Seios – alimentam o corpo e a alma

Escrito por Mhario Lincoln em 15/08/2015

José de Oliveira Ramos

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A beleza visual mostrada de qualquer ângulo

Muito já se falou aqui, e em outras páginas sobre a mulher. Mulher é isso, mulher é aquilo – e diga-se, as mulheres merecem. Seja ela qual for.

Muitas vezes é o homem quem empresta sua força física na produção da célula familiar, contribuindo de forma incontestável para o sustento material e/ou financeiro. Mas, reconheçamos, é na mulher que está o pilar mais forte e mais humano quando se pretende erigir a entidade familiar.

O mundo moderno tenta encontrar um caminho nos destinos da raça humana que, de forma contestável, põe em xeque a importância da mulher no contexto social. O “casamento” entre dois seres que nasceram masculinos, por exemplo. Mas, esse não é o assunto que pretendemos enfocar.

Mulher é aquele ser humano que não para. Está sempre procurando evoluir, melhorar, construir alguma coisa de que possa, um dia, se orgulhar. Mas, sejamos sinceros, existem também “algumas” (que, felizmente são minoria) que não encontram mais forças e competência para sair da decrepitude.

A fórmula mágica da paz social se esgotou

Escrito por Mhario Lincoln em 15/08/2015

"Está claro que não chegamos ao fim de nenhum capítulo da mítica Revolução Brasileira da minha geração. Era só o que faltava, embora não seja menos impressionante a sensação incongruente de estarmos nos defrontando com uma contrarrevolução (que não veio para liquidar ou prevenir revolução alguma, ou mesmo as tais “conquistas sociais” que não ameaçavam ninguém, antes contribuíam para o desarmamento moral da nação, muito embora o pau continuasse comendo solto nos porões da Democracia), mas a um fim certamente chegamos e, além do mais, exaustos", escreve Paulo Arantes, professor de Filosofia, (foto Wikipédia), em artigo publicado por Correio da Cidadania, 15-07-2015.

Segundo ele, "a crise é assim, essa convergência desastrosa de uma inédita exaustão de todo tipo de recursos, dos mais elementares aos mais elevados, da polinização à imaginação política. Até a potência de Junho parece que se esgotou. Pois é tal a entropia do capitalismo, desorganizado desde o Big Bang de meados dos anos 1970 em seu núcleo orgânico, que desorganiza até mesmo as forças antissistêmicas".

"Para que não haja mesmo dúvida a respeito do que vem por aí, - escreve Paulo Arantes -  relembro que um coletivo carioca, agrupado teórica e politicamente em torno da Crítica do Valor, há algum tempo vem refinando suas análises acerca do que denominam “gestão da barbárie”, sobre a qual se explicam e ilustram, por exemplo, no livro Até o último homem, a respeito da gestão armada da vida social na cidade olímpica do Rio de Janeiro. Foi precisamente essa gestão da barbárie que se esgotou com a crise exposta pela reviravolta de Junho, esquerda e direita confundidas na mesma ressaca, e que evoquei nesta digressão sobre a crise de exaustão numa sociedade cansada. Sai a gestão, resta a barbárie".

Eis o artigo.

Vivemos o fim de um ciclo. Mas não um ciclo qualquer, tampouco uma crise cíclica, como é da natureza de um sistema descrito por Marx como a contradição em processo. Estamos simplesmente vivendo o fim de toda uma era. Há quem veja nesse desfecho, que se arrasta aos trancos e barrancos desde junho de 2013, talvez a mais grave crise de nossa história. Por isso mesmo não é de fácil identificação. Não é uma crise saneadora a mais, ao fim da qual o bom negócio chamado Brasil entraria nos eixos. O drama agora é outro. E olhe que a recessão econômica mal está começando, o desemprego ainda não bateu forte, a polarização está muito longe dos padrões venezuelanos ou mesmo argentinos, para ficarmos nos ingredientes clássicos, dentre os quais nem precisei mencionar um ainda muito remoto surto inflacionário.

