seus filhos! – sai de casa para atender apenas às necessidades do “ter” mais, consumir mais, a sua família começa a ser destruída.
Quantas “esposas” saem todos os dias de casa, embaladas pelo consumismo, sem qualquer profissão, sem destino e deixa a filharada jogada às traças?
Muitas saem de casa para trabalhar numa portaria; vender produtos inúteis. O que ganham e trazem para casa (para ajudar a onda do consumismo imposta pelo capitalismo) nunca representarão 10% do que a família será obrigada a investir para mudar os erros do rumo inicial dos filhos.
Claro que não estamos falando da mulher “profissional” – médica, advogada, engenheira ou qualquer outra profissão que realmente some e signifique alguma coisa para a família. Estamos falando da mulher que sequer tem uma profissão definida e sai de casa para fazer não se sabe o que – e deixa os filhos na linha de tiro da PEC 171/93.
Pátria Educadora é isso?
Agora, claro, o gestor público equivocado ou incompetente, no frigir dos ovos acaba metendo os pés pelas mãos e entornando o caldo a partir de ações difíceis de entender.

No Brasil, “Bolsa Reclusão” é um acinte

Não para quem é vítima também dos erros do apenado (a família dele), mas para quem “trabalha”. Não existem meios que possam ser utilizados por ninguém para convencer que, quem comete crimes de quaisquer espécies possa ser condenado a cumprir determinada pena e, na prisão, sem produzir absolutamente nada, possa ter uma vida diferente (e para melhor em termos de remuneração) do que aqueles que trabalham de sol a sol, enfrentando todos os tipos de dificuldades que se enfrenta no Brasil.

 

MILAGRE, especial Pedro Du Bois

Escrito por Mhario Lincoln em 10/04/2015

MILAGRE

Pedro Du Bois

 

 

Espera o milagre

nos olhos fechados: a visão

inaudita resulta em tentações.

 

                 O milagre

                 reflete a verdade

                 inalcançável.

 

Espera o repasse

das horas entre ventos

e o dissabor do destino.

 

(Pedro Du Bois, inédito)

 http://pedrodubois.blogspot.com

Você quer mesmo deixar o Brasil? Tem certeza?

Escrito por Mhario Lincoln em 08/04/2015

Tania Menai, jornalista brasileira, vivendo há 20 anos em Nova York, fala sobre as alegrias e os desafios da expatriação. (Spoiler: morar em outro país não é para todo mundo.)