O sonho de um país diferente

Escrito por Mhario Lincoln em 10/08/2015

José de Oliveira Ramos – São Luís/MA é jornalista, pensador, poeta e pesquisador cearense, mas há muito, maranhense de coração. Único colaborador  periódico de ACERVO.

 

O trem dos sonhos

 


Até o sertão virar mar – continuarei sonhando
“I have a dream!”
Foi isso sim, que, um dia, disse Martin Luther King em pronunciamento para milhares de americanos que, como ele, sonhavam com o fim das injustiças, iniciando pela segregação racial.
Pois, eu também tive um sonho. Sonhei de olhos abertos, pensando sempre em um dia poder viver num país diferente deste que os escroques de hoje nos impõem. Tive filhos. Ainda tenho filhos e sempre lhes ensinei o que de melhor aprendi com meus pais. Nunca transgredi pensando que isso (a transgressão) pudesse um dia lhes servir de modelo.
Errei, certamente. Mas errei tentando fazer sempre o melhor, por mim, por eles e principalmente por nós. E, até hoje, vi que eles tiveram competência e discernimento para não repetir os meus erros.
Sei, existem muitos, que, não apenas não agem assim, como também não pensam em agir da mesma forma. Pouco se lhes importa o acerto, a retidão, desde que isso lhes mostre retorno material.
Não! Nunca pretendi imitar Luther King. Mas, um dia me vi – em sonho - embarcando num trem. O trem do tempo que me levaria, sem curvas e titubeios, na direção da realização humana e social num país de gente livre. Livre e feliz!
Nesse sonho, ora me via como passageiro e ora era o próprio Maquinista, tocando lenha e puxando a válvula do apito, para avisar ao mundo que o trem estava livre e que todos podiam embarcar em algo que não pararia nunca.

 

 

De Teresina a São Luís

João do Vale
Compositor: (Helena Gonzaga – João do Vale)

 

 

Peguei o trem em Teresina
Pra São Luís do Maranhão
Atravessei o Parnaíba
Ai, ai que dor no coração
O trem danou-se naquelas brenhas
Soltando brasa, comendo lenha
Comendo lenha e soltando brasa
Tanto queima como atrasa
Tanto queima como atrasa
Bom dia Caxias
Terra morena de Gonçalves Dias
Dona Sinhá avisa pra seu Dá
Que eu tô muito avexado
Dessa vez não vou ficar
O trem danou-se naquelas brenhas
Soltando brasa, comendo lenha
Comendo lenha e soltando brasa
Tanto queima como atrasa
Tanto queima como atrasa
Boa tarde Codó, do folclore e do catimbó
Gostei de ver cabroxas de bom trato
Vendendo aos passageiros
"De comer" mostrando o prato
O trem danou-se naquelas brenhas
Soltando brasa, comendo lenha
Comendo lenha e soltando brasa
Tanto queima como atrasa
Tanto queima como atrasa
Alô Coroatá, os cearenses acabam de chegar
Pra meus irmãos uma safra bem feliz
Vocês vão para Pedreiras e eu vou pra São Luís.
O trem danou-se naquelas brenhas
Soltando brasa, comendo lenha
Soltando brasa, comendo lenha
Comendo lenha e soltando brasa
Tanto queima como atrasa
Tanto queima como atrasa

Yes, I also have a dream!
E sonho com um País diferente, com práticas e conceitos modernos e evoluídos, mas, principalmente humanos – e não apenas porque viraram modismo – na convivência entre famílias sem preconceito ou segregação racial e abertura de espaço para a prática religiosa de cada um.
E continuarei sonhando que, um dia, vamos protestar, reclamar, brigar pelos nossos direitos – sem estarmos dirigindo um carro e falando ao celular ao mesmo tempo. Sonho que um dia teremos a prática superando a teoria na cidadania. Sim

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Bônus:

Parte da obra de João do Vale:

Gravação original da Fundação Padre Anchieta. Programa MPB Especial, dirigido por Fernando Faro.

Acompanhamento de Eduardo Gudin e Carlinhos.

Siga o link: O MELHOR DE JOÃO DO VALE

 

Múdica: O Hino de João do Vale na voz de LUIZ GONZAGA

De Teresina a São Luís (Clique e ouça).

 

KIKO CONSULIN e a montanha-russa de seus espectros poéticos

Escrito por Mhario Lincoln em 04/08/2015

 (*) Mhario Lincoln
 
Você acreditaria em um poeta que escreve - "Não estou me jactanto,/ao contrário: - incomoda o não pousar,/a falta de solidez. (...) sou asas/ e elas são redivivas,/Por isso procuro porto/ e as estrelas/ são referências...(...)".
Conseguiria ler e sentir um poeta que escreve - "Já houve um mistério chamado tu,/Apesar disso caminharei novamente por caminhos/onde meus pés,/um dia,/plantaram saudades...".
 
Na verdade, todos nós deveriamos, sim, ler, acreditar, sonhar e refletir poesias. Especialmente quando se trata da poesia simbolista, íntimista, reflexiva, odiante, pegajosa, pueril, romântica, sofrida, com sérios questionamentos vivenciais de KIKO CONSULIN, mas perfeitamente decifrável e, até divertida, em alguns momentos, como nos mostra o próprio nome de um de seus livros "Estimaiszinhos de Animação", uma corruptela linguística, engraçada e harmônica, reformulada com base no título "Animaiszinhos de Estimação".
Porém, o conteúdo desse livro com título corruptélico, traz em seu bojo poemas sérios e de clara angústia pessoal, seja nos caminhos seguidos, seja nos amores perdidos, seja nos amores reconquistados: "... mãos dissociadas da dignidade,/do afeto,/do irmão;/dissociadas de sonhos,/de anseios,/ de perdão;/pois que mãos assim/ cavam tristes sepulcros...".
 
Talvez seja esse o livro-chave para quem quer estudar, à fundo, KIKO CONSULIN, poeta, escritor e pesquisador paranaense, hoje, residindo em São Luís-Ma.  Uma pessoa de explícita alma cativa, homem de sonhos e pesadêlos, húmos da realidade casual, a qual lhe levou e trouxe, em subidas e descidas, pela montanha russa da imaginação poética, esbarrando, em muitas vezes, na solidão de seus pensamentos, mas, inevitavelmente, dissolvida, essa solidão, nos sais dos ares da maré cinza, que respira todos os dias, de frente para da praia do Araçagy (MA), onde impôs-se morar.
 
Um homem de grandes amores. De grandes saudades. De grandes aventuras: "É difícil conviver você/com meus passos de outono/ se recendes primavera". Um poeta sentimentalista ao extremo: "Como fruto maduro,/como canto obscuro,/como negritude e ais,/meu coração canta/o que jaz/em paz...". 
 
Um poeta empunhando seu destino como espada contra o próprio destino, lubrificando-a com as lágrimas da ternura que as pessoas de bem podem espargir, contudo, feitas, essas pessoas, de repente, reféns da própria espada: 
"No ato-empunhadura do copo/a exteriorização nua da dor; no copo, o brilho cruel,/a sublimação da forma e do fel;/na sublimação, caminhar o errático e impreciso caos; no limbo,/tornar-me arcabouço/de hierarquias noturnas,/ de submissão oblíqua,/ de monolíticas esperas./ Por fim, empunhar o copo."
 
As variações de modelo, estilo e incertezas fecundam a alma deste poeta simplesmente fantástico e o fazem traduzir em poemas intimistas as cousas que lhe atravessaram o caminho, umas vezes, como almas desgarradas; outras, como anjos decaídos; e mais outras, como mães-d'água com cânticos sutis que atraem os marinheiros fortes ou fracos para liberdade da alma, porém, na verdade, para o aprisionamento do coração.
 
(Mhario Lincoln & Kiko Consulin)
 
Entretanto, 'em cismar sozinho à noite', KIKO CONSULIN tem encontrado um enorme prazer em sua netinha. Fê-la sua âncora de fé. Fê-la sua bússola e com ela na alma, vai devolver sua canoa com panos novos, velas novas, breu novo (para tapar os buracos dos vazamentos espirituais) ao mar das esperanças. Reviver o vivido de forma desnudada. Voltar aos encantos fortificado. Sentir os sentimentos de forma caudalosa o quanto for necessário. Mas sempre, somente o necessário, sem mais exagêros inconstantes e desobedientes.
 