Por Tania Menai

Ontem recebi um email dando boas-vindas a um novo estudante na turma de pré-jardim de infância da minha filha, de quatro anos. Muitos pais responderam o email com mensagens acolhedoras e animadas – então o pai do novo menino escreveu de volta, agradecendo o carinho e enviando uma foto da família. Mas avisou: “sou o mais alto.” Ali estava uma família de dois homens negros e um lindo menino. Mostrei a foto para minha filha e disse: “este é o seu novo amiguinho da escola!” Ela sorriu, disse que ele parecia com um outro coleguinha, e voltou a brincar. Nós somos brancas – e judias. Nossa escola é pública.
A combinação de três aspectos desse episódio provavelmente, e infelizmente, seria improvável no Brasil, ou pelo menos na Zona Sul carioca, onde fui criada: (1) escola pública, (2) um casal de dois homens negros, pais de um menino e (3) minha filha na mesma turma que ele. No entanto, moramos no Brooklyn, em Nova York. E a vida aqui é assim. Bem-vindo ao avesso do que você conhece.
Há quase 20 anos cheguei em Manhattan para ficar três meses. Desde então, nunca fui abordada por tantos brasileiros de classe média (e de classe média alta) querendo deixar o Brasil, como nos últimos cinco meses. O que mais me choca? Não são os cidadãos mais humildes, aqueles dos quais já esperamos uma insatisfação concreta e uma busca por uma vida melhor, a qualquer preço. Tenho falado com pessoas na faixa dos 40 anos, com apartamentos (e que apartamentos!) próprios, carreira sólida, filhos na escola, carros na garagem. Pensam em largar tudo e trocar de país, para dar um futuro melhor para os filhos.
A jornada de expatriação deles seria diferente da minha: cheguei com uma mala pequena, fiz um curso, que acabou em estágio, seguido de emprego, uma carreira como correspondente para a mídia brasileira, alguns livros, um Green Card, um casamento, uma filha. Nada foi planejado: vim jovem, sem nada a perder, tendo uma família sólida no Brasil, para onde sempre poderia voltar. Então decidi por essa cidade fértil, ao mesmo tempo difícil, onde você começa todos os dias comendo desafios no café da manhã.
Nova York é tão internacional que só me senti mergulhando na cultura americana quando minha filha entrou para a escola e passei a conviver com outras mães: é tudo do avesso e de cabeça para baixo. Se por um lado amo não ter babá, por outro me arrepio com o mundo da pizza de um dólar no almoço, e entro em parafuso quando escuto que “beijos espalham germes”.
Se você tem porteiro, empregada, motorista, babá , folguista e despachante, pense antes de fazer as malas e tirar os filhos da escola, rumo ao exterior. Para sair o Brasil, você precisará rever alguns valores.
Sair da zona de conforto é sempre bom. Viver no país da meritocracia, do compromisso e da palavra, é uma delícia. Andar pela rua sem violência é uma dádiva. Aqui “as coisas funcionam” porque as pessoas funcionam. E mostrar um outro lado da vida para os filhos (e eu não estou falando da Disney, senhoras e senhores) é um privilégio. Um dos grandes aprendizados que meus pais me proporcionaram foi viver (sem eles) por dois meses em um kibutz em Israel, aos 17 anos. Eu trabalhava em uma fábrica de alimentos de soja (na época, o mundo desconhecia a soja; hoje, esse grão vale milhões): levantava às quatro da manhã, no inverno, e fazia de tudo. Um dia, um gerente me deu um balde e disse para eu tirar os resíduos de soja dos ralos. Perguntei a ele: “por que eu?”. Ele respondeu: “por que não você?”
Esse foi um enorme aprendizado para alguém que nasceu num sistema Casa Grande/Senzala, que o Brasil cultiva até hoje, a ponto de ter se tornado invisível para a maior parte dos brasileiros. Se você tem porteiro, empregada, motorista, babá , folguista e despachante, pense antes de fazer as malas e tirar os filhos da escola, rumo ao exterior. Para sair do Brasil, você precisará rever alguns valores. Talvez seja bacana fazer estas perguntas para si, e para quem você estiver pensando em trazer consigo, antes de tomar a decisão de colocar sua mudança num container:
1. Qual cidade a que você se adaptaria melhor? Você encara neve e inverno de bom-humor? Gosta de competitividade? Prefere uma cidade tranqüila?
2. Qual a sua definição de sucesso? Ser o presidente de uma empresa ou poder chegar cedo em casa e jantar com os filhos? Fazer o que você ama sem ganhar muito ou se sujeitar a um trabalho desinteressante ou estressante para garantir um bom salário? Se você já tem uma carreira estabelecida no Brasil, é muito provável que tenha de dar um ou dois ou três passos atrás em um novo país. Você está disposto a isso?
3. Caso você emigre para um país de língua estrangeira: você fala e escreve inglês? Você fala e escreve espanhol? Português é lindo, o Tom Jobim é famoso e as Havaianas já conquistaram o mundo. Mas a nossa língua, infelizmente, não nos leva muito longe. Sim, há exceções. Você pode trabalhar em empresas brasileiras. Ainda assim, o mundo em volta não fala português.
4. Você tem família no Brasil? Pais vivos? Eles precisam de você? Uma das tristezas de morar fora é ver nossos pais envelhecendo sem a nossa presença. Pense bem nisso.
5. Adaptabilidade é uma das maiores virtudes das “pessoas do mundo”. Qual a sua capacidade de se adaptar a novas rotinas e culturas?
6. Você é casado? Seu marido ou mulher são abertos a mudanças? Estão com a mesma vontade de emigrar? Vivem sem feijoada, futebol e churrasco? Há pessoas que não conseguem abrir mão de alguns hábitos, e têm dificuldade de enxergar as coisas boas do novo país. São os chamados “impermeáveis”: a cultura nova não entra de jeito nenhum. E isso é um problema gravíssimo, que pode acabar em depressão e isolamento.
O Brasil, não posso esquecer, recebeu meus quatro avós, vindos da Alemanha, do Líbano e da Síria. Nessas duas gerações, nosso país deixou de abraçar levas de imigrantes para exportar gente mundo afora. Não se engane: todo mundo sente falta do pão de queijo, da afetividade, da música brasileira. A saudade, no entanto, termina, muitas vezes, na boca do guichê do consulado brasileiro, onde sempre falta uma cópia autenticada de um documento que não serve para nada. Escrevi um livro que reúne depoimentos em primeira pessoa de 23 brasileiros que se mudaram para Nova York. Eles vieram de todos os cantos e origens sociais, mas têm uma característica em comum: a persistência.
Um deles, o fotógrafo Vik Muniz, ressalta que “não existe Shangrilá”. Mesmo emigrando, você vai reclamar de algum aspecto na nova morada. E, depois ou durante uma experiência no exterior, é importante devolver algo ao Brasil. Seja em forma de filantropia, de investimento que gere empregos, ou voltando para melhorar algo que pode ser aprimorado. Por fim: nunca espere que o governo (seja esta lástima atual ou qualquer outro) faça algo por nós ou em nosso lugar. Regra que vale para qualquer lugar do mundo. Mas, especialmente no Brasil, já aprendemos que isso é esperar demais.


Tania Menai é jornalista, escreve para diversas publicações brasileiras e acaba de lançar a Anáma Films, para contar histórias de famílias. Autora do blog “Só em Nova York”, na Revista TPM, ela também colabora para o blog “Tudo sobre Minha Mãe”. Seu livro “Nova York do Oiapoque ao Chuí – relatos de brasileiros na cidade que nunca dorme” está esgotado, mas é vendido no exterior via o site do livro, no Brasil via editora (telefone!), ou pessoalmente no Le P´tit Café, no Rio de Janeiro.
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