KIKO CONSULIN é um exemplo vivo de verdade. De amor. De força. De caráter. De personalidade e, acima de tudo, de talento incomum. Um talento que rompe os apocalípses existenciais... "assim/que amargo é o poço do moinho da memória,/assim/ a dureza da espera e angústia, inquietantes,/ vão rompendo frouxas linhas,/somando rancores distantes./ assim/ nascem errantes cavaleiros/de inevitável apocalipse....".
 
O autor de "Estimaiszinhos de Animação",  trabalha a palavra, a frase, o verso, com exímia qualidade de quem conhece a língua-pátria. Um sopro forte do que vem dentro da própria imaginação instigante, progressiva, permanente, insolúvel. 
 
Trabalha com todos os sentimentos interligados, como numa rede, sabendo distinguir sabiamente quais os interruptores devem ser desligados ou ligados na sua construção poética, a fim de que não haja um curto-cirtuito de intensões, nem mentiras que violem o sentido corajoso do que precisa vociferar, com a mesma firmeza se fosse apenas para o vento ou para uma multidão de admiradores. 
 
Aliás, sou um de seus admiradores; da pessoa humana que é e das construções psico-poéticas de enorme impacto em que as lê. Acho que esse livro marca um novo estado de consciência/inconsciente(?), um rito de passagem faltando ainda alguns ajustes para que sua abóboda o faça transparecer - no todo - aos que estão do lado de fora de seu mundo.
Este é um homem, um dia, alcunhado 'mochileiro', por suas eternas idas e voltas pelos caminhos da vida, "não tenho fundo/não tenho borda/só me disperso/ só / contenho-me...!" 
 
E em razão disso ganhou experiência fundamental não só para seus 'ais' como para seus sorrisos e cheiro de mar. Justo para ele saber que os mistérios das profundezas, equivalem-se pelo menos em gênero, às profundezas da alma. Mergulhar é preciso, Respirar é preciso. Viver é preciso. 
 
Resplandecer é preciso. Amar é preciso. Sofrer é preciso. Sorrir é preciso. Porém, tudo isso, de forma necessária. Só o necessário que nos faça distuinguir entre o bem e o mal. Entre o Céu e o Inferno. Entre Ela e Ela.
 
Talvez essas poesias que li em "Estimaiszinhos de Animação", sejam uma tentativa de alcançar essa necessária sobriedade poética, nesse incomensurável rito (pessoal) de passagem, com ou sem 'ais', com ou sem sais da terra, com ou sem mares ou montanhas, sem mochilas ou sapatos, sem dor ou com dor. 
Contudo, de todos os poemas que vivenciei nessa obra - aí o pouco que falta para a liberdade completa - todos, mas todos mesmos, têm um mote em comum: um brutal e inesquecível amor, nunca reconquistado...

José de Oliveira Ramos

Escrito por Mhario Lincoln em 13/07/2015

A REPERCUSSÃO DA 'LITERATURA INFANTIL' E A JUVENTUDE BRASILEIRA

 

O jornalista, pensador, poeta e pesquisador cearense José de Oliveira Ramos fez um comentário bem interessante e sério as matérias publicadas nesta revista, na edição LITERATURA INFANTIL.

 

 

O essencial continua invisível para os olhos

(e só se conseguirá ver bem com o coração)

 

Não, isso não é um chapéu. É um elefante, aos olhos de quem vê com o coração.

Provocador, na semana passada Mhário Lincoln publicou na sua Revista Poética uma homenagem – com objetivos reflexivos – à Literatura Infantil, sugerindo leitura e indicando livros. Alguns, até bastante conhecidos do público que faz da leitura um hábito prazeroso.

Mhário, criança não lê mais!

Criança não ganha mais livros de presente dos pais (ou dos avós – como acontecia antes). Criança, agora, ganha “tablets” e, em vez de ler, joga. É melhor jogar, que ler, acreditam os descobridores dessas novidades.

 

Mas, os jovens também n~]ao estão lendo mais, Mhário. É uma pena, mas é a mais pura verdade. E, acredite Mhário, algumas editoras que, antes, faziam do papel impresso a sua razão de ser, estão começando a levar para as “Feiras dos Livros”, edições impressas em CDs e até em “pen-drives”!

 

O mundo mudou, Mhário!

 

Recentemente estive no Rio de Janeiro, depois de ausente por 28 longos anos, e tentei voltar no tempo sem qualquer túnel. Fui de cara limpa mesmo. Revisitei alguns lugares onde aprendi muito.

 

Existia um banca de jornais e revistas na frente do Hotel Serrador (na verdade, ainda existe), onde, todos os dias se quisesse, comprava o Clarin, Corriere dello Sport, Gramma e outros jornais de outros países para ler assuntos que me interessavam naquele momento.  Não encontrei nenhum. Procurei (em vão) em outras bancas e, finalmente, fui informado que aqueles jornais não chegam mais ao Brasil.

 

Não se lê mais, Mhário – não se lê mais qualquer coisa impressa que não seja livro. E, alguns, nem livros leem mais.

 

E... finalmente você sugere a leitura do best-seller “O Pequeno Príncipe” que, inicialmente alguns asseguravam ser o livro de cabeceira de meninas apaixonadas, enamoradas, inocentes. Mais tarde, alguém adjetivou como livro da Literatura Infantil – esse privilégio, acredite, não é seu.

 

E, Mhário, sabe por que isso?

 

Porque, “o essencial continua invisível para os olhos”!

 

E porque o mundo virtual travestido de dinâmica vai continuar nos impondo a ferro e fogo que, “Aqueles que passam por nós não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.”

 

Sinceramente Mhário, “O Pequeno Príncipe” não é um livro da literatura infantil, tampouco um livro de cabeceira das meninas enamoradas de antigamente. É, no mundo desigual e violento de hoje, apesar de lançado em 1943 – um contraponto de aconselhamento e de reflexão.

 

Mas, o desaparecido (há quem acredite que, sem qualquer trocadilho, ele esteja morando num planeta desconhecido – ao lado do Pequeno Príncipe, da raposa, da rosa e do por do sol que tanto ele gostava de apreciar) Antoine de Saint-Exupèry, antes, havia escrito aquela que é considerada a sua obra-prima: “Terra dos Homens”.

 

Terra dos Homens é um romance do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry, cujo título original é Terre des Hommes. Foi publicado em 1939. A tradução brasileira é de Rubem Braga. Editado no Brasil pela Editora Nova Fronteira.

 

Terra dos Homens - "Saint-Exupéry tornou-se piloto civil aos 21 anos. Aos 26 integrou a equipe que foi sobrevoar o Saara e os Andes levando o correio aéreo da Europa para a África e a América do Sul. (...) Como devia ser a emoção de voar em aparelhos tão pequenos, contando apenas com a hélice e sem nenhuma pressurização? É dessa emoção a matéria deste livro".Armando Nogueira

Conselhos de Um Médico com 101 Anos

Escrito por Mhario Lincoln em 06/07/2015

 

Dr. Shigeaki Hinohara, do Japão, completou 101 anos em 2013.
 
Ao completar 97 anos, em 2010, o Dr. Hinohara foi entrevistado e deu seus conselhos para uma vida longa e saudável.
 
 
Shigeaki Hinohara é um dos médicos e educadores mais idosos do mundo ainda exercendo a sua profissão. O seu toque mágico é famoso. Desde 1941 ele vem curando pacientes no Hospital Internacional São Lucas, em Tóquio, e lecionando na Faculdade de Enfermagem São Lucas.
 
 
Com 15 livros publicados desde que completou 75 anos, entre eles, "Vida Longa, Vida Boa", que vendeu mais de 1.2 milhões de cópias, Hinohara, fundador do Novo Movimento dos Idosos, encoraja as pessoas a levar uma vida longa e feliz, uma tarefa em que ele mesmo é um modelo a ser seguido.
 
 
Aqui estão as principais sugestões do Dr. Shigeaki Hinohara:
 
* A energia vem do nosso bem-estar, e não de comer bem ou dormir muito. Todos nós nos lembramos de quando éramos crianças, quando estávamos nos divertindo, muitas vezes esquecíamos de comer ou de dormir. Eu acredito que podemos conservar essa mesma atitude depois de adultos. É melhor não cansar o corpo com tantas regras, como horário para comer e dormir.
 
* Todas as pessoas que vivem muito, independentemente de nacionalidade, etnia ou gênero, têm uma coisa em comum: não estão acima do peso. No café da manhã, eu bebo café, um copo de leite e um pouco de suco de laranja com uma colher de sopa de azeite de oliva diluído. O azeite de oliva é excelente para as artérias e mantém a pele saudável. O almoço é leite e alguns biscoitos. Ou nada, se eu estiver muito ocupado para comer. Eu nunca sinto fome porque fico muito focado no trabalho. Para o jantar, como verduras, um pouco de peixe e arroz e, duas vezes por semana, 100g de carne magra.
 
* Sempre planeje. Minha agenda já está lotada até 2014, com palestras e meu trabalho normal no hospital. Em 2016 eu vou me divertir um pouco, pois planejo assistir às Olimpíadas de Tóquio!
 
* Não existe necessidade de se aposentar. Porém, se houver, deve ser bem depois dos 65 anos. A idade de aposentadoria atual foi fixada em 65 anos há meio século, quando a expectativa de vida no Japão era de 68 anos e havia apenas 125 japoneses com mais de 100 anos. Hoje, no Japão, as mulheres aalcançam 86 anos e os homens, 80, e temos 36.000 centenários no país. Dentro de 20 anos, teremos cerca de 50.000 pessoas com mais de 100 anos.
 
* Compartilhe o que você sabe. Eu dou 150 palestras por ano, algumas para 100 crianças do Ensino Básico, outras 4.500 executivos. Eu normalmente falo durante 60 a 90 minutos em pé, para manter-me forte.
 
* Quando um médico lhe recomentar certos exames ou cirurgias, pergunte-lhe se ele faria a mesma sugestão ao seu cônjuge ou a um filho seu. Ao contrário do que se pensa, médicos não conseguem curar todo o mundo. Então, por que causar dores desnecessárias com cirurgias? Acredito que música e terapia com animais ajudam bem mais do que muitos colegas meus imaginam.
 
* Para manter-se saudável, prefira sempre as escadas e carregue você mesmo as suas coisas. Eu subo escadas  de dois em dois degraus para manter meus músculos em forma.
 
* Minha inspiração é o poema "Abt Vogler", de Robert Browning, que meu pai costumava ler para mim. Ele nos encoraja a fazer grande arte, não garranchos. Diz para tentarmos desenhar um círculo tão grande que não haja como terminá-lo enquanto vivermos. Tudo o que vemos é um arco, o resto está além da vista, mas está lá, na distância.
 
* A dor é algo misterioso, e divertir-se é a melhor maneira de esquecê-la. Se uma criança tem dor de dente e você começar a brincar com ela, ela imediatamente esquecerá a dor. Os hospitais devem atender às necessidades básicas dos pacientes: todos nós queremos nos divertir. No Hospital São Lucas, temos música, terapia com animais e aulas de arte.
 
* Não tenha como objetivo acumular coisas materiais. Lembre-se que você não sabe quando será chamado o seu número,e você não pode levar nada junto para o seu próximo destino.
 
* Hospitais devem ser projetados e estar preparados para grandes desastres, e devem acolher todos os pacientes que baterem às suas portas. O São Lucas foi concebido de forma que possa ser utilizado em todas as áreas. Podemos prestar socorro no porão, nos corredores, e na capela. A maioria das pessoas pensou que eu estava maluco ao preparar o local para catástrofes porém, em 20 de março de 1995, infelizmente, eu provei que estava certo. Foi quando membros do grupo fanático religioso Aum Shinrikyu realizou um ataque terrorista no metrô de Tóquio. Nós recebemos 740 vítimas e, em duas horas, compreendemos que tinham sido intoxicadas com gás Sarin. Lamentavelmente, uma das vítimas não resistiu, mas salvamos 739 vidas.
 
* A ciência, sozinha, não é capaz de curar e ajudar as pessoas. Ela nos coloca todos juntos, prém, a doença é algo individual. Cada pessoa é única, e as enfermidades estão ligadas aos seus corações. Para conhecer as doenças e poder ajudar as pessoas, necessitamos das artes liberais e visuais, e não apenas das artes médicas.
 
* A vida é cheia de incidentes. Em 31 de março de 1970, quando tinha 59 anos, embarquei no Yodogo, um voo de Tóquio para Fukuoka. Era uma linda manhã de sol e, quando avistamos o Monte Fuji, o avião foi sequestrado pela facção japonesa da Liga Comunista-Exército Vermelho. Passei os 4 dias seguintes algemado na minha poltrona, sob um calor de 40 graus. Como médico, encarei tudo aquilo como uma experiência e fiquei fascinado ao constatar o quanto o corpo humano fica mais lento durante momentos críticos.
 
* Encontre um modelo e proponha-se a ultrapassá-lo. Meu pai foi para os Estados Unidos em 1900, para estudar na Duke University, na Carolina do Norte. Ele foi um pioneiro e um dos meus herois. Mais tarde, encontrei mais guias e, quando não sei o que fazer, eu me pergunto como eles lidariam com o problema.
 
* É ótimo ter uma vida longa. Até os 60 anos, trabalhamos para nossa família e para alcançar nossos objetivos. Porém, depois, devemos nos esforçar para contribuir para com a sociedade. Desde os meus 65 anos, dedico 18 horas semanais para trabalhos voluntários, e adoro cada minuto desse tempo.

A infância e a gangorra da vida

Escrito por Mhario Lincoln em 04/07/2015

 

Por José de Oliveira Ramos
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(*)Para Maria José Lago

 

 

Gangorra - antigo brinquedo infantil que hoje não existe nos shoppings

 

O assunto do momento é a diminuição da maioridade penal, elemento que muitos veem como fator capaz de reduzir a violência urbana praticada em grande escala por jovens e adolescentes – na realidade, isso é apenas a culminância do abandono que os pais impuseram aos filhos, delegando poderes administrativos e paternais ao Estado. No dia em que os pais assumirem suas responsabilidades domésticas – a violência, hoje praticada nas ruas, tem garantia de diminuição.

Já discorremos aqui, em outras oportunidades, que o Estado invadiu os lares brasileiros e tomou para si o papel de “educar” filhos, ainda que não dê contas do seu real papel de “escolarizar”. As escolas municipais e estaduais são um amontoado de incompetência e imprestabilidade que se transformou numa lavanderia de dinheiro da Merenda Escolar.

 

 

Navios da esperança

Escrito por Mhario Lincoln em 01/07/2015

Nota do Editor: Recebi e transcrevo relato interessante sobre " o silencioso trabalho da Marinha", do amigo Elson Burity, (foto) hoje, integrante do Tribunal Marítimo, com sede no Rio de Janeiro. Elson foi Capitão dos Portos do Maranhão, época em que fizemos uma grande amizade.
 
 
Mhario, amigo, conheça um pouquinho do trabalho silencioso que a Marinha executa nas regiões inóspitas da amazônia, atendendo o caboclo, o índio e o ribeirinho de maneira geral. São brasileiros constituídos de pessoas pobres e esquecidas na vastidão daquele mundo verde. 
Saudações
Elson Burity

Um relato de alguém muito bem posicionado na estrutura social do país que se surpreende com o notável trabalho da nossa Marinha do Brasil  na Amazônia.  



Os navios da esperança

 

 

"Essa curta viagem devolveu-me parte da esperança que outrora, quando jovem,

já nutri pelo Brasil"

 

Walter Colli é professor titular aposentado da USP